Seção I
Cinco Princípios Orientadores
1.
O nosso mundo de hoje é um mundo em rápida mudança. É neste mundo que buscamos
melhores estruturas para exercer nossa missão,
que é a de pregar o Evangelho aos pobres, anunciar
a plenitude da Redenção, estar ao lado dos abandonados.
É este o motivo fundamental e é o primeiro princípio
orientador na reestruturação da Congregação.
I. A reestruturação é em vista
da missão.
2.
A reestruturação em vista da missão requer uma nova mentalidade, do contrário
não será coisa alguma. Nossa identidade redentorista
fundamental precisa ser despertada de novo pelo mundo
humano em rápida mudança no qual vivemos.
Quem somos nós? Somos aqueles que, reunidos
sobre o fundamento da fé em Jesus Cristo, são
consagrados no carisma redentorista, de maneiras
mais profundas que qualquer compromisso nosso
com a cultura, a nacionalidade, a tribo ou a
família.
II. A reestruturação em vista da missão deve provocar e estimular um
novo despertar de nossa identidade, uma conversão
de nossas mentalidades na linha da nossa vocação,
uma nova disponibilidade – do contrário não
chegará a lugar nenhum.
3.
No começo, a Congregação consistia numa só Unidade organizada para a missão.
Houve em seguida uma época em que a Congregação
tinha, essencialmente, duas Unidades de organização
– a obra de São Clemente Hofbauer nos países
transalpinos e a Congregação na ‘terra natal’
de Nápoles e Roma. Em 1841 a Congregação começou
uma nova organização para a missão. Repartiu-se
em diversas Províncias, primeiro na Europa e
depois em todo o mundo. Essas diversas Províncias
foram de novo reorganizadas – sem perderem sua
identidade – na metade da década de 1970, em
seis Regiões geográficas: Ásia-Oceania, África,
América do Norte, América Latina, Europa Sul
e Europa Norte e Leste. É justo dizer que a
Congregação não teria sobrevivido até hoje sem
essas reorganizações históricas.
Hoje as Regiões da Congregação
estão constituídas sobre base geográfica. Nessas
entidades geográficas o mundo de hoje ainda
encontra algum senso de pertença. Mas até certo
ponto significativo a
movimentação das pessoas hoje também transcende
e ultrapassa tais limites.
III. A reestruturação em vista da missão deve seguir as pessoas; deve
ser igualmente uma reestruturação dentro
de nossas Regiões, e não menos, uma reestruturação
além de nossos limites regionais, seguindo as migrações demográficas.
4.
Nesta situação, é importante que o Governo Geral tenha poderes para dispor
e concentrar recursos de finanças e de confrades
– e, onde possível, de cooperadores leigos –
quando se requerem novas iniciativas. Precisamos
encontrar novos modos de equilibrar a localização
de criatividade e de recursos com uma devida
centralização de recursos quando exigida por
novas iniciativas ou situações urgentes.
IV. É muito importante uma nova
capacidade de concentrar recursos para a missão,
para reestruturar recursos para a missão.
Em alguns casos, serão Províncias reunidas para uma
nova iniciativa urgente que serão o agente desta
nova concentração de recursos. Em outras situações
será o Governo Geral, que tem uma responsabilidade
global na missão da Congregação, que tem a capacidade
de convocar e dispor os recursos conforme a
necessidade.
V. Uma parte vital de nossa missão,
tanto no passado como nos tempos atuais, é uma
reflexão teológica enraizada na experiência
pastoral: uma nova distribuição de nossos recursos
neste particular é uma parte crucial do desafio
para a reestruturação em vista da missão hoje.
5.
Algumas sugestões muito modestas são oferecidas a seguir entre nossas propostas
para as Regiões da Ásia-Oceania e África.
A fragilidade da Congregação é fácil de se reconhecer
atualmente, - enquanto é a fragilidade de boa
parte da vida consagrada organizada na Igreja.
Certamente será difícil para nós lidar bem com
esses tempos sem enfrentarmos, do melhor modo
possível, os novos desafios que o novo mundo
dos homens nos apresenta.
Não existem soluções mágicas. Além do mais, não podemos enfrentar esses
desafios sem abertura para o trabalho conjunto
com os leigos e com outras Congregações religiosas.
Mas parece correto que devemos começar, e começar
com coragem. Para tanto, oferecemos as propostas
que seguem, Região por Região.
