Regra de Vida

Clicar aqui para baixar este texto no formato de Microsoft Word.

Clicar aqui para baixar este texto no formato de Adobe PDF.

 

CONSTITUIÇÕES
DA
CONGREGAÇÃO DO
SANTÍSSIMO REDENTOR

 

 

CONGREGATIO
SANCTISSIMI REDEMPTORIS
Superior Generalis

Aos Superiores (v)provinciais e a todos os confrades de língua portuguesa:

Decreto

Depois de haver submetido a diligente exame o texto português das Constituições e Estatutos da Congregação do Santíssimo Redentor, com as modificações feitas pelos Capítulos gerais após a precedente edição portuguesa (1983),

declaro e certifico

que o texto corresponde fielmente ao original.

Tenha-se sempre presente, todavia, que o texto autêntico é o latino.

Roma, 28 de setembro de 2004

Joseph W. Tobin, C.Ss.R.
Superior geral

Joseph P. Dorcey, C.Ss.R.
Secretário geral

 

CONGREGATIO
SANCTISSIMI REDEMPTORIS
Superior Generalis

Ao Superior Provincial da Província de São Paulo e a todos os confrades de língua portuguesa:

Examinada diligentemente a tradução do texto de nossas Constituições e Estatutos em língua portuguesa, DECLARO E CERTIFICO que a referida tradução corresponde fielmente ao texto original. Tenha-se, porem, em conta que o texto latino é o texto autêntico.

Roma, 19 de julho de 1983.

Pe. Joseph G. Pfab, C.Ss.R.
Superior geral

Pe. Roger Dhont, C.Ss.R.
Secretário geral

 

ÍNDICE GERAL

Supplex Libellus
Origem e desenvolvimento da C.Ss.R.
Decreto de Aprovação das Constituições
Carta do Superior Geral
      Pe. Joseph G. Pfab, C.Ss.R.
Decreto
Carta do Superior Geral
      Pe. Juan M. Lasso de La Vega, C.Ss.R
Abreviaturas

A VIDA APOSTÓLICA
DOS REDENTORISTAS

CONSTITUIÇÕES

MISSÃO DA CONGREGAÇÃO
DO SANTÍSSIMO REDENTOR NA IGREJA
(Const. 1-2)

CAPÍTULO I – A OBRA MISSIONÁRIA DA CONGREGAÇÃO

Seção primeira: A Evangelização dos pobres (Const. 3-5)

Seção segunda: A obra da Evangelização

Art. 1o: O Evangelho da salvação (Const. 6)
Art. 2o: A evangelização (Const. 7-10)
Art. 3o: A finalidade da obra missionária (Const. 11-12)

Seção terceira: O modo de realizar a obra da Evangelização

Art. 4o: O dinamismo na obra missionária (Const. 13-17)
Art. 5o: A cooperação na Igreja (Const. 18)
Art. 6o: O diálogo com o mundo (Const. 19)

O Missionário Redentorista (Const. 20)

CAPÍTULO II – A COMUNIDADE APOSTÓLICA

Art. 1o: A comunidade (Const. 21-22)
Art. 2o: A presença de Cristo na comunidade (Const. 23-25)
Art. 3o: A comunidade de oração (Const. 26-33)
Art. 4o: A comunidade de pessoas (Const. 34-38)
Art. 5o: A comunidade de trabalho (Const. 39)
Art. 6o: A comunidade de conversão (Const. 40-42)
Art. 7o: A comunidade aberta (Const. 43)
Art. 8o: A comunidade organizada (Const. 44-45)

CAPITULO III – A COMUNIDADE APOSTÓLICA
                              DEDICADA A CRISTO REDENTOR

Art. 1o: A missão de Cristo Redentor, razão da dedicação
                (Const. 46-50)
Art. 2o: Sinais e testemunhas (Const. 51)
Art. 3o: A missão unificadora de toda a vida (Const. 52-54)
Art. 4o: Todos missionários (Const. 55)
Art. 5o: A profissão, resposta de amor (Const. 56)
Art. 6o: A castidade (Const. 57-60)
Art. 7o: A pobreza (Const. 61-70)
Art. 8o: A obediência (Const. 71-75)
Art. 9o: O voto e o juramento de perseverança (Const. 76)

CAPÍTULO IV – A FORMAÇÃO DA                 
                              COMUNIDADE APOSTÓLICA

Art. 1o: O objetivo da formação (Const. 77-78)
Art. 2o: A promoção das vocações (Const. 79-80)
Art. 3o: A formação em geral (Const. 81)
Art. 4o: Os moderadores da formação (Const. 82-83)
Art. 5o: A primeira formação para a vida apostólica (Const. 84-89)
Art. 6o: A formação contínua (Const. 90)

CAPÍTULO V – O GOVERNO DA COMUNIDADE APOSTÓLICA

Princípios gerais:

— aplicação dos princípios (Const. 91)
— co-responsabilidade (Const. 92)
— descentralização (Const. 93)
subsidiaridade (Const. 94)
— solidariedade (Const. 95)
— adaptação das estruturas e instituições (Const. 96)

Seção primeira: A Estrutura da Congregação

Art. 1o: As divisões e as instituições da Congregação (Const. 97-99)
Art. 2o: Os Capítulos e os Superiores em geral (Const. 100-103)

Seção segunda: O Regime geral

Art. 3o: O Capítulo geral (Const. 104-111)
Art. 4o: O Governo geral (Const. 112-113)

I. O Superior geral e seu Vigário (Const. 114-117)
II. Os Conselheiros gerais (Const. 118-119)

Art. 5o: Os Oficiais da Cúria geral (Const. 120)

Seção terceira: O Regime (vice) provincial

Art. 6o: A Província (Const. 121)

I. O Capítulo provincial (Const. 122-123)
II. O Governo provincial (Const. 124-128)
III. Os Oficiais e as instituições da Província (Const. 129)

Art. 7o: A Vice-Província (Const. 130-134)
Art. 8o: O governo das comunidades na (Vice) Província
               (Const. 135-140)
Art. 9o: A cooperação entre as (Vice) Províncias (Const. 141-143)

Seção Quarta: Os bens temporais da Congregação

Art. 10o: A destinação dos bens temporais (Const. 144)

Seção Quinta: A saída da Congregação

— Dispensa dos votos (Const. 145)
— Demissão (Const. 146-147)
— Subsídio caritativo aos egressos (Const. 148)

DECRETOS SOBRE A POBREZA

1. Decreto de Pio X de 31 de agosto de 1909
2. Decreto de Bento XV de 7 de maio de 1918

APÊNDICE: FÓRMULAS DE PROFISSÃO

I. Fórmula da emissão dos votos temporários
II. Fórmula da emissão dos votos perpétuos
III. Fórmula da renovação da profissão temporária
IV. Fórmula do ato da renovação da profissão

 

CSSR
SUPPLEX LIBELLUS

Apresentado ao S. Pontífice Bento XIV pelo sacerdote Afonso de Ligório e companheiros, para conseguir a aprovação apostólica da Congregação do SS. Salvador.

Santíssimo Padre!

O sacerdote napolitano Afonso de Ligório com seus demais companheiros missionários, reunidos sob o título do SS. Salvador, em humilde súplica expõem o seguinte a vossa Santidade:

Após muitos anos de exercício das missões como membro da Congregação das Missões Apostólicas, com sede na catedral de Nápoles, conhecendo o grande abandono em que jazem os pobres e principalmente os camponeses, em vastas regiões deste reino, desde 1732 uniu-se aos acima mencionados sacerdotes, seus companheiros, sob a direção de Mons. Falcoia, Bispo de Castellamare, para atender aos pobres camponeses espiritualmente mais abandonados, com missões, instruções e outros exercícios. Pois é freqüente não terem quem lhes administre os santos sacramentos e lhes anuncie a palavra de Deus, ao ponto de muitos deles morrerem na ignorância dos próprios mistérios da fé necessários para a salvação, por serem poucos os sacerdotes, que de modo especial se dedicam aos pobres camponeses, seja por causa dos gastos necessários, seja por causa dos incômodos que tal tarefa acarreta.

Por isto, os autores deste pedido, desde então, entregaram-se às missões ajudando esta pobre gente, percorrendo os campos e lugares mais abandonados das seis províncias do reino de Nápoles; e com tal fruto que o próprio augusto soberano, disto informado, sobretudo em relação aos trabalhos em beneficio dos pastores da Apúlia, concedeu, por diversos decretos, uma subvenção anual para manter esta obra, recomendando-a como extremamente proveitosa para o bem geral de seu reino.

E o próprio eminentíssimo arcebispo de Nápoles, que com tanto zelo governa sua Igreja, dignou-se chamar-nos em seu auxílio; o que foi feito nas aldeias de sua diocese, por meio de missões.

Para tal fim, os mesmos autores do presente pedido, com a aprovação canônica dos bispos e autorização régia, reuniram-se para viver em algumas casas ou retiros, fora das povoações, em diversas regiões do reino, isto é, nas dioceses de Salerno, Bovino, Nocera e ultimamente em Conza; aí, com o beneplácito apostólico da S. Congregação dos Bispos e Regulares, foi-nos concedida a igreja de Nossa Senhora “Mater Domini” com a casa adjacente e algumas rendas de um benefício do clero de Caposele e outras rendas cedidas por diversos benfeitores, principalmente pelo arcebispo daquela diocese.

Nestas casas, além das missões, que não cessamos de dar, abriu-se também a oportunidade para virem renovar suas confissões e confirmar-se pelas pregações aos camponeses das aldeias em que se pregaram missões. Além disso, nas mesmas casas, mais vezes no ano, realizaram-se exercícios espirituais fechados quer para ordenandos, quer para párocos e sacerdotes enviados pelos seus bispos e também para leigos. Isso foi de suma vantagem, pois, reformados os sacerdotes, tornaram-se dignos ministros do santuário para a salvação espiritual de seus conterrâneos.

Tudo isso segue sem interrupção, aumentando dia a dia a afluência e o proveito das pessoas. Também o Senhor derramou abundante bênção sobre esta obra não só pela conversão de tantas almas abandonadas e pelo proveito das regiões onde nos afadigamos, mas também pelo aumento do número de confrades, que se associaram ao nosso grupo, chegando, atualmente, a quarenta, mais ou menos.

