011. Os que de nenhum modo ouviram
o anúncio da Igreja
a)
A Congregação reconhece que a obra mais importante da caridade missionária e a primordial missão
da Igreja consiste na pregação
do Evangelho aos povos que ignoram a mensagem
de Cristo e sua misericórdia salvífica.
Nesse campo a Igreja sabe que lhe incumbe ainda executar
imensa tarefa missionária.
Nossa Congregação, já ocupada nessa primordial missão da
Igreja, tem o propósito de promovê-la
ainda mais.
Atendendo aos desejos da Igreja, cada uma das (Vice) Províncias
deve examinar a possibilidade de colaborar
com as Províncias que já atuam nas missões,
contribuindo com pessoal ou com bens,
ou mesmo se não há possibilidade de assumir
algumas novas Missões.
b)
Os confrades, que abraçaram esse apostolado,
seguem o Redentor de maneira sublime,
realizam a intenção do Santo Fundador,
que exortava ardentemente seus filhos,
que promovessem o verdadeiro “espírito
em favor dos infiéis” e os quis vinculados
pelo voto de “ir às Missões entre os infiéis”.
c)
A adaptação mais profunda de toda a vida
cristã depende de estreita cooperação
entre os povos chamados à fé e os missionários.
Por isso, ao entrarem em um novo território,
devem os confrades estar instruídos na
ciência missiológica.
Procurem conhecer bem a língua e a cultura,
a religião e os costumes do povo. Tenham
em grande consideração quanto houver de
bem e de verdade na tradição dos povos
e assumam isso organicamente na vida da
fé, para que se edifique uma igreja verdadeiramente
autóctone que seja, ao mesmo tempo, sinal
da Igreja universal.
Com o intuito de compartilhar as riquezas que distinguem
a tradição religiosa da Igreja, procurem
implantar também nossa Congregação para
que ela, nos locais onde trabalha, possa
bem servir ao povo, de acordo com a mentalidade
e a índole dele.
Os próprios missionários estrangeiros saibam que foram
chamados para ajudar o povo de tal modo
que, movidos pelo espírito de caridade
e de abnegação, quando chegar
o tempo, de boa vontade cedam o
lugar ao clero local.
d)
Para que haja maior cooperação, os Superiores
da Congregação firmem convênios com os
Ordinários locais, sobre os direitos e
as obrigações recíprocas. Pela mesma razão,
sejam discriminados os bens da Congregação
e os bens da diocese.
012. Os que não ouvem o anúncio
da Igreja como “evangelho”
São
os homens ou grupos “entre os quais a
Igreja já está presente”, mas que não
dão nenhum valor a Cristo ou se afastaram
da Igreja.
O ateísmo, que permeia largamente a vida
e as instituições em muitas regiões, deve
ser seriamente conhecido e avaliado pelos
nossos, inclusive em seus aspectos
positivos, a fim de promover a autêntica
fé cristã (cf. 014 b).
013. Os que sofrem as conseqüências
da divisão da Igreja
Os
confrades devem incentivar tudo o que
pode contribuir para a união dos que crêem
em Cristo. Isso vale para todos os Redentoristas,
que exercem sua missão nesta nossa sociedade
pluralista, mas de modo especial, para
os que exercem especificamente funções
ecumênicas.
Tal responsabilidade exige dos missionários
sincera abnegação, humildade, mansidão
no servir e uma fraterna abertura de espírito
para com os outros. Será, pois, na medida
em que procurarem levar uma vida mais
pura, segundo o Evangelho, que mais contribuirão
para a união dos cristãos.
014. Os fiéis que sempre devem
ser convertidos
a)
O múnus missionário da Congregação entre
os fiéis é sempre atual, já que a Igreja
deve continuamente pregar a fé e a penitência
aos que já crêem.
Além disso, é preciso suscitar no meio dos fiéis vocações
missionárias que continuem em toda a parte
a obra da Congregação.
b)
O estilo da missão entre os fiéis deve,
em nossos dias, visar principalmente a
conversão à fé, porque os fiéis estão
sujeitos a uma crise mais generalizada
de fé. O contexto social, marcado pelo pluralismo cultural, não pode
mais ser chamado cristão e não oferece
à fé estruturas externas de apoio.
