Documentos e Comunicações

  

 

Roma, 25 de fevereiro de 2006
Prot. N° 0000 132/04


Aos Membros da
Congregação do Santíssimo Redentor


Meus Caros Confrades,

Tenho a satisfação de apresentar-lhes um relatório da Comissão para a Reestruturação, intitulado “Um trabalho em andamento”. Vocês vão perceber que este documento é o fruto de uma ampla consulta e de um trabalho criativo. Sem dúvida alguma, os membros da Comissão trabalharam intensamente! Vê-se claramente também que o seu texto não contém afirmações rígidas, mas antes, sugestões valiosas para incentivar o diálogo entre todos os Redentoristas.

Vocês se lembram de que o último Capítulo Geral pediu que a Comissão para a Reestruturação preparasse um relatório atualizado antes das seis reuniões regionais da metade do sexênio (Orientações 11.3). Um rascunho desse relatório foi apresentado ao Conselho Geral em dezembro de 2005 durante uma reunião na qual tomaram parte todos os membros da Comissão. Depois disto, a Comissão trabalhou com afinco para elaborar o relatório em tempo para a primeira das reuniões regionais, que aconteceu em janeiro. As outras cinco reuniões regionais estão agendadas para o segundo semestre de 2006, de modo que os confrades têm muito tempo à disposição para estudar este documento e apresentar sugestões a seu respectivo superior maior.

O Capítulo Geral idealizou o processo de reestruturação como o resultado de uma reflexão e de um diálogo em larga escala entre os Redentoristas. Para este fim, peço aos superiores maiores que providenciem uma cópia deste relatório para cada membro da sua Unidade. O documento deve ser estudado pelas comunidades locais e um resumo de suas impressões e sugestões seja levado para as reuniões regionais. Quanto às comunidades da América do Norte, embora a sua reunião regional já tenha passado, ainda têm a oportunidade de refletir sobre as recomendações deste documento, enviando depois suas idéias ao Pe. Guy Pilote, membro da Comissão para esta região.

Em nome do Conselho Geral, agradeço aos membros da Comissão para a Reestruturação o árduo trabalho que produziu este documento e encorajo-os a dar prosseguimento ao seu precioso serviço à nossa missão. Conto também com a boa vontade de todos os Redentoristas para estudarem estas propostas e ajudar-nos a discernir a vontade de Deus para a nossa Congregação.

Fraternalmente,

Joseph W. Tobin, C.Ss.R.
Superior Geral


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Comissão para a Reestruturação

‘Um trabalho em andamento’
Algumas Propostas

Dezembro de 2005

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Prefácio

‘Dar a vida pela Copiosa Redenção’, o tema adotado pelo Capítulo Geral de 2003, pretende reafirmar nossa identidade e fazer um renovado apelo à nossa vocação. Pretende repropor o princípio orientador que modela a vida para nós como Redentoristas. Temos de dar testemunho da Copiosa Redenção pelo nosso estilo de vida, nossas palavras e nosso dinamismo apostólico.

No mesmo espírito, o Capítulo Geral decidiu também que estava na hora de considerarmos seriamente uma revisão de nossas maneiras de nos organizarmos para nossa missão. Isto passou a ser identificado e mencionado como a necessidade de considerar a ‘reestruturação’ na Congregação.

No momento existem 37 Províncias, 24 Vice-Províncias, 16 regiões e 9 missões. Elas estão também organizadas em Regiões da Congregação: Ásia-Oceania, África, América (América do Norte e América Latina) e Europa (Norte e Sul).

A pergunta-chave é esta: estes são os modos mais eficazes de nos mobilizarmos para a missão hoje?

Deve-se notar que várias outras Congregações também estão se fazendo atualmente esta pergunta a respeito de sua organização.

Estas estruturas desenvolveram-se historicamente na maioria das vezes (embora nem sempre) como resposta direta às necessidades do povo em diversas culturas, línguas diferentes, experiências pastorais variadas. ‘Na maioria das vezes como resposta às necessidades do povo’ – mas nem sempre – porque às vezes foram questões internas e pressões dos Redentoristas que geraram as estruturas que agora temos.

Essas estruturas, uma vez constituídas, são com freqüência difíceis de mudar, mesmo quando as necessidades pastorais do povo – sua razão de ser – foi dramaticamente alterada. Manter e tentar trabalhar dentro de uma estrutura ultrapassada pode ser um sério obstáculo à efetiva mobilização para a missão.

Por esta razão o Capítulo Geral ordenou uma revisão geral. Ele pediu que o Conselho Geral estabelecesse uma Comissão para a Reestruturação, a qual deve apresentar propostas ao próximo Capítulo Geral de 2009.

A Comissão, neste documento, apresenta propostas iniciais a todos os confrades da Congregação. Elas foram discutidas com o Conselho Geral e modificadas à luz dessa discussão.

São agora publicadas para uma discussão mais ampla por todos os confrades, pelas (V) Províncias, [1] e pelas seis reuniões regionais que haverá em 2006.

A discussão mais ampla é crucial.

Afinal de contas, há uma razão primordial para a reestruturação. E a razão é esta: para podermos continuar nossa tradição. A nossa tradição é alguma coisa, e a nossa tradição é missão. Quando dizemos que ‘a nossa tradição é missão’ não queremos dizer que isto implique que todos nós estamos atuando, com saúde e prontos para ir à luta. Muitos dos nossos estão doente, muitos dos nossos são fracos ou frágeis sob um ou outro aspecto. Mas é ainda verdade que para todos nós, sem exceção alguma, ‘dar a vida pela Copiosa Redenção’ é o verdadeiro cerne do sentido de nossa vida. Expressamos de diversas maneiras este sentido central e em diferentes fases da vida. É este o cerne da questão – para nós todos.