Esse, Santíssimo Padre, é o estado em que se encontra a mencionada obra. Mas se Vossa Santidade não se dignar conceder a sua aprovação apostólica, a obra não poderá ter feliz continuação. Por isso, prostrados aos pés de Vossa Santidade suplicamos pelo amor que dedica à glória de Jesus Crista e à salvação espiritual de tantos pobres camponeses, que são os filhos mais abandonados da Igreja de Deus, que se digne dar o consentimento apostólico para a ereção e constituição do mencionado grupo como Congregação de sacerdotes seculares sob o título do SS. Salvador, ficando ela sujeita à jurisdição dos Ordinários locais, do mesmo modo que a Congregação dos Padres da Missão e dos Pios Operários, com esta diferença: as casas dos congregados estejam sempre fora das povoações e no meio das dioceses mais necessitadas, para assim melhor se dedicarem aos que moram na zona rural, e melhor ajudá-los.

Digne-se também Vossa Santidade aprovar as Regras que a seu tempo serão apresentadas. Esperamos que Vossa Santidade, impelido por tão grande zelo pela salvação das almas, principalmente destes pobres camponeses, (como demonstrou em sua encíclica aos bispos do reino de Nápoles, procurando na medida do possível ajudá-los por meio das santas missões) queira dar estabilidade com sua suprema autoridade apostólica a uma obra não só útil como necessária a tantas almas abandonadas, que vivem nas regiões rurais deste vastíssimo reino, destituídas do amparo espiritual.

E pela concessão, etc.

(O texto italiano encontra-se em Lettere di S. Afonso Maria De’Ligori, I vol., p. 149-151).

 

ORIGEM E
DESENVOLVIMENTO DA
CONGREGAÇÃO DO
SANTÍSSIMO REDENTOR

No ano de 1732, na cidade de Scala, no Reino de Nápoles, Santo Afonso Maria de Ligório, compadecido da situação dos pobres, principalmente dos habitantes na zona rural que, na época, constituíam grande parte da população, fundou a Congregação dos Missionários do Santíssimo Salvador, posteriormente (1749) chamada do Santíssimo Redentor. Deviam eles seguir o Redentor, evangelizando os pobres: “Enviou-me para evangelizar os pobres” (Lc 4,18).

Santo Afonso e seus companheiros, entre os quais brilhou São Geraldo Majela, esforçaram-se por acudir às necessidades espirituais que naquele tempo sofriam os pobres das regiões rurais, por meio principalmente de missões, de exercícios espirituais e de renovações, a exemplo de São Paulo (At 15,36).

Santo Afonso estava inflamado do desejo de pregar o Evangelho aos infiéis da África e da Ásia, como várias vezes escreveu em suas cartas, como também aos cristãos separados da Igreja Católica, tais como os Nestorianos da Mesopotâmia. Cuidou ele de acender em seus filhos a chama apostólica por meio do voto de evangelizar os infiéis proposto nas Constituições (1743), voto este que foi supresso pelos revisores romanos (1749).

Com grande constância acreditou Santo Afonso que sua Congregação, sob o patrocínio da beatíssima Virgem Maria, haveria de incansavelmente colaborar com a Igreja na obra de ganhar o mundo para Cristo. Por esse motivo tudo fez para que a Congregação se propagasse e se consolidasse pelo voto de perseverança (1740) como também pelos votos simples e para que fosse aprovada pela suprema autoridade eclesiástica. O que, finalmente, conseguiu, quando o Sumo Pontífice Bento XIV, em 25 de fevereiro de 1749, aprovou solenemente o Instituto e suas Constituições e Regras. A partir de então os confrades emitiram votos simples reconhecidos pela autoridade pontifícia. Pela Constituição Apostólica “Conditae a Christo” de Leão XIII, de 8 de dezembro de 1900, passaram a ter esses votos simples o caráter de votos religiosos públicos.

Graças principalmente ao trabalho incansável de São Clemente Maria Hofbauer († 1820), homem ornado “de admirável vigor de fé e da virtude de invencível constância”, nossa Congregação propagou-se além dos Alpes, em regiões nas quais descobriu novos campos de atuação apostólica, empregando mesmo novas formas de ação missionária, com anuência de Santo Afonso, informado sobre o assunto.

A Congregação começou a expandir-se pouco a pouco em várias partes da Europa e daí, por iniciativa do Padre José Amando Passerat († 1858), atravessou o Oceano e se espalhou pelas Américas, onde com zelo trabalhou São João Nepomuceno Neumann († 1860), e ainda por outras regiões, até que as fronteiras de sua atuação vieram a coincidir com os limites do mundo.

Assim a Congregação do Santíssimo Redentor foi ocupando progressivamente diversas áreas de atividade apostólica e assumiu a obra das missões entre os fiéis, entre os infiéis, e entre os irmãos separados da Igreja Católica.

Com o mesmo espírito missionário cultiva a Congregação o estudo científico do método pastoral, imitando Santo Afonso que em 1871 foi proclamado Doutor da Igreja e em 1950 foi declarado Patrono de todos os  confessores e moralistas, e se dedica a propor o caminho seguro para corresponder ao Evangelho e para adquirir a perfeição cristã nas diversas circunstâncias de nosso tempo.

Procurando, pois, todos os redentoristas levar adiante a obra missionária do Santíssimo Redentor e dos Apóstolos, esforçam-se diligentemente por conservar o espírito do Fundador Santo Afonso mantendo-se sempre em consonância com o dinamismo missionário da Igreja, especialmente naquilo que se relaciona com os pobres e, na medida de suas forças, atendendo as necessidades mais urgentes do mundo de hoje.

 

SAGRADA CONGREGAÇÃO
PARA OS RELIGIOSOS E
OS INSTITUTOS SECULARES

Decreto de Aprovação das Constituições

A Congregação do Santíssimo Redentor, fundada por Santo Afonso Maria de Ligório para evangelizar principalmente os pobres, conformando-se às normas do Concílio Vaticano II e a outras determinações da Igreja, elaborou, com diligência e entusiasmo, o novo texto das Constituições.

Esse texto, revisto e devidamente aprovado pelos Capítulos gerais, foi pelo Superior geral da Congregação proposto à Santa Sé com humilde solicitação para que fosse confirmado.

Este Sagrado Dicastério para os Religiosos e os Institutos Seculares, após haver submetido o texto a especial exame por parte de Consultores, considerado o voto do Congresso, tendo maduramente ponderado tudo, achou por bem deferir o pedido.

Por isso, em virtude do presente Decreto, aprova e confirma o texto apresentado com as modificações estabelecidas pelo Congresso, de acordo com o exemplar redigido em língua latina que se conserva em seu arquivo, juntamente com as fórmulas de profissão religiosa anexas ao texto, “servatis de iure servandis”.

Confia este Sagrado Dicastério que os membros da Congregação do Santíssimo Redentor, levados pelo exemplo do Santo Fundador, sejam com renovado impulso incentivados ao cumprimento da missão que lhes foi confiada pela Igreja.

Roma, 2 de fevereiro de 1982, na festa da Apresentação do Senhor.

E. Card. Pironio, Prefeito
Augustin Mayer, Secretário

 

CARTA DO SUPERIOR GERAL
PE. JOSEPH G. PFAB, C.SS.R.
J. M. J. A

Aos confrades da Congregação do Santíssimo Redentor, diletos em Cristo:

Saudações no Senhor.

O Concílio Vaticano II promulgou no dia 28 de outubro de 1965 o Decreto sobre a conveniente renovação da vida religiosa. No âmbito dessa renovação nossas Constituições deviam ser revistas e submetidas à aprovação da Santa Sé.

As Constituições, assim renovadas, agora finalmente obtiveram a aprovação.

Eis, caros irmãos, a nova edição das Constituições e dos Estatutos Gerais que, por meio deste documento, oficialmente promulgo e vos entrego.

Mas a tarefa da renovação que devia ser levada a efeito pela nossa Congregação não se restringia só a fazer leis, mas importava, antes de tudo, em promover a vitalidade espiritual e apostólica de toda a Congregação.

Por essa razão, terminada a nossa legislação, a Sagrada Congregação para os Religiosos e os Institutos Seculares, a quem o Papa João Paulo II confiou a tarefa de aprovar as Constituições religiosas, “confia... que os membros da Congregação do Santíssimo Redentor, levados pelo exemplo do Santo Fundador”, graças às novas Constituições, “sejam, com renovado impulso, incentivados ao cumprimento da missão que lhes foi confiada pela Igreja”.

Para todos nós, pois, continua e urge o mandato de promover permanentemente a vitalidade espiritual e apostólica em cada uma das Províncias, Vice-províncias, Regiões e Comunidades e também em nós mesmos.

“Sendo a norma fundamental da vida religiosa o seguir a Cristo, como está proposto no Evangelho, seja considerada essa a regra suprema em nossa Congregação” (Const. 74). Sejam, pois, as nossas renovadas Constituições e Estatutos o fundamento e o instrumento na promoção desse seguir a Cristo e, por isso mesmo, de uma nova vitalidade da Congregação.

Recebei, pois, o espírito que emana do texto renovado.

Que Santo Afonso implore do Cristo Redentor para todos nós esse espírito, como um dom para o 250º aniversário da Fundação da Congregação. E que Nossa Senhora, padroeira da Congregação, no-lo conserve.

Roma, 25 de fevereiro de 1982

Joseph G. Pfab, C.Ss.R.
Superior geral

 

SAGRADA CONGREGAÇÃO
PARA OS RELIGIOSOS E
OS INSTITUTOS SECULARES

Prot. n. R. 57-1/86

DECRETO

O Capítulo geral da Congregação do Santíssimo Redentor, que se realizou em 1985, adaptou completa e devidamente ao novo Código de Direito Canônico as Constituições do Instituto, renovadas de acordo com a exortação do Concílio Vaticano II (PC n. 2, 3, 4), e aprovadas pela Santa Sé em 1982. Nessa ocasião esse Capítulo revisou e completou as adaptações feitas ad tempus pelo Conselho geral, de acordo com os decretos da Congregação para os Religiosos e os Institutos Seculares do dia 2 de fevereiro de 1984.