No entanto, as novas condições que afetam a própria vida
religiosa levam a sua purificação e a
uma adesão mais consciente à fé.
c)
Os Redentoristas instruam os fiéis leigos
sobre sua vocação própria na Igreja para
que, levados pelo espírito evangélico,
cooperem para a santificação do mundo,
como que de dentro, como fermento.
Tornem mais intensa a atividade apostólica do povo de Deus,
já que o apostolado dos leigos tem uma
parte própria e absolutamente necessária
na missão da Igreja. A Igreja não vive
plenamente, nem é um sinal perfeito de
Cristo entre os homens, se lhe faltar
um laicato autêntico e atuante.
d)
Principalmente onde se dedicam ao ministério
paroquial, os nossos cuidem, com particular
desvelo, dos jovens, que exercem hoje
na sociedade importante papel, para que
os jovens sejam realmente homens novos
e construtores da nova humanidade. Despertem
e promovam neles o fervor missionário,
de modo que dentre eles surjam os futuros
arautos do Evangelho.
015. Serviço pastoral em favor
dos sacerdotes
Os
sacerdotes que se dedicam em geral à pastoral
ordinária são, por natureza, educadores
da fé.
São
conhecidas por todos as dificuldades encontradas
pelos presbíteros nas atuais circunstâncias
da vida. Os novos obstáculos para a fé,
a aparente esterilidade do trabalho realizado
e a dura solidão que experimentam podem
levá-los ao perigo de desanimar.
Por isso, os nossos missionários devem
acompanhar com especial atenção os presbíteros,
fortalecendo-lhes a fé e animando-lhes
a esperança no presente contexto pastoral,
através de contatos humanos e com todos
os meios a sua disposição.
Art. 2º — Algumas formas de trabalho
missionário (Const. 13-16)
016. Princípio geral
As formas de ministério, mencionadas
nos Estatutos que seguem, devem ser exercidas
com tenacidade e magnanimidade onde são
eficazes, adaptando-as sem esmorecimento
às necessidades pastorais.
017. As
Missões populares
a) A Igreja, que compreende em seu seio pecadores, ao mesmo tempo santa
e necessitada de constante purificação,
busca continuamente penitência e renovação.
A
história prova que, para esse fim, as
Missões foram um instrumento eficacíssimo.
Pois elas, como ministério pastoral extraordinário,
proclamam o anúncio da salvação e a conversão
(pregação querigmática),
sendo uma redenção continuada,
que o Filho de Deus realiza constantemente
no mundo, por meio de seus ministros.
b) Para confirmar as missões recomendam-se insistentemente as renovações
espirituais ou repetições, que constituem
uma característica peculiar da Congregação.
018. O Ministério paroquial
Os Redentoristas que se dedicam a esse
ministério devem desempenhar com toda
a diligência os deveres paroquiais, bem
conscientes de que quanto mais agirem
com espírito missionário, tanto mais realizarão
uma missão, por assim dizer, permanente.
019. A formação catequética
Em
sua atividade pastoral, qualquer que seja sua forma, promovam os Redentoristas na medida
do possível a formação catequética. Deve
esta visar que nos homens a fé, esclarecida
pela doutrina, se torne viva, explícita
e atuante.
Colaborem com os institutos catequéticos
fundados para esse fim.
020. Os exercícios espirituais
Os
Redentoristas preguem os exercícios espirituais,
em suas casas ou em outro lugar, a sacerdotes
e clérigos, a religiosos e leigos. Trabalhem
com dinamismo verdadeiramente eclesial
para que os homens penetrem mais profundamente
os mistérios da salvação e realmente se
tornem autênticos missionários.
Ensinem aos leigos principalmente sua missão na Igreja, para que assumam
a responsabilidade cristã para com os
irmãos (cf. 014 c-d).
021. O incentivo da justiça e
da promoção humana
Já
que a Igreja foi enviada para libertar
e salvar o homem todo e todos os homens
e transformar o mundo todo em Cristo,
o que se deve ter sempre em vista na evangelização,
os Redentoristas se esforcem por suscitar
obras que visem a
promoção humana e social, principalmente
nas regiões em via de desenvolvimento.
Façam-no
de diversas maneiras, segundo as condições
locais e as necessidades da evangelização,
colaborando estreitamente com os organismos
e as instituições criadas para esse fim.
Os Estatutos (vice) provinciais determinem
mais exatamente essa matéria, levando
em conta o carisma missionário da Congregação
na Igreja.