Seção II
Reestruturação:
Alguns aspectos e implicações
A. Modelos de Reestruturação
Nesta seção apresentamos vários
modelos de estruturas para Vocês considerarem
e comentarem. Como modelos eles servem simplesmente
à finalidade de fornecer uma ferramenta operacional
ou conceitual para nos ajudar a montar estruturas
apropriadas para a nossa missão. A vantagem
dos modelos é que são capazes de evocar uma
resposta imaginativa, possibilitando-nos fazer
a conexão entre carisma, espiritualidade e missão,
de um lado, e a correspondente organização estrutural,
do outro. Colocados nesta seção do documento,
estes modelos oferecem uma ponte entre os princípios
orientadores da seção anterior, e as propostas
da seção seguinte referentes às Regiões. É importante,
pois, estudá-los neste contexto.
Os cinco modelos que apresentamos são tirados da
experiência passada e presente, mas podem também
sugerir um novo modo de imaginar nossa vida
de Redentoristas neste século XXI. Não se privilegia
modelo algum acima de outro. De fato, queremos
ouvir as sugestões de Vocês sobre outros modelos
possíveis. Então, será mais útil vê-los entrelaçados
uns com os outros num processo aberto e crescente,
desde o conceito de uma ‘fusão’ de duas unidades
(Modelo 1) até uma ampla rede de Unidades que
transcende até mesmo os limites regionais (Modelo
5).
As estruturas devem servir à missão. A reestruturação
visa renovar a missão. Somos portanto chamados
a encontrar sempre novos modos de trabalhar
juntos apoiando-nos mutuamente no apostolado,
na formação e nas finanças. Os cinco modelos
que seguem são apresentados como uma abordagem
possível na nossa tarefa comum de projetar a
mudança.
1. Fusão de Unidades
Aqui, duas ou mais Províncias se unem e se tornam
uma Província. Exemplos das décadas recentes
são: a Província de Denver (união de St. Louis
e Oakland); a Província Edmonton-Toronto (união
de Edmonton e Toronto); Burkina-Níger (união
de duas Vice-Províncias); Bolívia (união de
La Paz, Reyes e Tupiza).
Será útil e instrutivo fazer um estudo dessa evolução,
analisando questões como: O que motivou a mudança?
Resultou uma mobilização mais efetiva para a
missão? Surgiu um contexto melhor para os confrades
jovens na sua vida e missão?
2. União de Unidades
mantendo a identidade regional
Na recém-formada Província São Clemente, quatro Províncias
se uniram, conservando cada uma delas sua identidade
como uma região na Província, com estruturas
apropriadas.
É cedo demais para julgar a eficácia desse modelo.
Contudo, seria instrutivo um relato da história
até hoje, pois se trata de uma experiência inovadora
e corajosa.
3. Federação de Unidades
Este pode ser considerado um modelo relativamente
novo, embora alguns começos têm sido feitos.
Exemplos desses começos são duas Unidades no
nordeste brasileiro (Fortaleza e Recife), quatro
Unidades no sudeste asiático (Ipoh, Cebu, Manila,
Bancoc), as duas Vice-Províncias no Paraguai,
e Viena-Munique. Mais uma vez, o objetivo primordial
ao adotar esse modelo (como os outros) é servir
à missão mediante a geração de novos recursos,
não simplesmente reter os antigos.
No modelo da federação as (V) Províncias se associam
de um modo relativamente estável, mas com uma
organização mais livre que lhes permite a possibilidade
de conservar sua identidade enquanto cooperam
numa federação e superam o isolamento prejudicial.
Isto lhes tem permitido assumir riscos e começar
novas iniciativas na missão.
Há três elementos-chaves neste modelo:
(1)
Nas Unidades federadas os confrades passam a conhecer bastante bem a realidade
uns dos outros. Ao mesmo tempo há uma fertilização
recíproca de idéias, solidariedade e sinergia
no apoio e no encorajamento mútuos, e emergem
meios práticos de cooperação.
(2)
Há modos estruturais e permanentes de aprofundar a clarificação dos objetivos
da missão, mantendo como prioridade as necessidades
pastorais do povo.
(3)
Existe um mínimo de estrutura adequado para decisões: talvez um ‘Presidente’ nomeado ou uma Comissão Permanente
da Federação e uma reunião anual à maneira de
um Capítulo com poderes para tomar decisões.
As sugestões de Vocês sobre esse modelo são muito bem-vindas, particularmente
sobre o modo de fortalecer as estruturas decisórias.
Além disso, quais são as implicações desse modelo
com respeito à multiplicidade de línguas e à
pluralidade de Igrejas (conforme se descreve
na Constituição 1)?
4. Conferências
Oferecemos aqui para a consideração de Vocês um novo
modelo, surgido de nossas deliberações como
Comissão. Este modelo nasceu de nossas reflexões
sobre as seis grandes Regiões. Como dissemos
no Prefácio, as Regiões são uma estrutura relativamente
nova na Congregação (cerca dos anos 1970) e
de fato não são contempladas em nossas Constituições.