O Supremo Moderador da Congregação submeteu essas modificações à Santa Sé para serem aprovadas.

A Congregação para os Religiosos e os Institutos Seculares examinou atentamente as adaptações propostas e, em virtude do presente Decreto, as aprova e confirma com as poucas modificações que são mostradas na folha anexa, observando-se o que deve ser observado.

Não obstante qualquer coisa em contrário.

Dado em Roma, no dia 23 de julho de 1986.

† Vicente Fagiolo
Secretário

Jesus Torres, CMF
Subsecretário

 

CARTA DO SUPERIOR GERAL
PE. JUAN MANUEL LASSO DE LA VEGA, C.Ss.R.

Caros confrades em Cristo

O XX Capítulo geral realizado em Roma e encerrado no dia 20 de novembro de 1995, entre outras coisas, dedicou-se ao estudo e a revisão de algumas Constituições e Estatutos gerais de nossa Congregação. Já desde o ano de 1984 o Conselho geral fizera essa revisão, em virtude das faculdades que tinham sido concedidas pela Congregação para os Religiosos e os Institutos Seculares pelo decreto do dia 26 de fevereiro de 1984 (cf. Gen. 76/ 84 — Communicanda 80). O Capitulo geral aprovou essa revisão, com poucas emendas; as modificações introduzidas referem-se a adaptação de nossa legislação ao novo Código de direito canônico. No dia 23 de julho de 1986 a Congregação para os Religiosos e os Institutos Seculares aprovou e confirmou, com poucas modificações, as adaptações propostas. Eis ai a origem da nova edição das Constituições e Estatutos gerais. Caros confrades, as Constituições e Estatutos gerais propõem o caminho e a razão pelos quais os Redentoristas nos tornamos participantes da missão do Redentor, seguindo de perto a Cristo e dedicando-nos ao serviço da Igreja e dos homens de nosso tempo. Pois elas são o fundamento da unidade de nossa vida especialmente dedicada à obra missionária de toda a Congregação. Promulgo ex officio, a nova edição das Constituições e Estatutos redigida em latim, confiando, fundado em firme esperança, no progresso e no crescimento da vida apostólica dos confrades e das comunidades, (vice) provinciais ou locais, de toda a Congregação. Que isso a Bem-aventurada Maria Virgem e Mãe do Perpetuo Socorro e Santo Afonso nos concedam sempre.

Roma, 15 de agosto de 1986.

Juan M. Lasso de la Vega, C.Ss.R.
Superior geral

 

ABREVIATURAS

1.  Documentos do Concílio Vaticano II

AA = Apostolicam Actuositatem.
AG = Ad Gentes.
CD = Christus Dominus.
DV = Dei Verbum.
GE = Gravissimum Educationis.
GS = Gaudium et Spes.
IM = Inter Mirifica.
LG = Lumen Gentium.
OT = Optatam Totius.
PC = Perfectae Caritatis.
PO = Presbyterorum Ordinis.
SC = Sacrosanctum Concilium.
UR = Unitatis Redintegratio.

2. Outros documentos da Igreja ou
        da Congregação do Santíssimo Redentor

CIC = Codex Iuris Canonici.
CR  = Constituições e Regras da Congregação do Santíssimo Redentor, 1936.
DC = Diretório dos Capítulos.
DM = Documenta Miscellanea ad regulam et spiritum Congregationis                nostrae illustrandum, Romae, 1904.
DS = Diretório dos Superiores.
EN = Evangelii Nutiandi (Exortação Apostólica do Papa Paulo VI, 8 de                dezembro de 1975).
ES = Ecclesiae Sanctae (Motu próprio do Papa Paulo VI, 6 de agosto e                1966).
MR = Mutuae Relationes (Instrução da Congregação para os Religiosos                e Institutos Seculares e da Congregação para os Bispos, 14 de                abril de 1978).
PP = Populorum Progressio (Encíclica do Papa Paulo VI, 26 de março                de 1967).
RC = Renovationis Causam (Instrução da Congregação para os                   Religiosos e Institutos Seculares, 6 de janeiro de 1969).
SH = Spicilegium Historicum C.Ss.R.
VC = De Vita Contemplativa Religiosorum (Decreto da Congregação                para os Religiosos e Institutos Seculares, 1980).

 

 

A VIDA APOSTÓLICA
DOS REDENTORISTAS

 

CONSTITUIÇÕES

 

MISSÃO DA CONGREGAÇÃO DO SANTÍSSIMO REDENTOR NA IGREJA

1.      A Congregação do Santíssimo Redentor, fundada por Santo Afonso, é um instituto religioso de diversos ritos, missionário, clerical, de direito pontifício e isento, cuja finalidade é: “continuar o exemplo de Jesus Cristo Salvador, pregando aos pobres a Palavra de Deus, como disse Ele de si mesmo: Enviou-me para evangelizar os pobres”.

Dessa maneira, a Congregação participa do mandato da Igreja que, por ser sacramento universal de salvação, é, por natureza, missionária.

Isso a Congregação realiza atendendo, com dinamismo missionário, às urgências pastorais e se esforçando por evangelizar os homens mais abandonados, principalmente os pobres.

A Congregação continua o exemplo de Cristo pela vida apostólica que compreende, a um só tempo, a vida especialmente dedicada a Deus e a obra missionária dos Redentoristas.

2.   Para cumprir essa missão na Igreja, reúne a Congregação membros que, vivendo em comum, constituem um só corpo missionário que, consagrados pela profissão religiosa, a ela se dedicam organicamente, de acordo com o ministério próprio de cada um.

Levados pelo espírito apostólico, imbuídos do zelo do Fundador, fiéis à tradição cultivada pelos predecessores e atentos aos sinais dos tempos, todos os Redentoristas, como colaboradores, companheiros e ministros de Jesus Cristo na grande obra da Redenção,

— enviados para anunciar aos pobres a Palavra da salvação (Capítulo I),
— constituem uma comunidade apostólica (Capítulo II),
— consagrada de modo especial ao Senhor (Capítulo III),
— com a devida formação (Capítulo IV),
— e alicerçada em convenientes formas de governo (Capítulo V).

 

CAPÍTULO I
A OBRA MISSIONÁRIA DA CONGREGAÇÃO

Seção primeira

A EVANGELIZAÇÃO DOS POBRES

3.      Os homens mais abandonados, aos quais, de modo especial, é enviada a Congregação, são os que a Igreja não pôde ainda prover de meios suficientes de salvação; os que nunca ouviram o anúncio da Igreja ou, pelo menos, não o recebem como “Evangelho”; ou, finalmente, os que são prejudicados pela divisão da Igreja.

Ao mesmo tempo a Congregação tem solicitude apostólica para com os fiéis atendidos pela pastoral ordinária, a fim de que, fortalecidos pela fé, se convertam continuamente a Deus e sejam testemunhas da fé na vida cotidiana.

4.      Entre os grupos humanos mais necessitados de auxílio espiritual atenderão de modo especial os pobres, mais fracos e oprimidos, cuja evangelização é sinal da obra messiânica (cf. Lc 4,18) e com os quais o Cristo mesmo quis, de certa maneira, identificar-se (cf. Mt 25,40).

5.      A preferência pelas condições de necessidade pastoral ou pela evangelização propriamente dita e a opção em favor dos pobres constituem a própria razão de ser da Congregação na Igreja e o distintivo de sua fidelidade à vocação recebida.

O mandato conferido à Congregação de evangelizar os pobres visa a libertação e a salvação da pessoa humana toda. Os membros da Congregação têm como incumbência o anúncio explícito do Evangelho e a solidariedade com os pobres, a promoção de seus direitos fundamentais na justiça e na liberdade, com o emprego dos meios que sejam, ao mesmo tempo, conformes ao Evangelho e eficazes.

Seção segunda

A OBRA DA EVANGELIZAÇÃO

Art. 1º — O Evangelho da salvação

6.      Obrigam-se todos os Redentoristas, seguindo sempre o magistério da Igreja, a serem, entre os homens, servos humildes e audazes do Evangelho de Cristo, Redentor e Senhor, princípio e modelo da nova humanidade.

Esse anúncio visa especialmente a copiosa redenção, isto é o amor de Deus Pai “que nos amou primeiro, e nos enviou seu Filho, como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4,10) e que pelo Espírito Santo vivifica a todos os que n’Ele crêem.

Essa redenção atinge o homem todo, aperfeiçoa e transfigura todos os valores humanos, para que todas as coisas sejam recapituladas em Cristo (cf. Ef 1,10; 1Cor 3,23) e conduzidas a seu fim: uma nova terra e um novo céu (cf. Ap 21,1).

Art. 2º — A evangelização

7.      Testemunhas do Evangelho da graça de Deus (cf. At 20,24), os Redentoristas proclamam, antes de tudo, a sublime vocação do homem e do gênero humano. Sabem que todos os homens são pecadores, mas sabem igualmente que esses mesmos homens já foram de um modo mais profundo escolhidos, salvos e reunidos em Cristo (cf. Rm 8,29ss.).

Empenhar-se-ão, pois, em ir ao encontro do Senhor onde Ele já está presente e atua com seu modo misterioso.

8.      Procurarão assiduamente discernir, conforme as circunstâncias, o que fazer ou o que dizer: se proclamar Cristo explicitamente ou, pelo menos, com o testemunho tácito de presença fraterna.

9.      Se as circunstâncias forem tais que alguma vez não haja possibilidade de propor, direta e imediatamente o Evangelho ou de anunciá-lo de modo pleno, devem os missionários, com paciência, prudência e grande confiança, dar testemunho da caridade de Cristo e, na medida do possível, fazer-se próximos de cada homem. Essa manifestação de caridade se fará pela oração, pelo sincero serviço prestado aos outros e pelo testemunho de vida, qualquer que seja sua modalidade.

Essa maneira de evangelizar prepara progressivamente os caminhos do Senhor e preenche a vocação missionária dos Redentoristas.

10.    O testemunho de vida e de caridade conduz ao testemunho da palavra (cf. Rm 10,17), conforme a possibilidade concreta e a capacidade pessoal. Os Redentoristas têm na Igreja, como sua principal missão, a proclamação explícita da palavra de Deus para a conversão fundamental.