022. O apostolado através dos
meios de comunicação social
A
Congregação largamente aceita e emprega
em seu serviço pastoral os meios de comunicação
social, que muito contribuem para propagar
e consolidar o Reino de Deus,
quer se trate de publicações literárias,
populares ou científicas, quer de produção
artística, ou meios audiovisuais.
Estudem os Capítulos as questões relativas
ao emprego dos meios de comunicação social.
Os Governos (vice) provinciais abram caminho
para a devida formação de confrades idôneos.
023. O estudo da teologia moral
e pastoral
Segundo
os desejos da Igreja, consagrem-se os
Redentoristas ao estudo das ciências teológicas
e humanas, a fim de que se ofereçam ao
povo de Deus, na vida cotidiana, os meios
necessários à salvação. Em conformidade
com a história e a índole da Congregação,
dediquem-se os Redentoristas de modo especial
ao estudo da teologia moral e pastoral,
bem como da espiritualidade.
Para esse fim, foi fundada em Roma a
Academia Afonsiana,
a ser sustentada e promovida por toda
a Congregação. Seus objetivos condizem
intimamente com a finalidade da Congregação.
024. O aconselhamento espiritual
O
carisma de Conselheiro espiritual, que
tanto brilhou em Santo Afonso, e que foi
sempre tido em grande estima em nossa
tradição, parece ser de suma importância
em nossos tempos, nos quais o homem sem
cessar se interroga.
Tal ministério deve descobrir novas formas,
condizentes com a mentalidade dos homens
de nossa época, como são, por exemplo:
o aconselhamento (“counseling”), as respostas em periódicos etc. Onde tais formas
já existem, os nossos usem-nas, dando-lhes
sua contribuição específica.
Art. 3º — A adaptação dos métodos
apostólicos (Const. 17-19)
025. a)
Sob a inspiração e a orientação do Superior
(vice) provincial e com a colaboração
dos respectivos Secretariados, promovam-se
reuniões (vice) provinciais dos confrades
para tratar de matérias teológicas, pastorais
e semelhantes, bem como da adaptação dos
métodos apostólicos. Tais reuniões devem
ter certa periodicidade e estabilidade
(cf. Const. 126; Est. 0114, 0155).
b)
Para desenvolver o trabalho apostólico,
parece muito oportuno que os Governos
(vice) provinciais, juntamente com o Secretariado
de Vida Apostólica, constituam determinados
grupos de confrades para experimentar
novos trabalhos missionários. Tais experiências
sejam realizadas em colaboração com a
Igreja local (cf. Const. 36-38; Est. 045, 049).
CAPÍTULO II
A VIDA COMUNITÁRIA
(Const. 21-45)
Art. 1º — A importância da comunidade
026. Da
comunidade, de que fala a Const.
22, participam
também os que, embora excepcionalmente
vivendo sós por necessidade do ministério
e por mandato da comunidade, realizam
a obra comum.
027. Tanto
os Superiores como os próprios confrades
cuidarão que periodicamente se reúnam
os membros das diversas casas, a fim de
promover o espírito de fraterna colaboração.
Isso vale de modo especial em relação
aos confrades que, por mandato da própria
comunidade e a ela ligados pelo coração,
vivem e trabalham sozinhos.
Art. 2º — A comunidade de oração
028. a) Como o Mistério da Eucaristia expressa e edifica a comunidade, é de se
desejar vivamente sua concelebração ou
sua celebração comunitária.
Além
disso, valorizem muito o colóquio cotidiano
com Cristo Senhor na ação de graças após
a comunhão, na visita e no culto pessoal
à Santíssima Eucaristia.
b) Além disso “como o Ofício Divino é a voz da Igreja louvando publicamente
a Deus” (SC, 99), cuide-se que pelo menos
uma parte dele seja recitada em comum
(cf. Const.
30).
c) Os Estatutos (vice) provinciais determinem, em conformidade com a Const. 30, quantas vezes por dia
os confrades devem se reunir para rezar
em comum.
029. Mais
ou menos todos os meses por um dia e todos
os anos por oito dias dedicar-se-ão mais
intensamente ao colóquio interior com
Deus pelos exercícios espirituais.
Determinações mais precisas sejam dadas
pelos Estatutos (vice) provinciais.
Art. 3º — A comunidade fraterna
030. A
estrutura administrativa da comunidade
deve sempre servir ao espírito de comunhão
e de fraternidade, que necessariamente
tem a primazia na vida comunitária dos
Redentoristas.