Se acreditamos em nós mesmos, então devemos continuar e devemos desenvolver nossa tradição. Não nos basta dizer que nós Redentoristas fomos aqueles que no passado fizeram sacrifícios para pregar o Evangelho da salvação aos pobres e aos abandonados que não estavam sendo atendidos. Temos de dizer que hoje os Redentoristas são aqueles que estão fazendo sacrifícios para pregar o Evangelho da salvação aos mais necessitados, aos que não são atendidos por mais ninguém. As propostas para reestruturar em vista da missão efetiva sem dúvida vão representar sacrifício. É por isto que precisamos de uma ampla discussão, de modo que possamos chegar às melhores propostas para a efetiva missão em nossa tradição: porque vai acarretar sacrifício e decisões difíceis.

“Sendo sua obrigação sempre procurar novas iniciativas apostólicas sob a direção da legítima autoridade, (os Redentoristas) não podem instalar-se em condições ou estruturas nas quais sua atuação já não seria missionária. Como pioneiros, descubram com perspicácia novos caminhos para pregar o Evangelho de modo novo” (Constituição 15).

Este documento tem três seções.

A primeira seção apresenta cinco princípios gerais. Perguntamos a Vocês: São realmente esses os princípios gerais? Poderiam ser expressos de um modo melhor? Estão omitidos princípios importantes?

A segunda seção trata dos modelos e de outras implicações da reestruturação. Perguntamos: Esses modelos são úteis? Existem outros? Que dizer da configuração geral que parece estar emergindo?

A terceira seção refere-se à Congregação em cada uma das seis Regiões geográficas atuais. Oferece propostas ou sugestões. A Vocês que as lêem pedimos que considerem primeiramente as áreas da sua própria experiência: existem outras, talvez melhores, propostas e sugestões? Mas pedimos que considerem também as outras Regiões – a configuração geral da Congregação é do interesse de todos.

A sua resposta vai influenciar o desenvolvimento destas propostas.

A reação dos confrades é crucial para nós enquanto elaboramos a apresentação de propostas a serem estudadas no Capítulo Geral de 2009.

Não se deve esquecer que é possível, mediante aprovação do Conselho Geral, começar a implementar já agora algumas delas na forma de experiência.

Pode-se distinguir entre ‘projetar a mudança’, de um lado, e ‘gerir a mudança, do outro lado. As propostas para a ‘reestruturação’ estão na área do projetar a mudança: todos estão convidados a este debate. Esta é a finalidade deste documento.

É importante que este documento seja lido junto com a Communicanda 1 – Chamados a dar a vida pela Copiosa Redenção, que expressa mais plenamente a motivação e a espiritualidade subjacentes a todo este esforço da Congregação atualmente.

Confrades, o futuro da vida Redentorista será o que quisermos que ele seja. Não ficamos apenas esperando o futuro: as nossas decisões ajudam a criá-lo.

A esperança naturalmente implica assumir riscos. Sem esperança dificilmente se arrisca; prefere-se trilhar o caminho conhecido, ainda que esteja equivocado. Por outro lado, a esperança nos dá um espírito criativo e lutador, tornando-nos capazes de romper com nosso conformismo e dando-nos coragem para mudar.

Juan Lasso de la Vega, C.Ss.R. (Europa-Sul)  
Con J. Casey, C.Ss.R. (Europa-Norte)
Brendan J. Kelly, C.Ss.R.
(Ásia-Oceânia)
José Ulysses da Silva, C.Ss.R. (AméricaLatina/Caribe)
Guy Pilote, C.Ss.R.
(América do Norte)
Larry Kaufmann, C.Ss.R. (África)



Seção I
Cinco Princípios Orientadores

1.     O nosso mundo de hoje é um mundo em rápida mudança. É neste mundo que buscamos melhores estruturas para exercer nossa missão, que é a de pregar o Evangelho aos pobres, anunciar a plenitude da Redenção, estar ao lado dos abandonados. É este o motivo fundamental e é o primeiro princípio orientador na reestruturação da Congregação.

I.      A reestruturação é em vista da missão.

2.     A reestruturação em vista da missão requer uma nova mentalidade, do contrário não será coisa alguma. Nossa identidade redentorista fundamental precisa ser despertada de novo pelo mundo humano em rápida mudança no qual vivemos. Quem somos nós? Somos aqueles que, reunidos sobre o fundamento da fé em Jesus Cristo, são consagrados no carisma redentorista, de maneiras mais profundas que qualquer compromisso nosso com a cultura, a nacionalidade, a tribo ou a família.

II.     A reestruturação em vista da missão deve provocar e estimular um novo despertar de nossa identidade, uma conversão de nossas mentalidades na linha da nossa vocação, uma nova disponibilidade – do contrário não chegará a lugar nenhum.

3.     No começo, a Congregação consistia numa só Unidade organizada para a missão. Houve em seguida uma época em que a Congregação tinha, essencialmente, duas Unidades de organização – a obra de São Clemente Hofbauer nos países transalpinos e a Congregação na ‘terra natal’ de Nápoles e Roma. Em 1841 a Congregação começou uma nova organização para a missão. Repartiu-se em diversas Províncias, primeiro na Europa e depois em todo o mundo. Essas diversas Províncias foram de novo reorganizadas – sem perderem sua identidade – na metade da década de 1970, em seis Regiões geográficas: Ásia-Oceania, África, América do Norte, América Latina, Europa Sul e Europa Norte e Leste. É justo dizer que a Congregação não teria sobrevivido até hoje sem essas reorganizações históricas.

Hoje as Regiões da Congregação estão constituídas sobre base geográfica. Nessas entidades geográficas o mundo de hoje ainda encontra algum senso de pertença. Mas até certo ponto significativo a movimentação das pessoas hoje também transcende e ultrapassa tais limites.

III.    A reestruturação em vista da missão deve seguir as pessoas; deve ser igualmente uma reestruturação dentro de nossas Regiões, e não menos, uma reestruturação além de nossos limites regionais, seguindo as migrações demográficas.

4.     Nesta situação, é importante que o Governo Geral tenha poderes para dispor e concentrar recursos de finanças e de confrades – e, onde possível, de cooperadores leigos – quando se requerem novas iniciativas. Precisamos encontrar novos modos de equilibrar a localização de criatividade e de recursos com uma devida centralização de recursos quando exigida por novas iniciativas ou situações urgentes.

IV.    É muito importante uma nova capacidade de concentrar recursos para a missão, para reestruturar recursos para a missão.

Em alguns casos, serão Províncias reunidas para uma nova iniciativa urgente que serão o agente desta nova concentração de recursos. Em outras situações será o Governo Geral, que tem uma responsabilidade global na missão da Congregação, que tem a capacidade de convocar e dispor os recursos conforme a necessidade.

V.    Uma parte vital de nossa missão, tanto no passado como nos tempos atuais, é uma reflexão teológica enraizada na experiência pastoral: uma nova distribuição de nossos recursos neste particular é uma parte crucial do desafio para a reestruturação em vista da missão hoje.

5.     Algumas sugestões muito modestas são oferecidas a seguir entre nossas propostas para as Regiões da Ásia-Oceania e África.

A fragilidade da Congregação é fácil de se reconhecer atualmente, - enquanto é a fragilidade de boa parte da vida consagrada organizada na Igreja. Certamente será difícil para nós lidar bem com esses tempos sem enfrentarmos, do melhor modo possível, os novos desafios que o novo mundo dos homens nos apresenta.

Não existem soluções mágicas. Além do mais, não podemos enfrentar esses desafios sem abertura para o trabalho conjunto com os leigos e com outras Congregações religiosas. Mas parece correto que devemos começar, e começar com coragem. Para tanto, oferecemos as propostas que seguem, Região por Região.

Seção II
Reestruturação:
Alguns aspectos e implicações

A.    Modelos de Reestruturação

Nesta seção apresentamos vários modelos de estruturas para Vocês considerarem e comentarem. Como modelos eles servem simplesmente à finalidade de fornecer uma ferramenta operacional ou conceitual para nos ajudar a montar estruturas apropriadas para a nossa missão. A vantagem dos modelos é que são capazes de evocar uma resposta imaginativa, possibilitando-nos fazer a conexão entre carisma, espiritualidade e missão, de um lado, e a correspondente organização estrutural, do outro. Colocados nesta seção do documento, estes modelos oferecem uma ponte entre os princípios orientadores da seção anterior, e as propostas da seção seguinte referentes às Regiões. É importante, pois, estudá-los neste contexto.

Os cinco modelos que apresentamos são tirados da experiência passada e presente, mas podem também sugerir um novo modo de imaginar nossa vida de Redentoristas neste século XXI. Não se privilegia modelo algum acima de outro. De fato, queremos ouvir as sugestões de Vocês sobre outros modelos possíveis. Então, será mais útil vê-los entrelaçados uns com os outros num processo aberto e crescente, desde o conceito de uma ‘fusão’ de duas unidades (Modelo 1) até uma ampla rede de Unidades que transcende até mesmo os limites regionais (Modelo 5).

As estruturas devem servir à missão. A reestruturação visa renovar a missão. Somos portanto chamados a encontrar sempre novos modos de trabalhar juntos apoiando-nos mutuamente no apostolado, na formação e nas finanças. Os cinco modelos que seguem são apresentados como uma abordagem possível na nossa tarefa comum de projetar a mudança.

1.  Fusão de Unidades

Aqui, duas ou mais Províncias se unem e se tornam uma Província. Exemplos das décadas recentes são: a Província de Denver (união de St. Louis e Oakland); a Província Edmonton-Toronto (união de Edmonton e Toronto); Burkina-Níger (união de duas Vice-Províncias); Bolívia (união de La Paz, Reyes e Tupiza).

Será útil e instrutivo fazer um estudo dessa evolução, analisando questões como: O que motivou a mudança? Resultou uma mobilização mais efetiva para a missão? Surgiu um contexto melhor para os confrades jovens na sua vida e missão?

2.  União de Unidades mantendo a identidade regional

Na recém-formada Província São Clemente, quatro Províncias se uniram, conservando cada uma delas sua identidade como uma região na Província, com estruturas apropriadas.

É cedo demais para julgar a eficácia desse modelo. Contudo, seria instrutivo um relato da história até hoje, pois se trata de uma experiência inovadora e corajosa.

3.  Federação de Unidades

Este pode ser considerado um modelo relativamente novo, embora alguns começos têm sido feitos. Exemplos desses começos são duas Unidades no nordeste brasileiro (Fortaleza e Recife), quatro Unidades no sudeste asiático (Ipoh, Cebu, Manila, Bancoc), as duas Vice-Províncias no Paraguai, e Viena-Munique. Mais uma vez, o objetivo primordial ao adotar esse modelo (como os outros) é servir à missão mediante a geração de novos recursos, não simplesmente reter os antigos.

No modelo da federação as (V) Províncias se associam de um modo relativamente estável, mas com uma organização mais livre que lhes permite a possibilidade de conservar sua identidade enquanto cooperam numa federação e superam o isolamento prejudicial. Isto lhes tem permitido assumir riscos e começar novas iniciativas na missão.

Há três elementos-chaves neste modelo:

(1)       Nas Unidades federadas os confrades passam a conhecer bastante bem a realidade uns dos outros. Ao mesmo tempo há uma fertilização recíproca de idéias, solidariedade e sinergia no apoio e no encorajamento mútuos, e emergem meios práticos de cooperação.

(2)       Há modos estruturais e permanentes de aprofundar a clarificação dos objetivos da missão, mantendo como prioridade as necessidades pastorais do povo.

(3)       Existe um mínimo de estrutura adequado para decisões: talvez um ‘Presidente’ nomeado ou uma Comissão Permanente da Federação e uma reunião anual à maneira de um Capítulo com poderes para tomar decisões.

As sugestões de Vocês sobre esse modelo são muito bem-vindas, particularmente sobre o modo de fortalecer as estruturas decisórias. Além disso, quais são as implicações desse modelo com respeito à multiplicidade de línguas e à pluralidade de Igrejas (conforme se descreve na Constituição 1)?

4.  Conferências

Oferecemos aqui para a consideração de Vocês um novo modelo, surgido de nossas deliberações como Comissão. Este modelo nasceu de nossas reflexões sobre as seis grandes Regiões. Como dissemos no Prefácio, as Regiões são uma estrutura relativamente nova na Congregação (cerca dos anos 1970) e de fato não são contempladas em nossas Constituições. Nós nos pusemos esta pergunta: as Regiões estão funcionando em vista da missão? Se é este o caso, ou se nós continuamos a optar pela estrutura regional mais ampla, qual aspecto disto daria maior suporte à missão da Congregação?

Em resposta a essas perguntas sugerimos o conceito eclesial de ‘Conferência’ que seria uma associação de Unidades numa Região ou Sub-Região (ou, numa sugestão proposta para a Europa inteira, em duas Regiões), com poderes mais amplos de decisão e de implementação do que existem atualmente nas Regiões, e que seriam motivados por uma resposta a problemas e desafios pastorais mais amplos, tais como, por exemplo, a secularização ou a migração. Então, poderíamos falar de uma Conferência dos Redentoristas do Brasil, uma Conferência dos Redentoristas de toda a Europa, etc.

Simplificando, a principal diferença entre uma Região atual e uma Conferência consiste no poder de tomar e de implementar decisões. Isto pode também ter implicações para a composição do Capítulo Geral e para o Governo Geral.

Sendo relativamente novos este modelo e o seguinte, e porque até certo ponto suplantam as Regiões, gostaríamos de ouvir a opinião, a reação e as sugestões de Vocês para uma ulterior consideração.

5.  Rede de Unidades

Aqui considera-se uma rede ou ‘aliança’ internacional de todas as Unidades já engajadas na missão numa determinada área da Congregação, ou daquelas com um interesse nessa área.

Ao falarmos de ‘determinada área’ referimo-nos a duas possibilidades: (1) Uma determinada área geográfica, como por exemplo o continente da África; (2) uma área de necessidade pastoral que apresenta desafios específicos, tais como a evangelização num mundo secularizado.

O primeiro exemplo será examinado mais detalhadamente neste documento quando apresentarmos as propostas para a África:

Propomos a criação de uma rede internacional de todas as Unidades já engajadas na missão da Congregação na África e de outras que no futuro possam querer assumir um compromisso nesse continente.

Haveria uma reunião periódica desse organismo internacional, com o objetivo de estudar os desafios à missão nesta área, para debater questões de mútuo relacionamento e política, partilhar recursos financeiros e vir a ser um instrumento para o estabelecimento de várias iniciativas e estruturas. Isto se aplicaria tanto a uma rede para uma área geográfica como a uma rede para um desafio pastoral particular.

Cremos que essa composição ‘em rede’ seria mais eficaz e mais expressiva de solidariedade do que ter Unidades trabalhando em paralelo como foi o caso no passado.

A resposta de Vocês aos modelos

De novo, fazemos um apelo para que em suas reuniões de comunidade, de Unidade e de Região, Vocês discutam esses modelos e exprimam sua reação sobre se ou como eles podem ser mais eficazes para continuar a missão da Congregação.

B.    O Governo Geral

Na reorganização de um modo mais eficaz para a missão, precisamos reconhecer a autoridade atribuída ao Governo Geral conforme as nossas Constituições. Assim, em assuntos como a nossa resposta às novas urgências pastorais, novas formas de missões, ou novos modelos para estruturar nossa missão, afirmamos e aceitamos a iniciativa própria do Governo Geral. Isto é crucial. Somos uma Congregação internacional que vive numa época que nos leva a todos para uma realidade globalizada. A solidariedade internacional na missão é vital à medida que adentramos o século XXI, e o Governo Geral tem um ministério e uma missão particulares a este respeito.

Ao dizer isto, não queremos restringir a iniciativa e a responsabilidade pela missão no seio das Unidades e entre elas. Cremos que esse documento aborda isto de modo adequado. Não obstante, um aspecto vital da reestruturação será prestar atenção à função e à autoridade do Governo Geral.

C.    Comunidades Internacionais e Intercongregacionais

Onde a missão o exigir, devemos estar preparados para formar comunidades internacionais, tendo em mente os vários modelos acima propostos. O conceito de comunidades internacionais continua a inspirar a imaginação de muitos confrades, mas precisa ser examinado mais atentamente, dando atenção a questões como uma adequada preparação antecedente, linhas de autoridade, responsabilidade e partilha de recursos.

Qual é o seu parecer e quais são as suas sugestões com relação a comunidades internacionais?