Quando chegar a hora e o Senhor lhes abrir a porta da palavra (cf. Cl 4,3), os Redentoristas, sempre prontos a dar testemunho da esperança que neles existe (cf. 1Pd 3,15), completando o testemunho tácito da presença fraterna com o testemunho da Palavra, anunciam confiantes e constantes o Mistério de Cristo (cf. At 4,13.29.31).

Para que possam cooperar sempre mais plenamente na realização do mistério da redenção de Cristo, incansavelmente rogarão ao Espírito Santo, que é Senhor dos acontecimentos e é quem dá a palavra adequada e abre os corações.

Art. 3º — A finalidade da obra missionária

11.    Tendo recebido por graça o ministério da reconciliação (cf. 2Cor 5,18) os Redentoristas transmitem aos homens o anúncio da salvação e o “tempo favorável” (2Cor 6,2), para que se convertam e creiam no Evangelho (cf. Mc 1,15), vivam verdadeiramente o batismo e se revistam da nova criatura (cf. Ef 4,24).

Dessa forma os Redentoristas são “apóstolos da conversão”, pois sua pregação tem como finalidade principal levar os homens à opção radical ou à decisão de vida por Cristo e conduzi-los com vigor e, ao mesmo tempo, com suavidade à conversão plena e contínua.

12.    A conversão pessoal, porém, se realiza na comunidade eclesial. Por isso a finalidade de toda a obra missionária é suscitar e formar comunidades tais que levem vida digna da vocação a que foram chamadas, e exerçam a tríplice função que lhes foi atribuída pelo próprio Deus: sacerdotal, profética e régia.

Os missionários conduzem os convertidos a participar plenamente da Redenção que se exerce na Liturgia, principalmente no sacramento da reconciliação no qual, de modo sublime, anuncia-se e celebra-se o Evangelho da misericórdia de Deus em Cristo, e máxime na Eucaristia, pela qual se constrói a Igreja.

Dessa maneira torna-se a comunidade cristã sinal da presença de Deus no mundo. Alimentada pela Palavra de Deus dá testemunho de Cristo, passa sem cessar com Cristo ao Pai pelo mistério eucarístico, caminha na caridade e se inflama no espírito apostólico.

Seção terceira

O MODO DE REALIZAR A OBRA DA EVANGELIZAÇÃO

Art. 4º — O dinamismo na obra missionária

13.    No desempenho de sua missão procura a Congregação agir com iniciativas audazes e com grande zelo.

Chamada a cumprir fielmente, através dos tempos, a obra missionária, que lhe foi confiada por Deus, evolui sempre na forma de exercê-la.

14.    Essa obra apostólica da Congregação se caracteriza mais pelo dinamismo missionário, isto é, pela evangelização propriamente dita e pelo serviço aos homens e aos grupos mais abandonados e pobres, em relação à Igreja e às condições humanas (cf. Const. 3-5), do que por certas formas de atividade.

15.    A missão da Congregação exige, pois, que os Redentoristas sejam livres e disponíveis, quer em relação aos grupos a serem evangelizados, quer em relação aos meios que servem para a missão de salvação.

Sendo sua obrigação sempre procurar novas iniciativas apostólicas sob a direção da legítima autoridade, não podem instalar-se em condições ou estruturas nas quais sua atuação já não seria missionária. Como pioneiros, descubram com perspicácia novos caminhos, através dos quais o Evangelho seja pregado a toda criatura (cf. Mc 16,15).

16.    Por isso é tida em grande estima a multiforme atividade, através da qual se expressou no decorrer do tempo o trabalho missionário dos Redentoristas de acordo com as necessidades das diversas regiões. No futuro será assumida na Congregação qualquer iniciativa que pareça convir a sua caridade pastoral.

17.    Julgar se determinadas prioridades já assumidas ou a serem assumidas pela (Vice) Província, estão ou não de acordo com a índole missionária da Congregação, compete ao Capítulo (vice) provincial, com o consentimento do Conselho geral.

É óbvio, portanto, que todos os Redentoristas, principalmente quando reunidos em Capítulos, devem avaliar periodicamente se os meios empregados para a evangelização no respectivo território correspondem às necessidades da Igreja e do mundo; se, e como, devem renovar-se os métodos apostólicos, de modo que sejam mantidos os meios válidos, corrigidos os que apresentem falhas e abandonados os inadequados.

Art. 5º — A cooperação na Igreja

18.    Em virtude da caridade pastoral, que lhes é específica, procurem as comunidades e todos os confrades harmonizar as próprias obras com as iniciativas da Igreja universal e da Igreja particular.

Pois a missão da Congregação na Igreja, sendo serviço de Cristo, deve ser inseparavelmente serviço da Igreja.

Embora, em razão do ministério em favor da Igreja universal, os Redentoristas, de acordo com os princípios da isenção, estejam sujeitos primariamente, inclusive em virtude do voto de obediência, ao poder do Sumo Pontífice, todavia no que se refere ao ministério particular na Igreja local, estão sujeitos também ao Ordinário local.

Por isso, para instaurar e promover a fraternidade apostólica, os Redentoristas tenham sempre em vista, ao mesmo tempo, a pastoral orgânica do território e o carisma da Congregação. Em espírito sincero de serviço e com generosa disponibilidade, integrem-se nas obras e estruturas missionárias da diocese ou da região nas quais trabalham, segundo as necessidades mais urgentes da Igreja e da época.

Art. 6º — O diálogo com o mundo

19.  Para desenvolverem uma obra missionária eficaz, além de cooperar com todos na Igreja, devem ter adequado conhecimento e experiência do mundo. Praticam, pois, no mundo, o diálogo missionário com toda a confiança.

Interpretem fraternalmente as angústias dos homens, para discernir nelas os verdadeiros sinais da presença e do desígnio de Deus.

Realmente, eles sabem que o mistério do homem e a verdade de sua vocação integral somente se desvendam verdadeiramente no Mistério do Verbo Encarnado. Desse modo tornam presente a obra da redenção em sua totalidade, ao darem testemunho de que aquele que segue a Cristo, homem perfeito, torna-se ele mesmo mais homem.

O Missionário Redentorista

20.    Fortes na fé, alegres na esperança, fervorosos na caridade, inflamados no zelo, humildes e sempre dados à oração, os Redentoristas, como homens apostólicos e genuínos discípulos de Santo Afonso, seguindo contentes a Cristo Salvador, participam de seu mistério e anunciam-no com evangélica simplicidade de vida e de linguagem, pela abnegação de si mesmos, pela disponibilidade constante para as coisas mais difíceis, a fim de levar aos homens a copiosa redenção.

 

CAPÍTULO II
A COMUNIDADE APOSTÓLICA

Art. 1º — A comunidade

21.    Os Redentoristas, para corresponderem a sua missão na Igreja, exercem a obra missionária de modo comunitário. Pois, a forma apostólica de vida em comum abre, do modo mais eficaz, o caminho para a caridade pastoral.

Por isso, para os Redentoristas é lei essencial de sua vida: viver em comunidade e por meio da comunidade realizar o trabalho apostólico. Por esse motivo, sempre se considere o aspecto comunitário ao se aceitar um trabalho missionário.

A comunidade, porém, não é somente a convivência material dos confrades, mas, ao mesmo tempo, comunhão de espírito e de fraternidade.

22.    A vida comunitária leva os confrades a porem em comum, em fraterna e sincera convivência, à maneira dos Apóstolos (cf. Mc 3,14; At 2,42-45; 4,32), orações e deliberações, dores e trabalhos, sucessos e insucessos e também os bens temporais, a serviço do Evangelho.

As formas concretas dessa vida comunitária devem ser harmoniosamente estabelecidas de acordo com as necessidades da evangelização e as exigências da caridade fraterna, tendo-se presente que o termo “comunidade” significa tanto a Congregação em sua totalidade quanto a (Vice) Província ou a comunidade local ou pessoal.

Art. 2º — A presença de Cristo na comunidade

23.    Chamados a continuar a presença de Cristo e sua missão de redenção no mundo, escolhem os Redentoristas a pessoa de Cristo como centro de sua vida. Esforçam-se por se unir sempre mais a Ele em comunhão pessoal. Dessa maneira estarão o próprio Redentor e seu Espírito de amor presentes no coração da comunidade, para formá-la e sustentá-la. Na medida em que os confrades mais intimamente se unirem a Cristo, mais estreita será a comunhão entre eles próprios.

24.    Cultivarão o espírito de contemplação, pelo qual cresce e se fortalece sua fé, para que participem verdadeiramente do amor do Filho para com o Pai e para com os homens.

Desse modo tornar-se-ão capazes de reconhecer Deus nas pessoas e nos acontecimentos da vida cotidiana; de perceber em sua verdadeira luz o desígnio salvífico de Deus e de discernir entre realidade e ilusão.

25.    Serão dóceis ao Espírito Santo, que sem cessar atua para conformá-los a Cristo, de modo que aprendam a ter os mesmos sentimentos que Cristo (cf. Fl 2,5ss.) e se revistam da mesma mentalidade (1Cor 2,16), que os move interiormente à obra do apostolado através da variedade dos ministérios.

Pois diversos são os dons dos confrades e das comunidades “conforme a medida do dom de Cristo” (cf. Ef 4,7), mas o Espírito é o mesmo (cf. 1Cor 12,4).

Art. 3º — A comunidade de oração

26.    Os Redentoristas sem cessar apliquem a si próprios a advertência de Cristo Redentor: “É preciso orar sempre sem jamais esmorecer” (Lc 18,1), como faziam os discípulos da primitiva comunidade eclesial, que “perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, na fração do pão e nas orações” (At 2,42) “perseverando unânimes na oração com Maria Mãe de Jesus” (At 1,14).

Assim procurarão viver em si mesmos, com todas as forças, o espírito de oração de Santo Afonso.

27.    Encontrarão a Cristo principalmente nos grandes sinais da salvação. Por isso sua vida comunitária deve ser alimentada pela doutrina evangélica, pela sagrada liturgia e de modo especial pela Eucaristia.

28.    A Palavra de Deus é sustento e vigor para a Igreja e para seus filhos força da fé, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual.

Por isso, como ministros da revelação do mistério de Cristo entre os homens, mantenham os Redentoristas assíduo contato com essa palavra viva e vivificante e assimilem-na pela freqüente leitura divina e pelas celebrações comunitárias para que imbuídos vitalmente pela fé, tornem-se apóstolos mais eficientes para toda a obra boa (cf. 2Tm 3,17).

29.    Encontram presente e vivem o Mistério de Cristo e da salvação humana na liturgia, sobretudo na Eucaristia, a qual professam como ápice e fonte de toda a sua vida apostólica e sinal de solidariedade missionária.

Por isso, os sacerdotes darão prioridade à celebração diária do sacrifício eucarístico. Mas os outros Redentoristas não sacerdotes participarão todos os dias do sacrifício eucarístico, levando em consideração as circunstâncias da vida e da atividade da própria comunidade.

30.    Porque é próprio dos Redentoristas viver e agir em comunidade, reunir-se-ão para orar em comum. Cada comunidade encontrará as formas de oração comunitária, que deverão ser aprovadas pelo Superior competente, que expressem a unidade dos confrades e promovam sua atividade missionária.

Além da celebração litúrgica, isto é, da Eucaristia e da Liturgia das Horas, têm os Redentoristas o direito e o dever de dedicar todos os dias ao menos uma hora à oração. Essa oração pode se fazer em particular ou em comum.

Determinarão os Estatutos gerais e constará no horário de cada comunidade quantas vezes por dia devem os confrades reunir-se para rezar em comum.

31.    Para que participem mais íntima e frutuosamente do sacrossanto mistério da Eucaristia e da vida litúrgica, e para que se alimente mais abundantemente toda a sua vida espiritual, os Redentoristas, tanto em casa quanto fora dela, darão a máxima importância à oração mental (cf. Mt 6,6), a qual se orientará principalmente para a contemplação dos mistérios da Redenção.

Os Estatutos gerais determinarão a respeito dos exercícios espirituais a serem feitos.

32.    Tomem a Bem-aventurada Virgem como modelo e ajuda, Ela que, caminhando na fé e abraçando de todo o coração a vontade salvífica de Deus, como serva do Senhor, dedicou-se totalmente à pessoa e à obra de seu Filho, serviu e continua a servir ao mistério da redenção, socorrendo perpetuamente o povo de Deus em Cristo. Honrem-na, pois, como Mãe, com piedade e amor filial.

Promovam com generosidade o culto, principalmente o litúrgico, à Bem-aventurada Virgem Maria e celebrem com especial fervor suas festas.

De acordo com a tradição afonsiana, todos os confrades diariamente honrarão a Bem-aventurada Virgem. A todos recomenda-se a recitação do santo rosário, para que com gratidão recordem e imitem os mistérios de Cristo, dos quais Maria participou.

33.    Empenhar-se-ão para expressar em sua vida o zelo apostólico do Fundador, de acordo com as necessidades de nosso tempo. Terão em máxima conta seu “sentir com a Igreja”, como válido critério de seu serviço missionário.

Para tal fim esforcem-se por conhecer-lhe a vida e usar com freqüência seus escritos.

Art. 4º — A comunidade de pessoas

34.    Em qualquer relação pessoal entre confrades já se encontra a comunidade cristã: “Onde dois ou três se encontrarem reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18,20). Essa reunião em nome de Cristo expressa a amizade evangélica que anima a comunidade, mesmo sob o aspecto jurídico e administrativo e que alimenta e promove a vida comunitária dos confrades.

35.    Por esse motivo, na comunidade todos os confrades são fundamentalmente iguais e participam, cada um a seu modo, pela co-responsabilidade, na vida e na realização da missão que professam.

36.    A comunidade deve promover o desenvolvimento das pessoas, incentivar as relações interpessoais e constituir a verdadeira fraternidade. Isso exige máxima estima pelas pessoas, por seus valores e qualidades, e que se favoreça o crescimento da maturidade e da responsabilidade de todos os confrades, dando-lhes oportunidade de tomar decisões pessoais.

37.    Desse modo, se alimenta e enriquece a própria vida e a atividade comunitária, quer se trate da vida comunitária interna, quer da obra de evangelização confiada aos Redentoristas; além disso, dá-se frutuosa e constante interação entre a comunidade e cada um de seus membros. Assim, a comunidade serve e enriquece a vocação de cada um.

38.    Na união comunitária das vontades em Cristo e na recíproca estima mais facilmente se poderá definir aquilo que o bem comum de todo o grupo exige, no que diz respeito à caridade fraterna e à obra missionária.

Na busca do fim comum, cada um, levado pela total doação de si mesmo e pelo amor mútuo, empenhar-se-á com todas as forças para executar o que foi decidido em comunidade.

Art. 5º — A comunidade de trabalho

39.    Cada um, conforme disposição do Superior competente, de acordo com a própria aptidão e talento, assumirá a parte dos trabalhos da comunidade e os encargos exigidos pela vocação missionária. Pois, o cumprimento da própria missão constitui a parte principal da observância religiosa.

Art. 6º — A comunidade de conversão

40.    É da máxima importância que os confrades considerem a comunidade como algo que se deve renovar interiormente em constante desenvolvimento.

41.    1º) Devem os Redentoristas fazer convergir seus esforços a fim de se revestirem do homem novo feito à imagem do Cristo crucificado e ressuscitado dos mortos, de modo que se purifique todo o seu modo de julgar e agir.

Toda a sua vida cotidiana deve ser marcada pela conversão do coração e constante renovação do espírito.

Esse esforço importa em permanente abnegação de si mesmo que elimina o egoísmo e abre livre e largamente os corações aos outros, em conformidade com a dimensão da vocação apostólica. Empenhando-se, dessa forma, pelos outros por causa de Cristo (cf. 2Cor 4,10ss.), adquirirão aquela liberdade interior que dará a toda a sua vida unidade e harmonia.

2º) Examinarão diariamente os Redentoristas a própria consciência. Recomenda-se que esse exame tenha lugar no âmbito da própria oração comunitária. Freqüentem o ato da reconciliação sacramental, para que experimentem mais plenamente a necessária conversão de coração.

42.    Para fortalecer e expressar a conversão interior, imponham-se livremente alguns exercícios de mortificação.

Também a comunidade, de maneira semelhante deve expressar essa conversão, de modo que alcance cada dia mais, através de eficaz testemunho, aquela total generosidade com que se deve corresponder à Palavra de Deus.

Art. 7º — A comunidade aberta

43.    A comunidade religiosa é para os Redentoristas a primeira e fundamental comunidade. Contudo, esteja ela de tal modo aberta ao mundo que, pelo convívio com os homens, reconheça os sinais dos tempos e dos lugares e se adapte mais adequadamente às exigências da evangelização (cf. Const. 19). Pois, os Redentoristas de certo modo pertencem também a outras comunidades, principalmente aos grupos entre os quais trabalham.

Nem por isso estão fugindo da própria comunidade, mas comunicam a todos os homens a alegria do Evangelho com a qual vivem, para que se tornem fermento do mundo e sejam testemunho vivo da esperança.

Art. 8º — A comunidade organizada

44.    Para que expresse e favoreça a promoção das pessoas que juntas se dedicam à caridade pastoral, cada comunidade deve ter adequada organização e um modo de viver em comum definido por normas determinadas.

Adotarão, pois, de acordo com os Estatutos gerais, convenientes regras de vida, que correspondam à condição humana da comunidade e que serão tiradas da tradição cristã e redentorista, bem como da vida social e dos direitos inerentes à pessoa humana.

45.    1º) Essas normas, às quais cada membro da comunidade se sente sinceramente obrigado, devem ser tais que, por sua natureza, possam ser adaptadas, em vista da obra missionária, às exigências da Igreja, às circunstâncias de lugar e tempo, ou à índole e à cultura peculiar do povo.

2º) Em diálogo comum todos contribuam para criar condições que favoreçam a oração e o trabalho, o recolhimento e a revisão de vida, a tranqüilidade e o repouso.

3º) Seja determinado pelo legítimo Superior o grau ou a medida em que cada comunidade pode estar aberta a outras pessoas, conservando o espaço que lhe é próprio e observando-se as normas sobre a clausura.

4º) Mantém-se o hábito religioso tradicional. Seu uso seja determinado pelos Estatutos gerais. Os Redentoristas, quando não usam o hábito próprio da Congregação, observem as prescrições dadas sobre isso pelos Ordinários locais.

 

CAPÍTULO III
A COMUNIDADE APOSTÓLICA
DEDICADA A CRISTO REDENTOR

Art. 1º — A missão de Cristo Redentor, razão da dedicação

46.    Os Redentoristas consolidam sua vida pessoal e comunitária pela profissão religiosa, para se dedicarem totalmente à obra do Evangelho e exercerem a perfeição da caridade apostólica, o que constitui o próprio fim da Congregação.

47.    Pela profissão religiosa, intimamente radicada na consagração batismal e sua expressão mais plena, os Redentoristas são associados de modo especial à missão de Cristo como ministros do Evangelho conduzidos pelo Espírito Santo.

48.    Cristo, para cumprir essa sua missão, que comporta essencialmente a caridade pastoral, “...aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo” (Fl 2,7).

Submeteu-se à vontade do Pai para a obra da redenção que realizou por toda a sua vida.

49.    Separados para a obra à qual foram chamados (At 13,2), os Redentoristas estão prontos a ser fiéis à vocação por toda a sua vida, a renunciar a si mesmos e a tudo o que possuem, a fim de se tornarem discípulos de Cristo e se fazerem tudo para todos (cf. 1Cor 9,22).

50.    Na Igreja, que continua e explicita a missão da salvação, seguem o mesmo caminho palmilhado por Cristo, isto é, o caminho da virgindade, da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação de si mesmo até à morte, da qual, por sua ressurreição, saiu vitorioso.

Assim participam, de modo especial, do próprio mistério da Igreja e mais intimamente são assimilados ao mistério pascal.

Art. 2º — Sinais e testemunhas

51.    Por essa total dedicação à missão de Cristo, participam os Redentoristas da abnegação da cruz do Senhor, de sua virginal liberdade de coração, de sua radical disponibilidade pela vida do mundo. Devem, pois, tornar-se perante todos os homens sinais e testemunhas da força de sua ressurreição, ao mesmo tempo que anunciam a vida nova e eterna.

Art. 3º — A missão unificadora de toda a vida

52.    A caridade apostólica, pela qual os Redentoristas participam da Missão de Cristo Redentor, constitui o princípio de unidade de toda a sua vida. Com efeito, por ela, de alguma forma, se identificam com Cristo que, por meio deles, continua a cumprir a vontade do Pai, realizando a redenção dos homens.

53.    São uma só coisa a glória de Deus e a salvação do mundo, o amor para com Deus e o amor para com os homens. Por essa razão vivem os Redentoristas a união com Deus sob a forma de caridade apostólica e procuram a glória de Deus através da caridade missionária.

54.    Assim, a caridade pastoral informa e dá unidade à vida dos Redentoristas. Na verdade, a vida comunitária está a serviço do apostolado. A contínua conversão, que decorre da total entrega a Deus, aumenta a disponibilidade para o serviço dos outros. E os próprios vínculos religiosos, pelos quais se dedicam a Deus, necessariamente incluem e promovem nos Redentoristas a dimensão apostólica.

Portanto, a profissão religiosa torna-se o ato que define toda a vida missionária dos Redentoristas.

Art. 4º — Todos missionários

55.    Por essa profissão, todos os Redentoristas são verdadeiramente missionários, quer se dediquem às várias funções do ministério apostólico, quer estejam impedidos de trabalhar, quer estejam ocupados em quaisquer serviços à Congregação e aos confrades, quer sejam idosos, enfermos e incapacitados para atividades externas, quer, principalmente, suportem dores ou enfrentem a morte pela salvação do mundo.

Art. 5º — A profissão, resposta de amor

56.    Inspirados e fortalecidos pelo Espírito Santo, empenham-se os Redentoristas para chegar à total doação de si, para serem eles mesmos, por Cristo, como que uma resposta ao Senhor que “os amou primeiro” (1Jo 4,10). Essa resposta, expressam-na pela profissão dos votos de castidade, pobreza e obediência.

Art. 6º — A castidade

57.    A castidade religiosa, que comporta a obrigação da perfeita continência no celibato, já que significa e contém, como o matrimônio, embora de modo diverso, o mistério do amor de Cristo e da Igreja, manifesta a presença do reino de Deus na terra (cf. 1Cor 7,34; Ef 5,25-32).

58.    Os Redentoristas, consagrados a esse mesmo mistério de amor, escolhem o celibato por causa do reino dos Céus (cf. Mt 19,12), a fim de se dedicarem, pessoal e comunitariamente, a Deus e à missão de Cristo (cf. Jo 17,19) e, alargando o coração e pensando no que é do Senhor, amarem e servirem o próximo (cf. 1Cor 7,32), manifestarem assim o amor da Igreja por Cristo (cf. 2Cor 11,2) e preanunciarem as coisas celestiais (cf. Lc 20,35-36).

59.    Aqueles que do Pai recebem esse dom, de tal forma são atraídos pela realidade do reino de Deus, que só pela opção dessa castidade religiosa podem corresponder plena e pessoalmente ao amor de Deus.

Para compreenderem mais perfeitamente o mistério da castidade e o viverem com liberdade e alegria, implorem-no, com insistência e humildade, em união com a Igreja e promovam-no constantemente com meios adequados.

60.    Empreguem, pois, todos os meios e recursos das ciências que favorecem a saúde do corpo e da mente. Não deixem principalmente de seguir as normas ascéticas provadas pela experiência da Igreja. Lembrem-se além disso todos, e principalmente os Superiores, que a castidade se conserva mais seguramente quando entre os confrades vigora verdadeiro amor fraterno na vida comunitária (cf. Const. 23, 34).

Art. 7º — A pobreza

61.    Os Redentoristas, missionários que são, abracem confiantes a pobreza de Cristo “que, sendo rico, se fez pobre por nós, para que fôssemos ricos por sua pobreza” (2Cor 8,9).

62.    Empenhem-se para viver segundo o espírito de que estava imbuída a comunidade apostólica, pelo qual se tornam sinal da vida fraterna dos discípulos de Cristo, dos quais se diz: “A multidão dos crentes era um só coração e uma só alma; ninguém dizia que era seu o que possuía, mas tudo lhes era comum” (At 4,32).

Por isso, todos os bens, convenientes mas modestos, tenham e usem-nos em comum.

Tudo o que os Redentoristas adquirem por seu trabalho, ou em vista do Instituto religioso, adquirem-no para o Instituto religioso e deve, portanto, ser incorporado aos bens da comunidade.

63.    Sem prejuízo das modalidades já provadas, procurem novas formas de praticar a pobreza, sempre mais conformes ao Evangelho e que constituam realmente um testemunho pessoal e comunitário da pobreza evangélica.

64.    Como pobres, sintam-se de tal modo obrigados à lei do trabalho, que cada um, cumprindo seu dever, contribua na medida do possível para o sustento próprio e dos outros.

65.    A caridade missionária exige que os Redentoristas levem uma vida verdadeiramente pobre, que seja condizente com a dos pobres a evangelizar. Dessa maneira demonstram solidariedade com os pobres e se tornam para eles um sinal de esperança.

66.    Procurarão igualmente, com sinceridade, compreender os valores tidos em consideração por outros povos, mesmo que não sejam conformes aos seus e aos de sua cultura. Daí se originará aquele frutuoso diálogo que revelará as riquezas que Deus distribuiu aos povos.

67.    Aceitarão de boa vontade a situação que talvez os chame de um lugar para outro a fim de, em espírito de abnegação, viverem em liberdade evangélica (cf. Lc 9,58-62).

A pobreza igualmente os levará a se inserirem com alegria nas diversas instituições, como servos fiéis do Evangelho, colaborando com todos os homens para o bem da missão (cf. Const. 18).

68.    O voto de pobreza emitido pelos Redentoristas, além de uma vida real e espiritualmente pobre, trabalhosa na sobriedade e afastada das riquezas terrenas, importa dependência e limitação no uso e na disposição dos bens, de acordo com o direito próprio da Congregação.

69.    Os Redentoristas devem fazer testamento válido segundo a lei civil. Essa obrigação, porém, pode ser adiada para imediatamente antes dos votos perpétuos.

70.    Para promover a prática da pobreza, permite-se aos congregados renunciar aos bens patrimoniais adquiridos ou por adquirir. Mas a renúncia aos bens, se for feita, só o seja por confrades de idade mais madura, com o consentimento do Moderador supremo e, enquanto possível, de forma válida pelo direito civil. Cuidem os confrades e os Superiores que essa renúncia não se faça desprezando os princípios da prudência e da eqüidade.

Para evitar inconvenientes, faça-se um documento oficial.

Art. 8º — A obediência

71.    A exemplo de Cristo, que veio para fazer a vontade do Pai e dar a vida para a redenção de muitos (cf. Jo 6,38; Mt 20,28), os Redentoristas, pelo voto de obediência, dedicam a Deus a própria vontade e se obrigam à submissão da vontade aos legítimos Superiores, quando ordenam alguma coisa de acordo com as Constituições e os Estatutos.

Empreguem os recursos da inteligência e da vontade, bem como os dons da natureza e da graça, na execução das ordens e no desempenho dos encargos que lhes forem confiados.

Façam isso em espírito de fé e de amor para com a vontade de Deus, sabendo que dessa forma buscam o reino de Deus e participam intimamente do mistério pascal de Cristo, que é mistério de obediência.

72.    Os Superiores, que deverão prestar contas das almas que lhes foram confiadas (cf. Hb 13,17), dóceis à vontade de Deus, no cumprimento de sua função, exerçam a autoridade em espírito de serviço, em favor dos irmãos, de maneira a expressarem a caridade com que Deus os ama.

Governem seus irmãos como a filhos de Deus e com respeito pela pessoa humana, promovendo-lhes a sujeição voluntária.

Levem-nos a cooperar com obediência ativa e responsável no desempenhar encargos e no assumir iniciativas.

Por isso, ouçam-nos de boa vontade e promovam sua colaboração para o bem do Instituto e da Igreja, ajudando-os, assim, a pôr em prática o zelo missionário.

73.    1º) Todos os confrades são, juntamente com os Superiores, co-responsáveis e solidários no cumprimento da missão apostólica da Congregação. Movidos pelo Espírito Santo que vivifica as comunidades e torna seus membros prontos para o serviço de Deus na Igreja e no mundo, Superiores e confrades, pelo diálogo e pelo convívio fraterno, procurem juntos descobrir e realizar a vontade de Deus que fala pela voz dos homens e pelos sinais dos tempos (cf. Const. 37,38).

2º) Embora pela reflexão comunitária todos concorram para a decisão, permanece firme, no entanto, a autoridade do Superior para decidir e mandar o que se deve fazer, a não ser que o direito particular estabeleça outra coisa.

3º) Os legítimos Superiores podem impor a seus confrades preceitos formais de obediência com relação a quanto se contém nas Constituições e Estatutos. No entanto, ordinariamente não façam uso dessa faculdade, a não ser por motivo grave e com o consentimento de seus conselheiros.

Os confrades, em virtude da obediência que professaram perante Deus, são obrigados a cumprir prontamente tais preceitos.

74.    “Sendo a norma fundamental da vida religiosa o seguir a Cristo como está proposto no Evangelho, seja considerada essa a regra suprema” (PC 2,a) em nossa Congregação.

Por isso as Constituições, Estatutos e os decretos legítimos devem ser observados pelos Superiores junto com os confrades, em comunhão de Espírito, como válido instrumento, pelo qual os confrades e as comunidades sempre se conformem à vontade de Deus e cumpram a missão de Cristo, como ele disse de si mesmo: “Desci do céu, não para fazer minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6,38).

75.    A obediência evangélica tende à verdadeira promoção da pessoa dedicada a Cristo, dá testemunho perante o mundo da verdadeira liberdade dos filhos de Deus e de sua comunhão em Cristo, além de conferir vigor apostólico aos missionários.

Art. 9º — O voto e o juramento de perseverança

76.    Aos votos acima mencionados acrescentarão, no ato da profissão perpétua, o voto e o juramento de perseverança, pelo qual se obrigarão a viver até à morte na Congregação.