Nós nos pusemos esta pergunta: as Regiões estão
funcionando em vista da missão? Se é este o
caso, ou se nós continuamos a optar pela estrutura
regional mais ampla, qual aspecto disto daria
maior suporte à missão da Congregação?
Em resposta a essas perguntas sugerimos o conceito
eclesial de ‘Conferência’ que seria uma associação
de Unidades numa Região ou Sub-Região (ou, numa
sugestão proposta para a Europa inteira, em
duas Regiões), com poderes mais amplos de decisão
e de implementação do que existem atualmente
nas Regiões, e que seriam motivados por uma
resposta a problemas e desafios pastorais mais
amplos, tais como, por exemplo, a secularização
ou a migração. Então, poderíamos falar de uma
Conferência dos Redentoristas do Brasil, uma
Conferência dos Redentoristas de toda a Europa,
etc.
Simplificando, a principal diferença entre uma Região
atual e uma Conferência consiste no poder de
tomar e de implementar decisões. Isto pode também
ter implicações para a composição do Capítulo
Geral e para o Governo Geral.
Sendo relativamente novos este modelo e o seguinte, e porque até certo
ponto suplantam as Regiões, gostaríamos de ouvir
a opinião, a reação e as sugestões de Vocês
para uma ulterior consideração.
5. Rede de Unidades
Aqui considera-se uma rede ou ‘aliança’ internacional
de todas as Unidades já engajadas na missão
numa determinada área da Congregação, ou daquelas
com um interesse nessa área.
Ao falarmos de ‘determinada área’ referimo-nos a
duas possibilidades: (1) Uma determinada área
geográfica, como por exemplo o continente da África; (2) uma área
de necessidade
pastoral que apresenta desafios específicos,
tais como a evangelização num mundo secularizado.
O primeiro exemplo será examinado mais detalhadamente
neste documento quando apresentarmos as propostas
para a África:
Propomos
a criação de uma rede
internacional de todas as Unidades já engajadas
na missão da Congregação na África e de outras
que no futuro possam querer assumir um compromisso
nesse continente.
Haveria uma reunião periódica desse organismo internacional,
com o objetivo de estudar os desafios à missão
nesta área, para debater questões de mútuo relacionamento
e política, partilhar recursos financeiros e
vir a ser um instrumento para o estabelecimento
de várias iniciativas e estruturas. Isto se
aplicaria tanto a uma rede para uma área geográfica
como a uma rede para um desafio pastoral particular.
Cremos que essa composição ‘em rede’ seria mais eficaz
e mais expressiva de solidariedade do que ter
Unidades trabalhando em paralelo como foi o
caso no passado.
A
resposta de Vocês aos modelos
De novo, fazemos um apelo para que em suas reuniões de comunidade, de
Unidade e de Região, Vocês discutam esses modelos
e exprimam sua reação sobre se ou como eles
podem ser mais eficazes para continuar a missão
da Congregação.
B. O Governo Geral
Na reorganização de um modo mais eficaz para a missão,
precisamos reconhecer a autoridade atribuída
ao Governo Geral conforme as nossas Constituições.
Assim, em assuntos como a nossa resposta às
novas urgências pastorais, novas formas de missões,
ou novos modelos para estruturar nossa missão,
afirmamos e aceitamos a iniciativa própria do
Governo Geral. Isto é crucial. Somos uma Congregação
internacional que vive numa época que nos leva
a todos para uma realidade globalizada. A solidariedade
internacional na missão é vital à medida que
adentramos o século XXI, e o Governo Geral tem
um ministério e uma missão particulares a este
respeito.
Ao dizer isto, não queremos restringir a iniciativa
e a responsabilidade pela missão no seio das
Unidades e entre elas. Cremos que esse documento
aborda isto de modo adequado. Não obstante,
um aspecto vital da reestruturação será prestar
atenção à função e à autoridade do Governo Geral.
C. Comunidades Internacionais e Intercongregacionais
Onde a missão o exigir, devemos estar preparados
para formar comunidades internacionais, tendo
em mente os vários modelos acima propostos.
O conceito de comunidades internacionais continua
a inspirar a imaginação de muitos confrades,
mas precisa ser examinado mais atentamente,
dando atenção a questões como uma adequada preparação
antecedente, linhas de autoridade, responsabilidade
e partilha de recursos.
Qual é o seu parecer e quais são as suas sugestões com relação a comunidades
internacionais?
Ligado a isto, mas repetimos, tendo como motivação primeira a urgência da
missão e do ministério, há o conceito e a experiência
de comunidades intercongregacionais que precisa
ser analisado ulteriormente. Temos também de
dar cuidadosa atenção à cooperação com os leigos
e aos modos como essa realidade pode refletir-se
em nossa vida comunitária apostólica no futuro.