Por isso deve ela
adaptar-se de tal modo, que favoreça a
conservação e o desenvolvimento desse
espírito. Tenha-se isso diante dos olhos,
principalmente nas comunidades numerosas.
031. Procurem
todos os confrades ser
sempre fiéis às inúmeras exigências da
caridade, que promovem a maturidade humana
e cristã, quais sejam: o respeito
e a ajuda mútua; a solicitude cheia de
discrição para com os confrades que se
acham em dificuldades e angústias; a disponibilidade
para receber e hospedar confrades de passagem;
o espírito de serviço fraterno; a participação
nos trabalhos domésticos e outras semelhantes.
032.
Dêem a máxima importância à chamada correção fraterna (cf.
Mt 18,15), pois ela promove e protege
a edificação da comunidade que se apóia
muito nas relações pessoais e na amizade
evangélica (cf. Const. 34).
033. Empenhem-se para que os confrades que se iniciam no ministério
da Congregação se integrem estreitamente
na vida e nos trabalhos da comunidade.
034. Os
confrades doentes ou idosos, oprimidos
às vezes pela solidão, devem encontrar
particular cuidado e ajuda, principalmente
ao se aproximar a
última hora.
Os próprios confrades doentes, idosos
ou oprimidos pelos sofrimentos correspondam
ao apelo de Cristo para abraçar, com fé
generosa, a própria condição de vida.
Sua vida de oração, sua experiência, os
próprios serviços que ainda podem prestar
poderão ser fonte de inspiração para os
mais jovens.
035. Os
parentes dos confrades, principalmente
os pais, os colaboradores e os benfeitores
da Congregação, estão associados a nossa
família religiosa. Merecem, pois, por
especial direito, consideração e afeto,
principalmente se se
encontram em aflições e dificuldades.
036. A
caridade dos Redentoristas deve abranger
os confrades falecidos e outros mortos
merecedores de grata recordação.
Determinem os Estatutos (vice) provinciais os sufrágios a serem feitos.
No que se refere à Congregação inteira,
o Governo geral comunique às (Vice) Províncias
os nomes dos falecidos.
O Governo geral providencie os sufrágios
pelo Superior geral, mesmo emérito.
Art. 4º — A comunidade de trabalho
037. Em
cada comunidade, como animador de uma
renovação contínua, o Superior cuidará
periodicamente, segundo os Estatutos (vice)
provinciais, de reunir os confrades para
estudo e revisão das matérias teológicas,
pastorais e semelhantes que mais de perto
se referem às atividades dos confrades,
para que se fortaleçam na esperança da
própria vocação e se renovem no ministério
(cf. Const. 38; 73; 90; 103; 136; 139; Est.
048). Nesses encontros de estudo sempre
se leve em conta a Igreja local e sua
pastoral de conjunto (cf. Const.
18; 135; Est. 04).
Após algum trabalho apostólico ou algum
tempo de vida comunitária, será oportuna
uma revisão, para que todos conheçam melhor
o desígnio de Deus e se promova mais eficazmente
o bem da Igreja.
Art. 5º — A comunidade de conversão
038. A
fim de progredirem espiritualmente e corrigirem
os próprios defeitos e falhas, os Redentoristas
farão mais vezes no ano, no tempo determinado
pelos Estatutos (vice) provinciais, a
revisão de vida por algum exercício comunitário.
Nessa revisão examinem o modo como cumprem
os próprios deveres e observam as Constituições
e os Estatutos, principalmente quanto
à caridade fraterna e missionária. Onde
se faz o retiro mensal comunitariamente,
convirá que tal revisão seja incluída
nele.
039. Determinarão
os Estatutos (vice) provinciais alguns
atos comunitários de penitência para um
ou outro dia da semana e para alguns tempos
do ano litúrgico.
040. Nossos
sacerdotes, aprovados por algum Superior
da Congregação para ouvir confissões,
estão “ipso
facto” aprovados
para todas as comunidades da Congregação
e para todos os confrades, a não ser que
o próprio Superior ou outro Superior competente
tenha expressamente negado essa extensão
da jurisdição.
A todo confessor, aprovado por qualquer
ordinário, é conferida jurisdição em relação
ao confrade que quiser se confessar com
ele.
Art. 6º — A comunidade bem organizada
041. As
normas para uma reta organização das comunidades
se referem principalmente a estes pontos: