Communicanda
2
Roma, 14 de janeiro de 1994
Prot.
N. 0007/94
A UNIDADE NA DIVERSIDADE
Caros confrades,
1. Mais
de dois anos se passaram desde o XXIo
Capítulo Geral. Durante esse tempo, o Conselho
Geral uniu-se à Congregação para refletir
sobre as conclusões desse tempo de graças.
Junto com todos vocês, tentamos aplicar o
conteúdo do Documento Final, em nosso
serviço à Congregação, tanto aqui em Roma
como por ocasião de nossa presença em nossas
(Vice-) Províncias e Regiões.
2. Já lhes
apresentamos nossas primeiras reflexões sobre
o Tema proposto para este sexênio.
[1]
Em nossas visitas, ouvimos
as experiências das diversas unidades da Congregação.
Em nossa própria comunidade de Roma, continuamos
a estudar as implicações do Tema em nossa
vida de cada dia. Cremos que é o momento de,
mais uma vez, partilhar com vocês nossas reflexões.
3. Constatamos
que, nas últimas décadas, cresceu o reconhecimento
da. grande diversidade na vida de nossa Congregação.
A descentralização de nosso governo, o impulso
à cooperação regional, a liberdade deixada
às unidades locais de adaptar seus métodos
apostólicos e seu estilo de vida comunitária
às exigências culturais de seu povo: tudo
isso contribuiu para enraizar mais a Congregação
na Igreja local e na sociedade civil.
4. O princípio
de inculturação recebeu forte apoio do último
Capítulo Geral (Documento Final
[2]
13–21) e da
primeira Communicanda do atual Governo
Geral (3,1–3.9). Cremos que a inculturação
é uma resposta adequada aos sinais dos tempos
e um desafio parada criatividade do missionário
redentorista de hoje.
5. No entanto,
perguntamo-nos se não chegou o tempo de refletir
sobre o que deve unir os Redentoristas, para
além dos diversos ambientes culturais ou dos
diferentes métodos apostólicos. A questão
da unidade da Congregação nos foi, de fato,
colocada pelo último Capítulo Geral: "Pedimos
ao Governo Geral que busque a convergência
unificadora do dinamismo evangelizador, respeitando
o legítimo pluralismo cultural nos métodos
pastorais" (DF, 14).
6. Como
resposta a esse desafio, queremos reconhecer
a diversidade dos Redentoristas e, ao mesmo
tempo, promover o que é essencial para nossa
vida apostólica e trabalhar sem cessar para
salvaguardar a unidade da Congregação (Estatuto
Geral
[3]
0120). Sem uma idéia clara
daquilo que nos une, corremos o risco de,
inconscientemente, transformar-nos numa vaga
federação de unidades autônomas e de mosteiros
independentes, sacrificando assim o poderoso
testemunho de uma congregação religiosa espalhada
por todo o mundo, que encontra sua unidade
no meio de sua diversidade.
7. Começamos
esta reflexão com uma consideração sobre o
pluralismo na Congregação e mostrando como
ele é aceito e assumido; expomos também alguns
desafios difíceis que ele nos coloca. Propomo-nos,
em seguida, apresentar-lhes o que consideramos
ser a base de nossa animação da Congregação:
os elementos dessa "convergência unificadora
do dinamismo evangelizador". Pedimo-lhes
que considerem seriamente esses elementos,
porque constituem a mensagem que queremos
fazer chegar a todas as unidades da Congregação.
Cremos que podem ajudar a clarificar mais
a identidade de todos os redentoristas de
hoje.
I. O pluralismo
na Congregação
8. Não há
nenhuma dúvida de que a Congregação se estende
por uma tal amplidão geográfica, que abrange
muitas e mui variadas culturas (DF, 14). Praticamente
cada mês, as edições de Communicationes
e de Informationes refletem o vasto
leque de situações eclesiais, econômicas,
sociais e políticas nas quais os Redentoristas
se encontram. Os Capítulos Gerais e outros
encontros internacionais nos lembram as partes
tão diferentes do mundo nas quais os Redentoristas
vivem e trabalham.
9. A pluralidade
das culturas que encontramos na Congregação
pode também estar presente num mesmo país
(DF, 14) ou até numa mesma Província. Na mesma
região, a taxa de natalidade diminui em alguns
grupos de população, enquanto que em outros
cresce dramaticamente. A migração dos povos
e o fluxo dos refugiados podem repentinamente
mudar a face de uma mesma unidade da Congregação.