Seção III
As Regiões
Introdução
Nesta seção oferecemos propostas para cada Região. Pedimos a Vocês que
as analisem e nos dêem o retorno. Gostaríamos
de receber também sugestões para outras propostas
que possam ajudar a nossa reestruturação em
vista de maior eficácia na missão. Pode ser
melhor começar com as propostas para a sua própria
Região, mas convidamos Vocês a refletir também
sobre as propostas apresentadas para as outras
Regiões.
Europa-norte e Europa-sul
Na Europa, as Províncias da Congregação estão organizadas
atualmente em duas Regiões: Europa-Norte e Europa-Sul.
A Comissão vai falar sobre essas duas Regiões
juntas: isto é significativo. Pensamos que as
(V) Províncias dessas Regiões deverão encontrar
novas maneiras de trabalhar juntas, através
das Regiões – eventualmente, talvez, emergindo
como uma só Região.
Propostas
1. Considerando globalmente a Europa, o maior desafio para a Congregação
é levar os confrades, de uma fragmentação, isolamento
e luta pela sobrevivência, a um senso partilhado
da missão.
Precisamos ter em mente que a Congregação corre o
perigo de deixar de existir em grandes partes
da Europa.
Devemos também recordar que para muitas pessoas no
coração da Europa, existe uma verdadeira pobreza:
religiosa, cultural e econômica.
Propomos
que as (V) Províncias da Europa (ambas as Regiões
conjuntamente) procurem identificar estratégias
para uma contribuição redentorista à ‘nova evangelização
da Europa’ preconizada pela Direção da nossa
Igreja e pedimos que as reuniões regionais de
2006
na Europa-Norte e Europa-Sul estabeleçam uma
Comissão para organizar um Simpósio sobre o
tema ‘Uma contribuição redentorista para a nova
evangelização da Europa’.
Sugerimos que este simpósio se realize em 2007.
Tendo em mente – entre muitas considerações:
- as possibilidades que os santuários e os lugares
de peregrinação oferecem aos Redentoristas neste
particular;
- as amplas faixas de pobreza religiosa, cultural
e econômica no próprio coração da Europa (em
lugares como, por exemplo, certas zonas da Alemanha
oriental e da República Tcheca): a sensibilidade
particular redentorista para com os mais abandonados
está no centro da reflexão).
Reconhecemos a dificuldade de organizar esse simpósio. Há o perigo de
ele ser apenas um fácil ‘bate-papo’ sem realismo.
Será preciso considerável engenhosidade para
evitar este perigo. Não obstante, apesar das
possíveis armadilhas, cremos que é um risco
necessário.
2.
Propomos o desenvolvimento de uma missão redentorista nova e coerente para
a população imigrante através da Europa, (especialmente
os imigrantes católicos).
É óbvio que essa missão teria que ser assumida em
colaboração com cooperadores leigos e em colaboração
com outras Congregações religiosas. É óbvio
também que essa missão coerente através da Europa
vai exigir que as (V) Províncias encontrem novos
modos de trabalhar juntas. Isto vai exigir a
cooperação com Províncias de outras Regiões.
3.
Propomos que as (V) Províncias da Europa formem uma rede internacional,
dedicada à pastoral da juventude.
4. Propomos que as duas Regiões continuem
como estão, por enquanto.
A razão é que a estrutura de duas Regiões está produzindo
algum fruto agora. Na Europa-Sul ajuda a primeira
formação e, até certo ponto, a formação permanente.
Na Europa-Norte cria laços úteis entre as (V)
Províncias que estavam separadas umas das outras
até há pouco tempo.
Contudo, existem outras funções importantes e outras importantes necessidades
organizacionais, que não são bem atendidas pela
atual estrutura de duas Regiões. Faz
falta uma visão nova e coerente para a missão
redentorista na Europa. Pensamos que
as (V) Províncias destas Regiões terão de encontrar
novos modos de trabalhar juntas, além dos limites
regionais - eventualmente, talvez, emergindo
como uma só Região. Pedimos a opinião de Vocês
a este respeito.
Ásia-Oceania
Os confrades da Região da Ásia-Oceania trabalham
numa área de grande diversidade cultural, numa
vasta extensão geográfica e entre imensas populações
humanas. A Comissão reconhece que é variada
e complexa a realidade da Ásia-Oceania. Essa
complexidade apresenta certos desafios e dificuldades
quando se trata de reorganizar ou reestruturar.
Poucos anos atrás, para facilitar maior comunicação
e interação, a Região foi dividida em quatro
(4) Sub-Regiões. Essas Sub-Regiões têm tido
um certo êxito em possibilitar maior colaboração
entre as Unidades da Congregação dentro da Região.