Ligado a isto, mas repetimos, tendo como motivação primeira a urgência da missão e do ministério, há o conceito e a experiência de comunidades intercongregacionais que precisa ser analisado ulteriormente. Temos também de dar cuidadosa atenção à cooperação com os leigos e aos modos como essa realidade pode refletir-se em nossa vida comunitária apostólica no futuro.

Seção III
As Regiões

Introdução

Nesta seção oferecemos propostas para cada Região. Pedimos a Vocês que as analisem e nos dêem o retorno. Gostaríamos de receber também sugestões para outras propostas que possam ajudar a nossa reestruturação em vista de maior eficácia na missão. Pode ser melhor começar com as propostas para a sua própria Região, mas convidamos Vocês a refletir também sobre as propostas apresentadas para as outras Regiões.

Europa-norte e Europa-sul

Na Europa, as Províncias da Congregação estão organizadas atualmente em duas Regiões: Europa-Norte e Europa-Sul. A Comissão vai falar sobre essas duas Regiões juntas: isto é significativo. Pensamos que as (V) Províncias dessas Regiões deverão encontrar novas maneiras de trabalhar juntas, através das Regiões – eventualmente, talvez, emergindo como uma só Região.

Propostas

1.  Considerando globalmente a Europa, o maior desafio para a Congregação é levar os confrades, de uma fragmentação, isolamento e luta pela sobrevivência, a um senso partilhado da missão.

Precisamos ter em mente que a Congregação corre o perigo de deixar de existir em grandes partes da Europa.

Devemos também recordar que para muitas pessoas no coração da Europa, existe uma verdadeira pobreza: religiosa, cultural e econômica.

Propomos que as (V) Províncias da Europa (ambas as Regiões conjuntamente) procurem identificar estratégias para uma contribuição redentorista à ‘nova evangelização da Europa’ preconizada pela Direção da nossa Igreja e pedimos que as reuniões regionais de 2006 na Europa-Norte e Europa-Sul estabeleçam uma Comissão para organizar um Simpósio sobre o tema ‘Uma contribuição redentorista para a nova evangelização da Europa’.

Sugerimos que este simpósio se realize em 2007.

Tendo em mente – entre muitas considerações:

-    as possibilidades que os santuários e os lugares de peregrinação oferecem aos Redentoristas neste particular;

-    as amplas faixas de pobreza religiosa, cultural e econômica no próprio coração da Europa (em lugares como, por exemplo, certas zonas da Alemanha oriental e da República Tcheca): a sensibilidade particular redentorista para com os mais abandonados está no centro da reflexão).

Reconhecemos a dificuldade de organizar esse simpósio. Há o perigo de ele ser apenas um fácil ‘bate-papo’ sem realismo. Será preciso considerável engenhosidade para evitar este perigo. Não obstante, apesar das possíveis armadilhas, cremos que é um risco necessário.

2.     Propomos o desenvolvimento de uma missão redentorista nova e coerente para a população imigrante através da Europa, (especialmente os imigrantes católicos).

É óbvio que essa missão teria que ser assumida em colaboração com cooperadores leigos e em colaboração com outras Congregações religiosas. É óbvio também que essa missão coerente através da Europa vai exigir que as (V) Províncias encontrem novos modos de trabalhar juntas. Isto vai exigir a cooperação com Províncias de outras Regiões.

3.     Propomos que as (V) Províncias da Europa formem uma rede internacional, dedicada à pastoral da juventude.

4.  Propomos que as duas Regiões continuem como estão, por enquanto.

A razão é que a estrutura de duas Regiões está produzindo algum fruto agora. Na Europa-Sul ajuda a primeira formação e, até certo ponto, a formação permanente. Na Europa-Norte cria laços úteis entre as (V) Províncias que estavam separadas umas das outras até há pouco tempo.

Contudo, existem outras funções importantes e outras importantes necessidades organizacionais, que não são bem atendidas pela atual estrutura de duas Regiões. Faz falta uma visão nova e coerente para a missão redentorista na Europa. Pensamos que as (V) Províncias destas Regiões terão de encontrar novos modos de trabalhar juntas, além dos limites regionais - eventualmente, talvez, emergindo como uma só Região. Pedimos a opinião de Vocês a este respeito.

Ásia-Oceania

Os confrades da Região da Ásia-Oceania trabalham numa área de grande diversidade cultural, numa vasta extensão geográfica e entre imensas populações humanas. A Comissão reconhece que é variada e complexa a realidade da Ásia-Oceania. Essa complexidade apresenta certos desafios e dificuldades quando se trata de reorganizar ou reestruturar. Poucos anos atrás, para facilitar maior comunicação e interação, a Região foi dividida em quatro (4) Sub-Regiões. Essas Sub-Regiões têm tido um certo êxito em possibilitar maior colaboração entre as Unidades da Congregação dentro da Região. Todavia, a Comissão acredita firmemente que a reorganização dentro dessa Região ficaria mais facilitada se as Unidades da Região trabalhassem juntas, em vez de constituírem Sub-Regiões. É nossa opinião que isto resultaria num sentido mais claro de nossa missão como Redentoristas na Ásia-Oceania hoje, como também evitaria o perigo de alguma Unidade da Congregação sentir-se isolada ou sem apoio. Essa reorganização também facilitaria uma colaboração e solidariedade maior no seio da Região, partilha de idéias e de estratégias para a evangelização, e permitiria à Região olhar além de suas fronteiras.

A Comissão propõe o seguinte:

1.     Que a atual Região da Ásia-Oceania seja reconstituída numa Conferência dos Redentoristas da Ásia-Oceania. Todas as Unidades da atual Região tornar-se-ão parte da Conferência; seus Superiores maiores se reunirão anualmente para monitorar, refletir, discutir e tomar decisões a respeito da vida apostólica redentorista dentro da Conferência. O governo interno e a autoridade decisória da Conferência precisam de ulterior reflexão e discussão. Pedimos o parecer de Vocês sobre isto.