Os confrades de uma mesma Província se encontram,
muitas vezes, exercendo ministério em meios
culturais totalmente diferentes.
10. Nas duas
últimas décadas, os esforços para formular
as prioridades pastorais refletiram o pluralismo
existente na Congregação. Reconhecemos a diversidade
e a pluralidade de situações humanas e eclesiais
nas diversas regiões (DF, 3). E' claro que
situações muito diferentes exigem de nossa
parte respostas diferentes e criativas. Em
seu informe ao último Capítulo Geral, o Superior
Geral julgou que um são pluralismo nas "urgências"
pastorais era um motivo de esperança para
a vida apostólica da Congregação.
[4]
11. Além disso,
se no passado existia significativa uniformidade
no estilo de vida das comunidades Redentoristas
em todo o mundo, hoje isso não acontece mais.
A ordem do dia, o modo de se vestir, as formas
de oração comunitária e outros sinais semelhantes
de uma identidade comum dos Redentoristas
hoje variam grandemente de uma região para
outra.
Pluralismo aceito
12. E' evidente
que nossas Constituições e nossos Estatutos
encorajam os Redentoristas a serem flexíveis
no cumprimento de sua missão. São as circunstâncias
em que nos encontramos que devem determinar
nossa resposta: "Procurarão assiduamente
discernir, conforme as circunstâncias, o que
fazer ou o que dizer" (Constituição
[5]
8). Reconhece-se o pluralismo
nas pessoas a serem evangelizadas (EG 010–015)
e também nas formas possíveis que a evangelização
pode tomar (EG 016–024), Não há dúvida de
que nosso direito próprio contempla uma variedade
de respostas missionárias às situações particulares,
como uma expressão válida, até mesmo necessária,
de nosso carisma redentorista.
13. A organização
de nossas comunidades locais deve refletir
a diversidade do mundo redentorista: "Essas
normas, as quais cada membro da comunidade
se sente obrigado a observar, devem ser tais
que, por sua natureza, possam ser adaptadas,
para o bem da obra missionária, às exigências
da Igreja, às circunstâncias de lugar e tempo,
ou à índole e à cultura peculiar de um povo"
(C 45; Cf. EG 041). Até mesmo a forma de viver
nossos votos leva em conta as diferenças culturais
(EG 044–047, 048a).
14. Os princípios
gerais do governo da Congregação desmantelaram
a estrutura vertical e excessivamente centralizada
do passado, na esperança de assegurar assim
"valor humano e apostólico às normas
consagradas nas Constituições e Estatutos"
(C 91). Os cinco princípios fundamentais de
co-responsabilidade, de descentralização,
de subsidiariedade, de solidariedade e de
flexibilidade (C 92–96) oferecem amplo espaço
para uma variedade de expressões do carisma
apostólico redentorista. Além disso, recomenda-se
ao Capítulo Geral que escolha o Conselho Geral
de modo que toda a Congregação seja, de alguma
forma, refletida no Governo Geral (EG 0124).
15. O pluralismo
na vida e na missão da Congregação foi afirmado
nas reuniões regionais que precederam os últimos
Capítulos Gerais. Uma Região apresentou como
um desenvolvimento positivo na vida comunitária
redentorista uma maior tolerância para com
as diferenças e uma maior aceitação do pluralismo
no estilo de vida.
[6]
Várias Regiões chamaram
a atenção para a importância de levar em conta
a particularidade de cada missão no modo em
que se organizam as experiências da formação
inicial.
[7]
16. Outra
Região vê o pluralismo na Congregação como
uma fonte potencial de enriquecimento:
Mas, além disso, temos de reconhecer entre nós diversas
maneiras de entender a missão, a Igreja, a
atividade dos leigos, a opção pelos pobres
etc. Isso quer dizer que evoluímos sob a influência
de diversas eclesiologias ou visões da Igreja.
Isso pode enriquecer-nos no ser e no agir.
[8]
17. O XXIo
Capítulo Geral, ao propor seu objetivo, afirmou
o valor do atual pluralismo existente na Congregação.
A tarefa principal do Capítulo é fomentar o bem de toda
a Congregação. Este Capítulo procura promover
o que é essencial para nossa vida apostólica,
reconhecendo ao mesmo tempo como algo positivo
a diversidade e a pluralidade das situações
humanas e eclesiais nas diferentes regiões
(DF, 3).
O interesse do Capítulo pelo princípio de inculturação
supõe a diversidade de situações em que a
Congregação atualmente se encontra e exige
respostas missionárias verdadeiramente sensíveis
às circunstâncias particulares (Cf. DF, 13–21).