Todavia, a Comissão acredita firmemente que
a reorganização dentro dessa Região ficaria
mais facilitada se as Unidades da Região trabalhassem
juntas, em vez de constituírem Sub-Regiões.
É nossa opinião que isto resultaria num sentido
mais claro de nossa missão como Redentoristas
na Ásia-Oceania hoje, como também evitaria o
perigo de alguma Unidade da Congregação sentir-se
isolada ou sem apoio. Essa reorganização também
facilitaria uma colaboração e solidariedade
maior no seio da Região, partilha de idéias
e de estratégias para a evangelização, e permitiria
à Região olhar além de suas fronteiras.
A Comissão propõe o seguinte:
1.
Que a atual Região da Ásia-Oceania seja reconstituída numa Conferência
dos Redentoristas da Ásia-Oceania. Todas
as Unidades da atual Região tornar-se-ão parte
da Conferência; seus Superiores maiores se reunirão
anualmente para monitorar, refletir, discutir
e tomar decisões a respeito da vida apostólica
redentorista dentro da Conferência. O governo
interno e a autoridade decisória da Conferência
precisam de ulterior reflexão e discussão. Pedimos
o parecer de Vocês sobre isto.
1.1
Há necessidades específicas dentro da Conferência que precisam ser consideradas,
por exemplo a formação inicial, novas iniciativas
pastorais, finanças e a possibilidade de responder
a pedidos de novas fundações em países onde
ainda não estamos presentes. A Comissão propõe
que dentro da Conferência seja estabelecida
uma “Federação” entre determinadas Unidades
para responder mais eficazmente a essas necessidades.
Um exemplo dessa Federação é o atual acordo
entre Cebu, Manila, Bancoc, Ipoh e Canberra
referente à formação inicial, e entre Ipoh,
Indonésia e Cebu com relação à missão em Bornéu.
Mais uma vez, é necessária uma ulterior reflexão
sobre a autoridade decisória de tais Federações.
Da mesma forma, queremos o parecer de Vocês
sobre esta questão.
1.2
Existem desafios específicos para a pregação do Evangelho em alguns países
da Região, cujas culturas são bastante secularizadas
e consumistas, tais como Austrália, Japão e
Nova Zelândia. A Comissão propõe que seja estabelecida
uma “rede” na qual os confrades dessas Unidades
possam encontrar-se e interagir com confrades
de outras Regiões que vivem e trabalham em situações
semelhantes, por exemplo, os da África do Sul,
de Londres, de Dublin e da Região da América
do Norte. Uma rede semelhante poderia ser estabelecida,
por exemplo, para examinar a questão de como
responder melhor às necessidades pastorais dos
povos indígenas.
2.
Em consonância com o Princípio Orientador #5 acima (pg. 6), a Comissão pede
que a reunião regional de julho de 2006 estabeleça
uma Comissão para organizar um Simpósio sobre
“A Missão Redentorista na Ásia-Oceania no século
XXI”, para ajudar as Unidades da Região a discernir
como responder melhor às necessidades pastorais
do povo dessa Região e delinear estratégias
que facilitem essa resposta, sempre tendo em
mente o mandato de pregar o Evangelho aos pobres
e aos mais abandonados.
2.1
O simpósio também vai dar o reconhecimento e a importância devidos aos Santuários
de Baclaran e de Cingapura, com vistas à tomada
de decisões concretas sobre como fortalecer
e renovar nossa presença e nosso compromisso
com esse aspecto importante da nossa tradição
e esses dois lugares de missão na Ásia-Oceania.
Espera-se que eventualmente haverá uma Comissão
estabelecida ao nível de Congregação para facilitar
o incremento de nossos Santuários em âmbito
mundial.
Reconhecemos a dificuldade de organizar esse simpósio. Há o perigo de
ele vir a ser simplesmente um fácil “bate-papo”,
sem realismo. Será preciso considerável engenhosidade
para evitar esses perigos. Não obstante, apesar
das possíveis armadilhas, cremos que é um risco
necessário.
3.
A reflexão teológica sobre a experiência pastoral na “crista da onda” é
um componente vital em nossa herança alfonsiana.
Na Ásia-Oceania os confrades são constantemente
confrontados com a pobreza desumanizadora, o
fundamentalismo religioso, o nacionalismo militante,
a negação dos direitos humanos e a destruição
do meio-ambiente. Na Ásia-Oceania, também, o
diálogo do Cristianismo com outras religiões
é uma preocupação central.