1.1           Há necessidades específicas dentro da Conferência que precisam ser consideradas, por exemplo a formação inicial, novas iniciativas pastorais, finanças e a possibilidade de responder a pedidos de novas fundações em países onde ainda não estamos presentes. A Comissão propõe que dentro da Conferência seja estabelecida uma “Federação” entre determinadas Unidades para responder mais eficazmente a essas necessidades. Um exemplo dessa Federação é o atual acordo entre Cebu, Manila, Bancoc, Ipoh e Canberra referente à formação inicial, e entre Ipoh, Indonésia e Cebu com relação à missão em Bornéu. Mais uma vez, é necessária uma ulterior reflexão sobre a autoridade decisória de tais Federações. Da mesma forma, queremos o parecer de Vocês sobre esta questão.

1.2           Existem desafios específicos para a pregação do Evangelho em alguns países da Região, cujas culturas são bastante secularizadas e consumistas, tais como Austrália, Japão e Nova Zelândia. A Comissão propõe que seja estabelecida uma “rede” na qual os confrades dessas Unidades possam encontrar-se e interagir com confrades de outras Regiões que vivem e trabalham em situações semelhantes, por exemplo, os da África do Sul, de Londres, de Dublin e da Região da América do Norte. Uma rede semelhante poderia ser estabelecida, por exemplo, para examinar a questão de como responder melhor às necessidades pastorais dos povos indígenas.

2.     Em consonância com o Princípio Orientador #5 acima (pg. 6), a Comissão pede que a reunião regional de julho de 2006 estabeleça uma Comissão para organizar um Simpósio sobre “A Missão Redentorista na Ásia-Oceania no século XXI”, para ajudar as Unidades da Região a discernir como responder melhor às necessidades pastorais do povo dessa Região e delinear estratégias que facilitem essa resposta, sempre tendo em mente o mandato de pregar o Evangelho aos pobres e aos mais abandonados.

2.1           O simpósio também vai dar o reconhecimento e a importância devidos aos Santuários de Baclaran e de Cingapura, com vistas à tomada de decisões concretas sobre como fortalecer e renovar nossa presença e nosso compromisso com esse aspecto importante da nossa tradição e esses dois lugares de missão na Ásia-Oceania. Espera-se que eventualmente haverá uma Comissão estabelecida ao nível de Congregação para facilitar o incremento de nossos Santuários em âmbito mundial.

Reconhecemos a dificuldade de organizar esse simpósio. Há o perigo de ele vir a ser simplesmente um fácil “bate-papo”, sem realismo. Será preciso considerável engenhosidade para evitar esses perigos. Não obstante, apesar das possíveis armadilhas, cremos que é um risco necessário.

3.     A reflexão teológica sobre a experiência pastoral na “crista da onda” é um componente vital em nossa herança alfonsiana. Na Ásia-Oceania os confrades são constantemente confrontados com a pobreza desumanizadora, o fundamentalismo religioso, o nacionalismo militante, a negação dos direitos humanos e a destruição do meio-ambiente. Na Ásia-Oceania, também, o diálogo do Cristianismo com outras religiões é uma preocupação central.

Propomos que seja fundado na Ásia-Oceania um centro de reflexão teológica sobre questões que são cruciais para a missiologia hoje, em particular o diálogo com a cultura, as religiões e os pobres. Este centro, embora situado na Ásia-Oceania, deverá ser considerado um projeto de toda a Congregação e um recurso para toda ela. Isto deve ser levado em conta na alocação de recursos e de pessoal.

América do Norte

O que nós, na Congregação, chamamos de Região da América do Norte, tem uma diversidade e uma complexidade que não se deve perder de vista. Ela compreende, por exemplo, (V) Províncias nos EUA e no Canadá. A Província de Yorkton expressa a realidade de uma Igreja distinta. Existem comunidades de confrades brasileiros e poloneses a serviço de diversas necessidades e também confrades da Vice-Província Extra Patriam. Um bom programa para a reestruturação em vista do futuro não deve descurar essa diversidade.

As (V) Províncias da Região da América do Norte têm empreendido uma vultosa reestruturação nos últimos anos: reestruturação de (V) Províncias, de institutos de formação e de ministérios. Essa reestruturação tem sido uma resposta à redução muito dramática do número de confrades disponíveis, mas tem sido também – felix culpa – ocasião de novas iniciativas na pastoral e de cooperação muito eficaz, por exemplo, na formação.

Grandes esforços têm sido direcionados para a reestruturação no interior das Províncias ou na criação de uma união de Províncias. Isto solicitou grandes energias, e inevitavelmente muito esforço teve de ser dedicado aos novos acordos internos.

1.  Propomos que as (V) Províncias da Região organizem um Simpósio sobre ‘A missão redentorista na América do Norte contemporânea: em busca de uma visão compartilhada’.

Tendo em mente – entre muitas considerações:

·       a diversidade da ‘Região’

·       a sensibilidade redentorista para com os que estão fora da Igreja deve ser uma consideração central, e a aplicabilidade a novos movimentos de evangelização.

·       O desafio de pregar o Evangelho em culturas secularizadas e consumistas.

Reconhecemos o perigo de esse simpósio vir a ser simplesmente um fácil “bate-papo”, sem realismo, e que será preciso considerável engenhosidade para evitar esse perigo, e reconhecemos que isto vai exigir um cabedal de energia que nem sempre é fácil reunir. Não obstante, apesar das possíveis armadilhas, apresentamos isto para a consideração de Vocês, crendo que pode ser um risco necessário.

2.  A reestruturação em vista do futuro deve ser um apoio à diversidade na Região, como também um apoio à cooperação de todos em nível regional.

Poderia acontecer que, em alguns casos – para alguns grupos de (V) Províncias – cooperar no modelo sugerido de ‘federação’ seja vantajoso?

Isto seria concomitante, sem impedir os benefícios da cooperação em nível regional, (como ‘Conferência’ regional), que tem sido bem desenvolvida na Região nos últimos anos.

3.     A América do Norte é um importante centro do movimento migratório, e muitos dos imigrantes são católicos.

Propomos a criação de uma Comissão norte-americana para incrementar a missão redentorista aos imigrantes em toda a América do Norte.

É provável que isto exija que se trabalhe em parceria com (V) Províncias de outras Regiões e é óbvio que esta missão deve ser assumida em colaboração com cooperadores leigos, e em colaboração com outras Congregações religiosas. Há também alianças a serem feitas com o ministério redentorista para os migrantes em outras Regiões.

Uma parte do trabalho desse ministério é a promoção de vocações entre as populações imigradas.

4.     As Províncias na América do Norte têm uma longa tradição de oferecer apoio ao desenvolvimento de outras Províncias, especialmente aquelas mais necessitadas. Um modo de continuar essa tradição pode ser considerar o trabalho em sintonia com outras Províncias em determinados projetos.

Na seção sobre a África há a proposta de que as Províncias com responsabilidade em projetos nesta Região – ou Províncias que desejem expressar solicitude e apoio à Região – trabalhem juntas formando aliança ou rede. A rede seria um instrumento para o desenvolvimento, apoio e solicitude pela missão redentorista na África, e uma forma de aprendizado recíproco e de mútuo enriquecimento.

5.     Propomos que seja apoiada a decisão de estabelecer uma nova comunidade internacional empenhada na pastoral do Santuário de Santana de Beaupré.

6.     Os confrades da Vice-Província Extra Patriam atendem a necessidades pastorais distintas, mas há perigos de isolamento. Propomos que a liderança da Vice-Província Extra Patriam convide confrades de outras (V) Províncias da Região para visitar e para aprender mais do seu ministério e da sua realidade. Alguma aliança de mútuo benefício deve ser estudada.

América Latina e Caribe

Cerca de um terço dos confrades da Congregação vivem nesta Região. Seu desenvolvimento é particularmente significativo, e suas estruturas para uma missão eficaz são extremamente importantes.

A Região da América Latina e Caribe não trabalha muito na base de reuniões regionais. É no nível das três Sub-Regiões que existe um esforço efetivo para se organizarem juntos em vista da formação e da missão além das fronteiras (v) provinciais. Essas sub-Regiões são: a União dos Redentoristas do Brasil, (URB), a Sub-Região norte da América Latina e Caribe, e a União dos Redentoristas do sul da América Latina, (URSAL). Nessas Sub-Regiões acontece uma efetiva colaboração, na formação inicial, na formação permanente dos confrades e na capacidade de responder a necessidades emergentes na missão.

Contudo, há também muito que precisa ser feito. Em cada Sub-Região existem Unidades que são muito fracas e Unidades que acham difícil trabalhar juntas (por diferença de mentalidade ou de contextos). Existem também dificuldades em tomar e em implementar decisões em vista de uma missão eficaz, em nível regional e sub-regional.

A reestruturação em vista do futuro deve levar em conta esses desafios.

1.     Para facilitar uma melhor tomada e implementação de decisões, sugerimos que, em nível sub-regional, se considere o modelo de Conferência.

Em nível regional propomos que os Coordenadores das Sub-Regiões (ou Conferências) formem uma Comissão permanente encarregada do desenvolvimento da solidariedade nas iniciativas missionárias redentoristas, na formação e nas finanças.

Entre as tarefas da Comissão enumeramos:

(1)       o discernimento de novas propostas para a missão,

(2)       o incremento da solidariedade além dos limites provinciais,

(3)       a abertura para alianças em vista da missão em outros países em favor dos mais pobres,

(4)       e as questões referentes à reestruturação propostas para a Região.

2.     Há exemplos de (V) Províncias que já desenvolveram estruturas de parceria, um pouco na linha do modelo proposto de Federação. Sugerimos que isto seja ulteriormente desenvolvido e usado mais amplamente, e de modo especial em apoio às (V) Províncias com frágeis recursos.

3.     Propomos que cada Sub-Região (ou Conferência) elabore uma ‘Ratio’ comum para a formação inicial na Sub-Região.

O objetivo é ajudar a desenvolver uma compreensão comum da identidade redentorista, que será compartilhada por todos os confrades mais jovens na Região, facilitando assim uma colaboração maior além dos limites das (V) Províncias – como a nossa missão vai exigir sempre mais nos anos vindouros.

4.     A sadia continuação das tradições intelectuais da Congregação em todo o mundo não estarão asseguradas sem uma séria contribuição de confrades desta Região.

Propomos que as (V) Províncias dessa Região dêem prioridade ao treinamento de candidatos competentes para levar adiante nossas tradições intelectuais e teológicas.

África

Introdução

O continente da África está hoje lutando para definir seu lugar no seio da comunidade internacional. De modo semelhante, o resto do mundo está se perguntando sobre o papel e a identidade da África no esquema global das realidades.

Uma discussão paralela parece estar acontecendo dentro da Igreja em geral e da Congregação em particular. Como Redentoristas somos sensíveis diante da fragilidade de nossas novas fundações e das outras, que não são tão novas, neste vasto continente, que se caracteriza por sua extrema pobreza, guerra, migrações e doenças (das quais a mais óbvia e séria é a aids). Apoiamos a coragem e a perseverança de nossos confrades que continuam a proclamar a Copiosa Redenção superando todo obstáculo.