18. Várias
das recomendações do Capítulo em duas áreas
de interesse particular – ministério com os
jovens e colaboração com os leigos – convidam
à sensibilidade às características da cultura
local (DF, 56b, 59d).
O Capítulo Geral sublinha a diversidade de formas de vida
comunitária dos Redentoristas: "A comunidade
redentorista assume muitas e variadas formas
de acordo com o pluralismo sócio-cultural
em que vive a Congregação" (DF, 29).
Ele recomenda também insistentemente à Congregação
que, em sua busca de novas formas de uma autêntica
espiritualidade redentorista, leve em conta
a realidade social e eclesial de cada unidade
(DF, 34c).
19. Nosso
primeiro estudo do Documento Final nos
levou a afirmar que:
Esta diversidade da Congregação através dos continentes,
que se exprime inclusive em ritos diferentes,
é boa e necessária. E' um sinal de que nós
nos integramos com os povos aos quais pertencemos.
E' o reflexo da catolicidade da Igreja, presente
nas diversas culturas. E' um apelo a cada
um para que abra sua mente e seu coração ao
Espírito presente em todos os continentes
(Communicanda l, 4.1).
20. Na Communicanda
1 (3.1–3.9) fizemos já uma ampla
avaliação da importância da inculturação para
nossa atividade apostólica, nossa vida comunitária
e nossa espiritualidade.
21. No entanto,
nossa positiva avaliação da diversidade para
a congregação não é simplesmente teórica.
Temos a experiência diária da riqueza e dos
desafios colocados pela tarefa de construir
uma comunidade apostólica, cujos membros provêm
de culturas diferentes, receberam formação
teológica totalmente diversa e viveram diferentes
experiências apostólicas. Nosso empenho permanente
de crescer juntos em nossa vocação redentorista
é, em si.mesmo, uma afirmação do pluralismo
na congregação.
O pluralismo apresenta sérios desafios
22. A diversidade
de situações e a pluralidade de respostas
na Congregação não são pura bênção. Foram
uma fonte de muitas preocupações para o Capítulo
Geral e o são também para o atual Conselho
Geral.
O Capítulo Geral assim analisa o problema:
O Capítulo Geral reconhece que existem problemas de compreensão
e de recíproca estima entre as Regiões, sobretudo
quando se discutem situações concretas de
cada uma delas. Para algumas Regiões, por
exemplo, é difícil compreender a motivação
e as conseqüências da opção pelos pobres,
enquanto que outras Regiões dificilmente compreendem
como se pode continuar a crer no Evangelho
num mundo secularizado. Por esse motivo, existe
uma tendência de julgar uma ou outra Região
sem conhecimento suficiente (DF, 9).
23. Partilhamos
a preocupação de nossos predecessores imediatos
no Conselho Geral, quando aludiam ao Tema
do sexênio precedente como possível elemento
de divisão entre as diversas Regiões da Congregação.
[9]
As reações diante do Tema
ameaçaram aumentar a divisão na Congregação
segundo linhas ideológicas.
24. Existe
outro tipo de pluralismo muito difundido na
Congregação que, na prática, é uma espécie
de dicotomia, que contrapõe atividade pastoral
e vida comunitária. O relatório do Superior
Geral ao último Capítulo Geral dizia:
Parece-me, às vezes, que alguns modelos de vida comunitária
nada dizem ao mundo de hoje. A vivência diária
de nossa consagração batismal como missão,
a aceitação de nossos votos religiosos como
caminho de consagração no contexto da sociedade
atual e o desenvolvimento da dimensão transcendental
de toda a nossa vida se apresentam ainda como
sérias lacunas... Esforçamo-nos muito
mais para
renovar nossas atividades que para renovar
nossa comunidade.
[10]
25. Notou-se
que o pluralismo numa mesma Região desafia
os esforços de colaboração:
É difícil organizar programas comuns que interessem às
diversas unidades por causa das grandes distâncias
na região e também por causa da diversidade
de línguas, de culturas e de atitudes dos
governos nacionais.
[11]
26. Compreende-se
que as tensões dentro da Igreja local ou nos
países da mesma região afetem a Congregação.
[12]
Mas a presença dessas,tensões
dentro das unidades da mesma Região pode ter
efeitos desastrosos:
Mas temos de reconhecer entre nós diferentes maneiras de
compreender a missão, a Igreja, a atividade
dos leigos, a opção pelos pobres etc.... No
entanto, não ter um consenso mínimo em nosso
modo de pensar nos leva a apostolados isolados
e paralelos, que destroem em vez de construir
o Reino de Deus.
[13]
27. O encontro
de diferentes culturas na mesma Região pode
provocar mal-entendidos:
Inevitavelmente, há alguns problemas que geraram incertezas
em nossa reunião, por exemplo, o que alguns
consideravam como uma influência negativa
do mundo ocidental sobre a vida religiosa
na Europa do Leste.
[14]
28. Enfim,
não é segredo para ninguém que para várias
Regiões foi difícil compreender e colocar
em prática o Tema geral do último sexênio.
Uma Região assim se exprime:
Uma falta de precisão no Tema do sexênio dá ocasião a diferentes
interpretações e um debate contínuo sobre
"quem são os pobres?" provoca algumas
dificuldades entre nós. Em parte, tivemos
dificuldade para compreender o Tema do sexênio
porque não vivemos muitas vezes entre os pobres.
[15]
29. Nossa
experiência da Congregação nos mostra que
a diversidade de situações, de atitudes e
de respostas, que cria tensões em âmbito regional,
se encontra também ordinariamente nas próprias
unidades e até no âmbito das comunidades locais.
Há na mesma Província verdadeiramente culturas
diferentes, ocasionadas pela diferença de
idade e de formação teológica, como também
por visões opostas da Igreja e da Congregação.
Existe sempre um contínuo debate sobre os
destinatários, assim como sobre as formas
apropriadas de nossa evangelização. Alguns
confrades exigem novas iniciativas apostólicas,
enquanto outros se aferram fortemente aos
compromissos atuais. Formulam-se expectativas
radicalmente diferentes para a vida comunitária,
para a oração comum, para o exercício da co-responsabilidade.
30. O desafio
apresentado pelo pluralismo em sua forma extrema
é o do individualismo. Por individualismo
não entendemos a alta estima em que deve ser
tido cada confrade e a preocupação que a comunidade
deve ter pelo crescimento em maturidade e
em responsabilidade de cada um de seus membros
(C 36). Referimo-nos, sim, à situação em que
se encontram várias unidades onde um significativo
número de confrades são praticamente autônomos,
cada um fazendo o que quer. As conseqüências
dessa atitude são verdadeiramente deletérias:
as prioridades pastorais de várias unidades
não são levadas à prática, as comunidades
locais transformam-se em casas de hospedagem;
nossa identidade como Redentoristas desaparece;
os jovens são incapazes de descobrir em nós
qualquer espécie de consenso .ou de objetivo
comum.
II. A unidade
da Congregação
31. Refletiu-se
muito sobre o pluralismo de nossa comunidade
apostólica Redentorista, como ela se "encarna"
nas diversas regiões do mundo, Perguntamo-nos
agora: Existem elementos comuns em nossa animação
da Congregação? Cremos que efetivamente existem.
Em primeiro lugar, constatamos que há características
que distinguem atualmente os Redentoristas
de todo o mundo. E' possível traçar uma espécie
de "retrato" informal dos Redentoristas,
colocando em relevo nosso peculiar modo de
entender o serviço, pastoral, as pessoas a
quem servimos, nossa vida comunitária e alguns
elementos de nossa espiritualidade.
Um retraio do Redentorista
32. A finalidade
de nossa Congregação é de "continuar
o exemplo de Jesus Cristo Salvador, pregando
aos pobres a Palavra de Deus" (C 1).
Pregar a Palavra de Deus foi a marca específica
dos Redentoristas desde o início e nós guardamos
ciosamente essa herança. Quer no contexto
das missões paroquiais, dos retiros e de outros
exercícios espirituais, ou na homilia na eucaristia
dominical, o zelo que colocamos nessa tarefa,
como também a simplicidade de nosso estilo
parecem distinguir os Redentoristas em todas
as partes do mundo. Ordinariamente procuramos
ser flexíveis na busca de métodos novos e
mais adequados para apresentar a revelação
de Deus.
33. Os Redentoristas
mostram uma preferência pelo povo simples,
especialmente por aqueles que tradicionalmente
chamamos "os pobres e os mais abandonados".
Continuamos querendo ir lá onde a Igreja institucional
não pode ou não ousa ir. Tentamos estar próximos
do povo e, geralmente, damos prova de grande
sensibilidade pelas suas formas populares
de exprimir a fé.
34. Damos
grande valor à vida comunitária. Mais do que
uma exigência de nossa legislação própria
(C 21), ela é tão fundamental para nossa própria
identidade, que mesmo quando nossa vida comunitária
deixa muito a desejar ou é praticamente inexistente,
ficamos perturbados pela falta de alguma coisa
que percebemos como absolutamente vital.
Estimamos muito o espírito de família em nossas comunidades,
amamos nossas celebrações, somos praticamente
infatigáveis em contar histórias que unem
uma comunidade particular com a grande família
dos confrades que nos precederam.
35. Os Redentoristas,
geralmente, evitam as formas esotéricas ou
misteriosas de espiritualidade, preferindo
métodos de oração pessoal e comunitária, que
são mais familiares ao povo que servimos.
Na busca para renovar nossa oração comum,
tentamos manter uma espiritualidade que tem
como centro Cristo Redentor, com um amor especial
à Bem-aventurada Virgem Maria.
36, Essas
são algumas características que nos são comuns
hoje como Redentoristas, independentemente
das circunstâncias em que vivemos e trabalhamos.
Pensamos que tais marcas distintivas do Redentorista,
que – cremos – fazem parte de nosso patrimônio,
desde as intuições fundacionais de santo Afonso,
estão em perigo de se obscurecer e, até, de
se perder, talvez irremediavelmente. Por causa
de alguns dos fatores citados nas primeira
seção desta Communicanda e por outras
razões ainda, cremos que aspectos vitais de
nossa identidade de Redentoristas estão ameaçados.
O tema do sexênio e a coerência
37. Pensamos
que essa mesma preocupação motivou os membros
do XXIo Capítulo Geral, quando
propuseram o tema para este sexênio. Optamos
por buscar a base para nossa inspiração e
para nossa animação da Congregação na interpretação
desse Tema:
De acordo com o tema do sexênio, quer o Capítulo, salientar, de um lado, a articulação entre a
obra da evangelização, a vida comunitária
e a espiritualidade redentorista própria da
Congregação, de outro lado, a necessidade
de encarnar essa tríplice dimensão de nossa
vida em formas históricas que expressem a
opção da Congregação pelos mais abandonados,
especialmente os pobres (DF, 12).
38. Cremos
que a palavra-chave para entender o Tema é
coerência Simplesmente, o Tema nos
ensina que há três elementos necessários de
nossa identidade como Redentoristas e que
deve existir entre eles una inter-relação
vital. Em outras palavras, a falta de um ou
mais desses elementos destrói nossa identidade
Redentorista: poder-se-á discutir se somos
bons sacerdotes ou bons religiosos, mas, certamente,
já não seremos fiéis à herança que recebemos.
Ao mesmo tempo que afirmamos que Deus chama
este Conselho Geral a promover uma clara coerência
entre os três elementos constitutivos de nossa
identidade Redentorista hoje, convidamos também
cada (Vice-) Província e cada comunidade local
a levar em conta a inter-relação necessária
da tríplice dimensão de nossa vida.
Nossa missão
39. O ponto
de partida de nossa animação é sempre a
missão Redentorista. Somos "chamados
a continuar a presença de Cristo e sua missão
de Redenção no mundo" (C 23). A fidelidade
a essa missão exige que se estabeleçam e se
coloquem em prática as prioridades apostólicas
em cada unidade, Numa determinada região,
devemos responder às necessidades pastorais
urgentes, que estejam de acordo com nosso
carisma, tal como se expressa em nossas Constituições
e Estatutos (Cf. especialmente C 3–5).
40. Daí se
segue que nem todo o compromisso apostólico,
por mais recomendável que seja em si mesmo,
pode ser aceito comer expressão válida de
nosso carisma missionário. Não se pode alargar
de tal modo a categoria dos "mais abandonados,
especialmente os pobres" que inclua qualquer
forma de serviço pastoral. Como Redentoristas,
não podemos evitar ter de fazer, freqüentemente,
opções dolorosas.
41. As prioridades
de cada unidade devem ser submetidas a revisões
e modificações. Isso exige de nós mobilidade
e flexibilidade (Cf. Mc 1,38–39), como também
espírito de desapego (distacco) de
nossos êxitos passados. Permanecer agarrados
a instituições ou a métodos pastorais que
não respondem mais às situações atuais enfraquece
seriamente nossa eficácia.
42. O dinamismo
missionário de nossa Congregação prevalece
sobre sua estrutura jurídica, incluindo a
atual organização de Províncias e Vice-Províncias.