Propomos que seja fundado na
Ásia-Oceania um centro de reflexão teológica
sobre questões que são cruciais para a missiologia
hoje, em particular o diálogo com a cultura,
as religiões e os pobres. Este centro, embora
situado na Ásia-Oceania, deverá ser considerado
um projeto de toda a Congregação e um recurso
para toda ela. Isto deve ser levado em conta
na alocação de recursos e de pessoal.
América do Norte
O que nós, na Congregação, chamamos de Região da
América do Norte, tem uma diversidade e uma
complexidade que não se deve perder de vista.
Ela compreende, por exemplo, (V) Províncias
nos EUA e no Canadá. A Província de Yorkton
expressa a realidade de uma Igreja distinta.
Existem comunidades de confrades brasileiros
e poloneses a serviço de diversas necessidades
e também confrades da Vice-Província Extra Patriam.
Um bom programa para a reestruturação em vista
do futuro não deve descurar essa diversidade.
As (V) Províncias da Região da América do Norte têm
empreendido uma vultosa reestruturação nos últimos
anos: reestruturação de (V) Províncias, de institutos
de formação e de ministérios. Essa reestruturação
tem sido uma resposta à redução muito dramática
do número de confrades disponíveis, mas tem
sido também – felix
culpa – ocasião de novas iniciativas na
pastoral e de cooperação muito eficaz, por exemplo,
na formação.
Grandes esforços têm sido direcionados para a reestruturação
no interior das Províncias ou na criação de
uma união de Províncias. Isto solicitou grandes
energias, e inevitavelmente muito esforço teve
de ser dedicado aos novos acordos internos.
1. Propomos que as (V) Províncias da Região organizem
um Simpósio sobre ‘A missão redentorista na
América do Norte contemporânea: em busca de
uma visão compartilhada’.
Tendo em mente – entre muitas considerações:
·
a diversidade da ‘Região’
·
a sensibilidade redentorista
para com os que estão fora da Igreja deve ser
uma consideração central, e a aplicabilidade
a novos movimentos de evangelização.
·
O desafio de pregar o Evangelho em culturas secularizadas e consumistas.
Reconhecemos o perigo de esse simpósio vir a ser simplesmente um fácil
“bate-papo”, sem realismo, e que será preciso
considerável engenhosidade para evitar esse
perigo, e reconhecemos que isto vai exigir um
cabedal de energia que nem sempre é fácil reunir.
Não obstante, apesar das possíveis armadilhas,
apresentamos isto para a consideração de Vocês,
crendo que pode ser um risco necessário.
2. A reestruturação em vista do futuro deve ser um apoio à diversidade
na Região, como também um apoio à cooperação
de todos em nível regional.
Poderia acontecer que, em alguns casos – para alguns
grupos de (V) Províncias – cooperar no modelo
sugerido de ‘federação’ seja vantajoso?
Isto seria concomitante, sem impedir os benefícios
da cooperação em nível regional, (como ‘Conferência’
regional), que tem sido bem desenvolvida na
Região nos últimos anos.
3.
A América do Norte é um importante centro do movimento migratório, e muitos
dos imigrantes são católicos.
Propomos
a criação de uma Comissão norte-americana para
incrementar a missão redentorista aos imigrantes
em toda a América do Norte.
É provável que isto exija que se trabalhe em parceria
com (V) Províncias de outras Regiões e é óbvio
que esta missão deve ser assumida em colaboração
com cooperadores leigos, e em colaboração com
outras Congregações religiosas. Há também alianças
a serem feitas com o ministério redentorista
para os migrantes em outras Regiões.
Uma parte do trabalho desse ministério é a promoção
de vocações entre as populações imigradas.
4.
As Províncias na América do Norte têm uma longa tradição de oferecer apoio
ao desenvolvimento de outras Províncias, especialmente
aquelas mais necessitadas. Um modo de continuar
essa tradição pode ser considerar o trabalho
em sintonia com outras Províncias em determinados
projetos.
Na
seção sobre a África há a proposta de que as
Províncias com responsabilidade em projetos
nesta Região – ou Províncias que desejem expressar
solicitude e apoio à Região – trabalhem juntas
formando aliança ou rede. A rede seria um instrumento
para o desenvolvimento, apoio e solicitude pela
missão redentorista na África, e uma forma de
aprendizado recíproco e de mútuo enriquecimento.
5.
Propomos que seja apoiada a decisão de estabelecer uma nova comunidade internacional
empenhada na pastoral do Santuário de Santana
de Beaupré.
6.
Os confrades da Vice-Província Extra Patriam atendem a necessidades pastorais
distintas, mas há perigos de isolamento. Propomos que a liderança da Vice-Província Extra Patriam convide confrades
de outras (V) Províncias da Região para visitar
e para aprender mais do seu ministério e da
sua realidade. Alguma aliança de mútuo benefício
deve ser estudada.