Como Comissão para a reestruturação oferecemos as seguintes propostas para a Região África, conscientes de que em alguns aspectos a ênfase é sobre a estruturação inicial mais que sobre reestruturação. Não pensamos numa ‘Conferência’ para a África neste estágio.

Propostas

1.     Propomos a criação de uma rede internacional de todas as Unidades já comprometidas com a missão da Congregação na África e de outras que possam querer assumir no futuro um compromisso nesse continente.

Recomendamos uma reunião regular desse organismo, com o objetivo de aprender sobre os desafios à missão na África, estudando questões de mútuo interesse e política, partilhando recursos financeiros através da criação de um Fundo para a África, e sendo um instrumento para o estabelecimento de várias estruturas e iniciativas, algumas das quais são explicadas mais detalhadamente a seguir.

2.     Ao lado da rede para a África haveria a criação de uma Comissão Permanente para a África.

Um início disto já foi feito com o estabelecimento de um núcleo de quatro confrades: o Conselheiro Geral para a Região, o membro da Comissão para a Reestruturação representante da África e os coordenadores de língua inglesa e franco-portuguesa. Ele seria acrescido de mais três membros nomeados pela rede acima mencionada.

A função da Comissão Permanente será facilitar as reuniões do organismo da rede, para criar e supervisionar o secretariado recomendado na proposta seguinte e supervisionar a administração do “Fundo para a África”, em colaboração com o Governo Geral e com o Secretariado Geral para as Finanças.

3.     Propomos a criação de um Secretariado intra-africano para a inculturação, a missiologia e a espiritualidade.

O Secretariado ficaria sob os auspícios do organismo acima descrito. Seria motivado pelas perguntas: Que significa ser Redentorista na África hoje? De que maneiras o Evangelho se torna encarnado na realidade deste continente multicultural?

Embora o Secretariado possa requerer componentes separados de língua francesa, portuguesa e inglesa, encorajamos um esforço combinado o quanto possível. Fiéis à mente da Igreja universal no documento do seu Sínodo, Ecclesia in Africa, um enfoque redentorista sobre a inculturação, a missiologia e a espiritualidade reuniria o melhor de nossa reflexão teológica, de nossa vida apostólica e de nossa colaboração para a formação na África. Ao mesmo tempo recomendamos reuniões regulares com o instituto redentorista semelhante da Ásia sobre o diálogo inter-religioso. Encorajamos a colaboração com outros institutos religiosos da África.

4.     As estruturas atualmente existentes na África para a colaboração na formação inicial precisam ser consolidadas. Encorajamos a abertura aos potenciais recursos que o Secretariado para a inculturação será capaz de oferecer no devido tempo. O mesmo se aplica à formação permanente, como a preparação em comum para os votos perpétuos.

Não obstante as dificuldades e a diversidade, propomos uma ratio formationis comum para toda a África e uma política comum para as vocações, a ser elaborada pelos vários Secretariados de formação em colaboração com o Secretariado africano para inculturação, missiologia e espiritualidade.

5.  Propomos uma política geral e termos de referência para financiar a formação inicial dentro da Região da África, a ser traçada pelo Secretariado Geral das Finanças junto com as respectivas Unidades.

A iniciativa já tomada pelo Secretariado das Finanças a este respeito, junto com o encorajamento de apoio financeiro da Congregação como um todo para a formação inicial na África, deve ser bem acolhida.

6.  Pensamos que tudo o que foi falado acima deverá resultar numa nova fundação num país da África onde a Congregação ainda não está presente.

Propomos que essa nova fundação seja internacional, e responda a uma necessidade pastoral urgente na fidelidade ao carisma e à missão da Congregação. Que ela combine a explícita proclamação da Palavra com projetos sociais ou de desenvolvimento, em colaboração com parceiros leigos na missão.

Conclusão

De muitas maneiras esta discussão fica aberta, no sentido que convida Vocês a levar adiante o debate. O que apresentamos à sua consideração é simplesmente ‘o andamento do trabalho’. Não é um documento final. A próxima redação de um documento sobre a Reestruturação somente será elaborada após as reuniões regionais da metade do sexênio, depois que tiver havido oportunidade de dialogar e debater o que apresentamos até aqui.

Crucial para o processo, por conseguinte, é que nós recebamos respostas a essa atual redação. Para este fim, damos a lista de nossos e-mails. Embora sejam bem-vindas quaisquer contribuições, na prática esperamos que a maioria das respostas venham das reuniões regionais, às quais os membros da Comissão para a reestruturação estarão presentes.

Uma questão não tratada nesse documento, mas que faz parte de nosso mandato, é a que se refere à composição do Capítulo Geral. Ela vai ser estudada em nossas futuras reuniões, especialmente à luz da reação de Vocês a este debate sobre os princípios orientadores, os modelos para a reestruturação e nossas propostas para as Regiões.

Os Membros da Comissão

Juan Lasso de la Vega (Europa-Sul) [jmlasso@terra.es]

Con Casey (Europa-Norte)
[provlig@eircom.net]

Brendan Kelly (Ásia-Oceania)
[bjkcssrcb@yahoo.com.ph]

Ulysses da Silva (América Latina e Caribe) [peulysses@yahoo.com.br]

Guy Pilote (América do Norte)
[gpilote@cssr.net]

Larry Kaufmann (África)
[larrykaufmann@telkomsa.net]


[1] Com o termo ‘(V) Províncias’ queremos designar e incluir todas as diferentes Unidades da Congregação: Províncias, Vice-Províncias, regiões e missões.