De fato, novas iniciativas pastorais podem
ser possíveis, mesmo para Províncias envelhecidas
e sem grande número de vocações, com a condição
de que elas estejam abertas a processos de
colaboração e de reestruturação, a que faz
alusão o Documento Final (DF, 62).
Nossa vida comunitária
43. Não basta
atualizar nosso trabalho e torná-lo mais coerente
com nosso carisma. O último Capítulo Geral
lembra a todos os Redentoristas que nossa
vida comunitária e nossa espiritualidade não
são algo acrescentado a nossa atividade pastoral;
são, sim. junto com nosso particular dinamismo,
parte indispensável de nossa missão na Igreja.
Todas as comunidades devem se sentir chamadas a ser elas
mesmas uma proclamação explícita do Evangelho,
como também uma presença eficaz do Reino de
Deus no meio dos homens e das mulheres (DF,
23).
44. Embora
exista um forte desejo de melhorar as relações
humanas em nossas comunidades, não acreditamos
que esse seja o único critério de nossa vida
comunitária. Sabemos que a atividade pastoral
dos primeiros Redentoristas estava estreitamente
ligada ao testemunho de sua vida comunitária.
A pregação de Afonso e de seus companheiros
tinha credibilidade por causa da simplicidade,
da oração, da austeridade e da abertura das
primeiras comunidades Redentoristas. Havia
uma coerência visível entre sua atividade
pastoral e sua vida comunitária. Quando o
Documento Final fala de nossas comunidades
como de uma "presença eficaz do Reino
de Deus" e da "força de testemunho
da comunidade enquanto sinal da presença do
Reino" (DF, 23, 29), ele nos lembra a
relação vital que deve existir entre nossa
missão e nossa comunidade de vida.
Nossa espiritualidade
45. Apelando
para a coerência que inclui nossa própria
espiritualidade, o Capítulo nos põe em guarda
contra o perigo de uma espécie de dualismo
que nos conduziria a atitudes inaceitáveis
para os Redentoristas (DF, 35). Ele nos convida
a descobrir uma real consistência em nossas
vidas, que nada mais é que a integração coerente
de nossa fé e de nossa experiência pessoal
e comunitária. A pessoa do Cristo Redentor
une nossa espiritualidade com nossa missão
(DF, 36). Somos chamados a trabalhar com criatividade
para fazer de nossa espiritualidade "a
alma de nossas comunidades" (DF, 41).
Em resumo
46. Vemos
o pluralismo em nossa família religiosa internacional
como um "sinal dos tempos", absolutamente
necessário; ao mesmo tempo, ele se torna uma
fonte de preocupações. Pensamos que a busca
de um tipo de unidade que respeite as situações
humanas e eclesiais particulares dos Redentoristas
de hoje e, ao mesmo tempo, reforce em nós
a fidelidade a nosso patrimônio comum recebido
de santo Afonso, deve começar e terminar numa
autêntica coerência entre os elementos constitutivos
de nossa vocação: nossa missão própria,
nossa vida comunitária e nossa espiritualidade.
Na verdade, na medida em que as pessoas,
as comunidades locais e as (Vice-) Províncias
descobrirem essa coerência em si mesmas, poderemos
permanecer unidos como uma congregação religiosa
universal.
Conclusão
47. Os elementos
que optamos por destacar formam nossa resposta
aos "sinais dos tempos": o que vimos
e ouvimos em nossa Congregação, considerado
à luz da Palavra de Deus, de nossas Constituições
e Estatutos, do último Capítulo Geral e das
reflexões de nossos predecessores. Aceitamos
o pluralismo em nossas orientações apostólicas,
nas expressões de nossa vida comunitária e
nas formas de nossa espiritualidade. É a ação
do Espírito, fonte de todos os dons. Mas nós
nos sentimos também chamados a sublinhar o
que deve unir os confrades de todo o mundo,
os elementos dessa "convergência unificadora
do dinamismo evangelizador, respeitando o
legítimo pluralismo cultural nos métodos pastorais"
(DF, 14). Afirmamos que essa "convergência
unificadora" deve ser encontrada no Tema
do sexênio, especialmente em sua insistência
sobre uma autêntica coerência na vida do Redentorista
de hoje. Em nossa animação das (Vice-) Províncias.
queremos procurar junto com vocês essa coerência,
sinal manifesto de nossa fidelidade à vontade
de Deus para nossa Congregação.
Em nome do Conselho Geral,
Juan Manuel Lasso de
Ia Vega, C.Ss.R.
Superior
Geral
O texto oficial
desta Communicanda é a versão inglesa.