América Latina e Caribe
Cerca de um terço dos confrades da Congregação vivem
nesta Região. Seu desenvolvimento é particularmente
significativo, e suas estruturas para uma missão
eficaz são extremamente importantes.
A Região da América Latina e Caribe não trabalha
muito na base de reuniões regionais. É no nível
das três Sub-Regiões que existe um esforço efetivo
para se organizarem juntos em vista da formação
e da missão além das fronteiras (v) provinciais.
Essas sub-Regiões são: a União dos Redentoristas
do Brasil, (URB), a Sub-Região norte da América
Latina e Caribe, e a União dos Redentoristas
do sul da América Latina, (URSAL). Nessas Sub-Regiões
acontece uma efetiva colaboração, na formação
inicial, na formação permanente dos confrades
e na capacidade de responder a necessidades
emergentes na missão.
Contudo, há também muito que precisa ser feito. Em
cada Sub-Região existem Unidades que são muito
fracas e Unidades que acham difícil trabalhar
juntas (por diferença de mentalidade ou de contextos).
Existem também dificuldades em tomar e em implementar
decisões em vista de uma missão eficaz, em nível
regional e sub-regional.
A reestruturação em vista do futuro deve levar em
conta esses desafios.
1.
Para facilitar uma melhor tomada e implementação de decisões, sugerimos
que, em nível sub-regional, se considere o modelo
de Conferência.
Em
nível regional propomos que os Coordenadores
das Sub-Regiões (ou Conferências) formem uma
Comissão permanente encarregada do desenvolvimento
da solidariedade nas iniciativas missionárias
redentoristas, na formação e nas finanças.
Entre as tarefas da Comissão
enumeramos:
(1)
o discernimento de novas propostas para a missão,
(2)
o incremento da solidariedade além dos limites provinciais,
(3)
a abertura para alianças em vista da missão em outros países em favor dos
mais pobres,
(4)
e as questões referentes à reestruturação propostas para a Região.
2.
Há exemplos de (V) Províncias que já desenvolveram estruturas de parceria,
um pouco na linha do modelo proposto de Federação.
Sugerimos que isto seja ulteriormente desenvolvido
e usado mais amplamente, e de modo especial
em apoio às (V) Províncias com frágeis recursos.
3.
Propomos que cada Sub-Região (ou Conferência) elabore uma ‘Ratio’ comum
para a formação inicial na Sub-Região.
O objetivo é ajudar a desenvolver uma compreensão
comum da identidade redentorista, que será compartilhada
por todos os confrades mais jovens na Região,
facilitando assim uma colaboração maior além
dos limites das (V) Províncias – como a nossa
missão vai exigir sempre mais nos anos vindouros.
4.
A sadia continuação das tradições
intelectuais da Congregação em todo o mundo
não estarão asseguradas sem uma séria contribuição
de confrades desta Região.
Propomos que as (V) Províncias dessa Região dêem prioridade ao treinamento
de candidatos competentes para levar adiante
nossas tradições intelectuais e teológicas.
África
Introdução
O continente da África está hoje lutando para definir
seu lugar no seio da comunidade internacional.
De modo semelhante, o resto do mundo está se
perguntando sobre o papel e a identidade da
África no esquema global das realidades.
Uma discussão paralela parece estar acontecendo dentro
da Igreja em geral e da Congregação em particular.
Como Redentoristas somos sensíveis diante da
fragilidade de nossas novas fundações e das
outras, que não são tão novas, neste vasto continente,
que se caracteriza por sua extrema pobreza,
guerra, migrações e doenças (das quais a mais
óbvia e séria é a aids). Apoiamos a coragem
e a perseverança de nossos confrades que continuam
a proclamar a Copiosa Redenção superando todo
obstáculo.
Como Comissão para a reestruturação oferecemos as
seguintes propostas para a Região África, conscientes
de que em alguns aspectos a ênfase é sobre a
estruturação inicial mais que sobre reestruturação.
Não pensamos numa ‘Conferência’ para a África
neste estágio.
Propostas
1.
Propomos a criação de uma rede internacional de todas as Unidades já comprometidas
com a missão da Congregação na África e de outras
que possam querer assumir no futuro um compromisso
nesse continente.
Recomendamos uma reunião regular desse organismo,
com o objetivo de aprender sobre os desafios
à missão na África, estudando questões de mútuo
interesse e política, partilhando recursos financeiros
através da criação de um Fundo para a África,
e sendo um instrumento para o estabelecimento
de várias estruturas e iniciativas, algumas
das quais são explicadas mais detalhadamente
a seguir.
2.
Ao lado da rede para a África haveria a criação de uma Comissão Permanente
para a África.
Um início disto já foi feito com o estabelecimento
de um núcleo de quatro confrades: o Conselheiro
Geral para a Região, o membro da Comissão para
a Reestruturação representante da África e os
coordenadores de língua inglesa e franco-portuguesa.
Ele seria acrescido de mais três membros nomeados
pela rede acima mencionada.
A função da Comissão Permanente será facilitar as
reuniões do organismo da rede, para criar e
supervisionar o secretariado recomendado na
proposta seguinte e supervisionar a administração
do “Fundo para a África”, em colaboração com
o Governo Geral e com o Secretariado Geral para
as Finanças.
3.
Propomos a criação de um Secretariado
intra-africano para a inculturação, a missiologia
e a espiritualidade.
O Secretariado ficaria sob os auspícios do organismo
acima descrito. Seria motivado pelas perguntas:
Que significa ser Redentorista na África hoje?
De que maneiras o Evangelho se torna encarnado
na realidade deste continente multicultural?
Embora o Secretariado possa requerer componentes
separados de língua francesa, portuguesa e inglesa,
encorajamos um esforço combinado o quanto possível.
Fiéis à mente da Igreja universal no documento
do seu Sínodo, Ecclesia
in Africa, um enfoque redentorista sobre
a inculturação, a missiologia e a espiritualidade
reuniria o melhor de nossa reflexão teológica,
de nossa vida apostólica e de nossa colaboração
para a formação na África. Ao mesmo tempo recomendamos
reuniões regulares com o instituto redentorista
semelhante da Ásia sobre o diálogo inter-religioso.
Encorajamos a colaboração com outros institutos
religiosos da África.
4.
As estruturas atualmente existentes na África para a colaboração na formação
inicial precisam ser consolidadas. Encorajamos
a abertura aos potenciais recursos que o Secretariado
para a inculturação será capaz de oferecer no
devido tempo. O mesmo se aplica à formação permanente,
como a preparação em comum para os votos perpétuos.
Não
obstante as dificuldades e a diversidade, propomos
uma ratio formationis comum para toda
a África e uma política comum para as vocações,
a ser elaborada pelos vários Secretariados de
formação em colaboração com o Secretariado africano
para inculturação, missiologia e espiritualidade.
5. Propomos uma política geral e termos
de referência para financiar a formação inicial
dentro da Região da África, a ser traçada pelo
Secretariado Geral das Finanças junto com as
respectivas Unidades.
A iniciativa já tomada pelo Secretariado das Finanças
a este respeito, junto com o encorajamento de
apoio financeiro da Congregação como um todo
para a formação inicial na África, deve ser
bem acolhida.
6. Pensamos que tudo o que foi falado acima deverá resultar numa nova fundação num país da África onde a Congregação
ainda não está presente.
Propomos que essa nova fundação
seja internacional, e responda a uma necessidade
pastoral urgente na fidelidade ao carisma e
à missão da Congregação. Que ela combine a explícita
proclamação da Palavra com projetos sociais
ou de desenvolvimento, em colaboração com parceiros
leigos na missão.
Conclusão
De muitas maneiras esta discussão fica aberta, no
sentido que convida Vocês a levar adiante o
debate. O que apresentamos à sua consideração
é simplesmente ‘o andamento do trabalho’. Não
é um documento final. A próxima redação de um
documento sobre a Reestruturação somente será
elaborada após as reuniões regionais da metade
do sexênio, depois que tiver havido oportunidade
de dialogar e debater o que apresentamos até
aqui.
Crucial para o processo, por conseguinte, é que nós
recebamos respostas a essa atual redação. Para
este fim, damos a lista de nossos e-mails. Embora
sejam bem-vindas quaisquer contribuições, na
prática esperamos que a maioria das respostas
venham das reuniões regionais, às quais os membros
da Comissão para a reestruturação estarão presentes.
Uma questão não tratada nesse documento, mas que faz parte de nosso mandato,
é a que se refere à composição do Capítulo Geral.
Ela vai ser estudada em nossas futuras reuniões,
especialmente à luz da reação de Vocês a este
debate sobre os princípios orientadores, os
modelos para a reestruturação e nossas propostas
para as Regiões.
Os Membros da Comissão
Juan
Lasso de la Vega (Europa-Sul) [jmlasso@terra.es]
Con
Casey (Europa-Norte)
[provlig@eircom.net]
Brendan
Kelly (Ásia-Oceania)
[bjkcssrcb@yahoo.com.ph]
Ulysses
da Silva (América Latina e Caribe) [peulysses@yahoo.com.br]
Guy
Pilote (América do Norte)
[gpilote@cssr.net]
Larry Kaufmann (África)
[larrykaufmann@telkomsa.net]