 

CAPÍTULO IV
A FORMAÇÃO DA
COMUNIDADE APOSTÓLICA

Art. 1º — O objetivo da formação

77.    A finalidade apostólica da Congregação deve inspirar e permear todo o processo de formação de seus membros. Esse processo abrange tanto a seleção das vocações quanto as diversas etapas da formação, bem como a formação que deve continuar por toda a vida.

78.    O objetivo da formação é conduzir os candidatos e os confrades a tal grau de maturidade humana e cristã que eles, com auxílio da graça divina, conscientes e livres, possam dedicar-se totalmente ao serviço da Igreja missionária na vida comunitária dos Redentoristas para anunciar o Evangelho aos pobres.

Descubram gradativamente as exigências do seguimento de Cristo, decorrentes da própria consagração batismal e mais plenamente confirmadas pela profissão religiosa, de maneira que se tornem verdadeiros missionários.

Art. 2º — A promoção das vocações

79.    O vigor da Congregação no desempenho de sua missão apostólica depende do número e da qualidade dos candidatos que desejam associar-se à comunidade redentorista.

Todos os confrades, portanto, na medida de sua estima e amor à própria vocação, dediquem-se ao apostolado de promover vocações para a Congregação.

80.    O próprio Espírito de Cristo suscita missionários na Igreja. Às mais das vezes serve-se de contatos e relacionamentos, que se estabelecem entre as pessoas, para levar o convite de Cristo a seus apóstolos. Por isso, cada confrade no convívio com os homens em seu ministério apostólico, deve estar atento para descobrir e discernir os dons que o Espírito prodigaliza a muitos jovens. Lembre-se, ainda, cada um que o melhor e mais eficiente meio de promover as vocações é a oração constante e, ao mesmo tempo, o exemplo da própria vida e o zelo apostólico (cf. Mt 9,38; Lc 10,2).

Art. 3º — A formação em geral

81.    Ponha-se todo o empenho para que os candidatos sejam levados a assumir a plena responsabilidade da própria opção, a fim de que neles se desperte e amadureça a livre doação de si mesmos e eles se tornem aptos a empreender as iniciativas condizentes com o espírito do Instituto.

Nutridos copiosamente da palavra de Deus, que devem evangelizar, meditem assiduamente o mistério da salvação. Perscrutando as necessidades do mundo, ao encontro das quais a Igreja deve ir e que ressoam em seu próprio coração, à luz dessa mesma palavra, em união com os confrades, esforcem-se por descobrir uma resposta eficaz.

Animados de fé intrépida, é necessário também que, de um lado prevejam as dificuldades da solidão e as incertezas do ministério apostólico e, de outro, desejem a comunhão fraterna, a fim de apressar o Reino de Deus, no qual Cristo quer reunir todos os homens.

Imitadores do Apóstolo Paulo, como ele o foi de Cristo (1Cor 11,1), e imbuídos de seus ensinamentos, firmem-se na esperança inesgotável e luminosa que, apoiada na caridade, não decepciona (Rm 5,5).

Art. 4º — Os moderadores da formação

82.    Todos os confrades têm responsabilidade na obra da formação. Esta diz respeito não somente àqueles que se iniciam na Congregação, mas a todos os confrades, visto que todo o corpo da Congregação está continuamente em formação e evolução, de acordo com as necessidades dos homens aos quais seus membros anunciam o Evangelho.

Contudo, nesta matéria uma responsabilidade especial cabe aos Superiores maiores, que devem assegurar a formação, principalmente constituindo um corpo de formadores selecionados. Pois é necessário que os formadores sejam preparados por uma formação especial e tenham conveniente experiência missionária da Congregação.

83.    Os formadores, em mútua sintonia de espírito e de vontade, desenvolverão uma ação ponderada e bem adaptada ao serviço daqueles que esperam sua ajuda.

Com o auxílio de peritos, procurem discernir as vocações e proporcionem aos alunos ambiente que lhes permita fazer uma escolha livre e consciente. Não se considerem tanto como mestres que transmitem ciência, mas como ministros da verdade que, junto com os alunos, procuram com paciência e modéstia.

Cooperem os candidatos generosa e humildemente com seus formadores. Sob a luz da fé, alimentada pela meditação da palavra divina, aprendam deles a procurar sempre a Deus, reconhecer os sinais dos tempos, ver a Cristo em todos os homens e avaliar corretamente os valores humanos. De tal modo impregnem sua própria vida de sabedoria evangélica, que se tornem testemunhas fiéis e arautos do Evangelho.

Art. 5º — A primeira formação para a vida apostólica

84.    O tempo de provação abrange não só o noviciado, mas também as etapas que o precedem, bem como as que o seguem, segundo as normas do direito universal e do direito próprio da Congregação.

85.    Progressivamente incorporam-se os membros à Congregação por etapas sucessivas. Já desde o início, viverão no espírito dos conselhos evangélicos. Quando estiverem suficientemente maduros e firmes nessa forma evangélica de vida, consagrar-se-ão mais perfeitamente à missão de Cristo Redentor na Congregação, pelos vínculos dos votos de castidade, de pobreza e de obediência.

86.    1º) Compete ao Governo geral decidir sobre a constituição do noviciado e erigir, por decreto escrito, sua sede em alguma casa da Congregação, bem como definir as diretrizes básicas do noviciado e determinar outros pontos, segundo a norma do direito universal e dos Estatutos gerais.

2º) O noviciado tem por finalidade que os candidatos examinem mais profundamente se realmente são chamados por Deus a seguir a Cristo, pela profissão religiosa, na vida apostólica da Congregação.

Experimentem os candidatos nosso modo de viver; aprendam a história e a vida da Congregação; com a mente e o coração sejam impregnados de seu espírito; comprovem-se sua intenção e sua idoneidade.

a)   O Noviciado, para ser válido, deve compreender doze meses passados na casa aprovada.

Para aperfeiçoar a formação dos noviços, além do tempo acima referido, os Estatutos gerais podem determinar um ou mais períodos de experiência apostólica a serem passados fora da comunidade do noviciado.

O noviciado não se prolongue por mais de dois anos.

b)   Compete ao Mestre de noviços, sob a autoridade do Superior (vice) provincial, a direção do Noviciado. No que se refere, porém, à disciplina da casa em seu conjunto, o Mestre, do mesmo modo que os noviços, está subordinado ao Superior.

c)   Compete ao Superior maior, com o consentimento de seu Conselho, segundo a norma dos Estatutos gerais, admitir candidatos ao noviciado e à profissão temporária ou perpétua.

d)   Terminado o noviciado, o noviço, se for julgado idôneo, seja admitido à profissão temporária. Caso contrário, seja demitido. Se ainda houver dúvida sobre sua idoneidade, pode-se prorrogar o tempo de prova, segundo a norma dos Estatutos gerais, mas não por mais de seis meses.

e)   A profissão temporária, a ser emitida após o noviciado, deve ter a duração de três anos. Pode ser prorrogada, mas não por mais de seis anos, a não ser excepcionalmente.

f)    A profissão deve ser emitida ou renovada segundo a fórmula aprovada (cf. Apêndice).

87.    Os membros da Congregação que aspiram ao sacerdócio sejam formados de tal modo que se configurem à imagem de Cristo, sumo e eterno Sacerdote. Aprendam a aderir a Ele. Esforcem-se por aprofundar seu mistério total, pelo estudo científico e sistemático das ciências sagradas e por um conhecimento mais profundo das ciências que tratam do homem.

Terão igualmente participação intensa na vida comunitária e de maneira conveniente dedicar-se-ão ao apostolado missionário.

88.    Durante todo o currículo dos estudos nossos estudantes estarão confiados ao especial cuidado de um Prefeito. Este deve formá-los para a vida apostólica e ajudá-los para que sua vida espiritual constitua verdadeiramente uma unidade com os estudos teológicos.

89.    Os outros confrades devem ser formados de modo semelhante, para que também eles se conformem mais intimamente ao mistério de Cristo e participem da vida da Congregação, porquanto todos concorrem para a mesma vocação missionária a ser vivida segundo os próprios dons. É necessário, por isso, que, na medida do possível, adquiram competência profissional e ministerial.

Art. 6º — A formação contínua

90.    Tanto mais eficientes missionários serão os Redentoristas, quanto mais forem capazes de adaptar convenientemente sua atividade apostólica e de a ela unir estreitamente uma contínua renovação espiritual, científica e pastoral.

Cada confrade, pois, se esforce por enriquecer e vivificar seu ministério, pelo estudo contínuo das ciências sagradas e humanas e pelo fraterno intercâmbio com os confrades.

O Superior (vice) provincial, por sua vez, deve promover o desenvolvimento contínuo da formação de todos os confrades, por meio de institutos ou cursos teológicos e pastorais ou pela freqüência de cursos em faculdades ou em encontros regionais ou nacionais.

Além disso, nossa Congregação, seguindo o exemplo do santo Fundador, promove estudos superiores das ciências sagradas, para mais eficazmente atingir sua finalidade missionária.

 

CAPÍTULO V
O GOVERNO DA
COMUNIDADE APOSTÓLICA

Princípios gerais

91.    Os princípios gerais expressos nas Constituições devem animar todo o governo da Congregação, a fim de conferirem valor humano e apostólico às normas consagradas nas Constituições e Estatutos.

92.    Todos os confrades e comunidades, cada qual a seu modo, tomem parte ativa e responsável no governo da Congregação em suas diversas partes e por meio das diferentes instituições de que é dotada. Pois a cada um foi dada a manifestação do Espírito para o bem comum (cf. 1Cor 12,7; Const. 72).

93.    Por esse motivo, de acordo com as boas normas da descentralização, cada parte, sob a orientação do Governo geral, dirija-se por si mesma, seja criando e aplicando leis e decretos, seja coordenando a vida dos confrades, em comunhão com as outras partes do Instituto, com a Igreja local e com a sociedade dos homens na qual está inserida.

94.    Além disso, é preciso que todas as instituições de governo, em virtude do princípio de subsidiaridade, sirvam para promover a responsabilidade dos confrades e das comunidades. Isso se dá quando todos os confrades e as instituições inferiores participam nas decisões que lhes dizem respeito e que podem levar a termo com meios próprios. É necessário, por outro lado, que as instituições superiores ajudem convenientemente as inferiores naquilo que elas precisarem.

95.    Observe-se, também, o princípio de solidariedade, pela qual se promova uma verdadeira cooperação entre as instituições do mesmo nível e entre os próprios confrades. Os Superiores envidem esforços para que haja as condições mais favoráveis à vida apostólica de todos os confrades.

96.    A Congregação, finalmente, deve adaptar a própria estrutura e suas instituições às necessidades apostólicas e acomodá-las bem à diversidade de cada missão, salvo, porém, o carisma da Congregação.

Seção Primeira

A ESTRUTURA DA CONGREGAÇÃO

Art. 1º — As divisões e instituições da Congregação

97.    A Congregação compõe-se de Províncias e Vice-Províncias, que, por sua vez, compreendem as comunidades, através das quais vivem e operam. Existem também na Congregação Regiões.

1º — Compete ao Conselho geral erigir as Províncias e Vice-Províncias, unir as já existentes ou alterar-lhes os limites.

2º — Compete igualmente ao Conselho geral suprimir Províncias e Vice-Províncias e dispor dos bens das que forem supressas.

3º — Criar e suprimir Regiões compete às (Vice) Províncias, com aprovação do Conselho geral.

98.    A instituição primária é o Capítulo, através do qual os confrades exercem a responsabilidade pela vida apostólica da Congregação e providenciam a seu governo.

Pois, nos Capítulos, todos os confrades, diretamente ou por meio de representantes eleitos, em épocas determinadas, para o bem de toda a Congregação ou da própria (Vice) Província tomam decisões e conjugam esforços para levar a Congregação a uma adequada renovação e para firmá-la na unidade.

99.    À frente de toda a Congregação, das (Vice) Províncias e das comunidades estão os respectivos Superiores com seus Conselhos. A estes se acrescentam instituições apropriadas, permanentes ou transitórias, por meio das quais os confrades participam da obra do governo.

Art. 2º — Os Capítulos e os Superiores em geral

100. Os Capítulos e os Superiores têm poder, recebido pelo ministério da Igreja, para governar as comunidades e os confrades segundo a norma do direito universal e próprio; e já que a Congregação é clerical e de direito pontifício, têm, além disso, poder de regime ou de jurisdição, tanto para o foro interno como para o foro externo. Além disso a Congregação é também isenta. Os Superiores, porém, exerçam esse poder em espírito de colegialidade, em união com os conselheiros, que representam a participação dos confrades no governo.

101. Nas matérias a serem tratadas pelo governo, segundo a norma do direito universal e particular, há negócios nos quais compete aos conselheiros voto consultivo; outros há em que lhes compete voto deliberativo e, enfim, outros, expressamente determinados, nos quais o Conselho deve decidir colegialmente por maioria absoluta de votos.

Contra a decisão da maioria cabe recurso ao Superior imediato.

O recurso tem efeito suspensivo, se se trata de emprestar dinheiro ou de fazer alienações. Nos outros negócios, porém, salvo o direto universal, o recurso tem apenas efeito devolutivo.

102. Em matéria meramente disciplinar, os Superiores podem dispensar das Constituições e dos Estatutos gerais ou (vice-)provinciais, de acordo com as normas seguintes:

a)   Se a dispensa afetar a um só confrade, e o caso, principalmente se público, for durar mais tempo, o Superior da comunidade poderá concedê-la, ouvido seu Conselho.

b)   Tratando-se de dispensar toda a comunidade, em matéria de maior importância, o Superior da comunidade, ouvidos seus conselheiros, se houver tempo recorra ao Superior (vice) provincial a quem compete conceder a dispensa, depois de ouvir seu Conselho. Se não houver tempo, o próprio Superior, ouvido o Conselho, poderá dispensar a comunidade, mas informará seu Superior (vice) provincial.

c)   Para dispensar toda a vice-província, seu Superior, ouvido seu Conselho, recorra ao Superior provincial. Este, com o consentimento do próprio Conselho, poderá dispensar a vice-província. Se, porém, não houver tempo, o próprio Superior vice-provincial, com o consentimento de seu Conselho, poderá conceder a dispensa, dando ciência disso a seu Superior provincial.

d)   Do mesmo modo, quando se tratar de dispensar toda a província, seu Superior, após ouvir seus conselheiros, recorra, se houver tempo, ao Superior geral. Este, com o consentimento de seus conselheiros, poderá conceder a dispensa. Se, porém, não houver tempo, o próprio Superior provincial, com o consentimento de seu Conselho, poderá dispensar a província informando disso o Superior geral.

e)   Se se trata de dispensar a Congregação toda, o Conselho geral poderá conceder a dispensa até o próximo Capítulo geral. Este decidirá do assunto, prorrogando temporariamente a dispensa ou revogando-a. Se, porém, o Capítulo geral nada decidir sobre essa dispensa, ela é considerada revogada.

103. Os Superiores examinem-se periodicamente sobre o modo de devidamente entender e de convenientemente desempenhar seu ofício.

Para esse fim, consultem-se mutuamente e participem, quanto possível, de encontros de formação.

Muito útil será que se reúnam para esse fim também com Superiores de outros Institutos.

Seção segunda

O REGIME GERAL

Art. 3º — O Capítulo geral

104. O Capítulo geral, devidamente convocado e constituído, é o órgão supremo do governo interno da Congregação e a representa. Expressa a participação e o interesse de todos os confrades pelo bem de todo o Instituto.

O Capítulo geral, tanto o ordinário como o extraordinário, é convocado pelo Superior geral, de acordo com as normas contidas nos Estatutos gerais e no Diretório dos Capítulos.

105. O Capítulo geral ordinário é convocado cada seis anos. Os Estatutos gerais determinem quando se deve convocar um Capítulo extraordinário.

106. Serão convocados para o Capítulo geral: o Superior geral, os Conselheiros, o Procurador, o Ecônomo e o Secretário gerais, e os representantes das (Vice) Províncias legitimamente designados. O presidente do Capítulo geral é o Superior geral.

O Superior geral, os Conselheiros, o Procurador, o Ecônomo e o Secretário gerais, mesmo que não sejam reeleitos, permanecem membros do Capítulo que elege seus sucessores, até a sua conclusão ou, se o Capítulo tiver vários períodos de sessões, até à conclusão do primeiro período.

107. Compete ao Capítulo geral cuidar da vida apostólica de todo o Instituto, fortalecer os laços que unem entre si suas partes e promover a adaptação das instituições da Congregação e das normas de vida às necessidades da Igreja e dos homens.

108. Para poder cumprir devidamente tão grave encargo, o Capítulo geral submeterá a acurado exame o estado da Congregação, indagando se ela permanece fiel à própria missão, de acordo com o espírito do Fundador e as legítimas tradições e se ela tem se mostrado sempre dócil à voz de Deus, que a interpela continuamente no mundo e na Igreja.

109. a) O Capítulo geral proporá oportunas orientações à Congregação para que ela, sempre mais profundamente renovada conforme o próprio espírito, se consagre totalmente, com maior perfeição, ao serviço da Igreja e dos homens.

b) Compete ao Capítulo geral:

1º)    Por maioria de dois terços dos votos, conceder dispensa geral das prescrições das Constituições, conforme a norma da Const. 102 e.

2º)    Por maioria absoluta dos votos, emendar, ab-rogar ou criar novos Estatutos, dar decretos, confirmar ou revogar decisões do Governo geral e conceder dispensas particulares temporárias das prescrições das Constituições em matéria disciplinar (cf. Const. 102 e; 119).

3º)    Por maioria de dois terços dos votos, modificar as Constituições. Essa modificação deverá ser confirmada pela Santa Sé, a quem pertence igualmente interpretar autenticamente as Constituições.

110. a) O Capítulo geral constitui o Governo geral da Congregação, elegendo ou reelegendo por seis anos o Superior geral, seu Vigário e os outros membros desse Governo.

b) Para a eleição ou reeleição do Superior geral e de seu Vigário requerem-se dois terços dos votos; para a eleição ou reeleição dos Conselheiros gerais, porém, basta a maioria absoluta dos votos.

111. Além disso, o Capítulo geral trata de outros eventuais negócios de maior importância, referentes à vida e ao governo da Congregação.

Art. 4º — O Governo geral

112. O Superior geral juntamente com os Conselheiros gerais, que são co-responsáveis pelo governo de toda a Congregação, formam o Governo geral, que é órgão permanente de direção e execução.

113. O Governo geral, por sua presença eficiente, periódica e orientadora, seja nas (Vice) Províncias inspirador e animador de renovação contínua.

I.   O Superior geral e seu Vigário

114. a) Para que alguém possa ser eleito Superior geral deve ser sacerdote professo de votos perpétuos; ter vivido, pelo menos, sete anos na Congregação depois da profissão perpétua e ter completado trinta e cinco anos de idade.

b) O Superior geral, como supremo Moderador da Congregação e presidente do Conselho geral, tem como primeiro encargo cuidar que seja levada a termo a missão confiada pela Igreja à Congregação e, por isso, promover a vida apostólica da Congregação, conforme as Constituições, Estatutos, decretos e orientações do Capítulo geral.

c) Por isso, pessoalmente ou por outro, visite as (Vice) Províncias para animar e coordenar a missão da Congregação quanto a todos os seus aspectos.

115. a) O Superior geral tem autoridade, segundo a norma do direito universal e do direito próprio da Congregação, sobre todas as Províncias, Vice-Províncias, Regiões, comunidades e confrades da Congregação.

b) O Superior geral, como primeiro animador e coordenador do Instituto, procure conhecer sempre mais profundamente a mente da Igreja e suas necessidades, principalmente nos lugares onde a Congregação exerce o ministério e a missão da própria Congregação na Igreja.

116. a) O Superior geral é, por ofício, o representante de toda a Congregação. Cuida também que a Congregação tenha as devidas relações com a Santa Sé e estabeleça colaboração com outras instituições eclesiásticas ou civis.

b) O Superior geral pode renunciar a seu cargo perante o Capítulo geral ou perante os Conselheiros gerais, mas, neste último caso, com a confirmação da Sé Apostólica. Para que a renúncia seja considerada aceita requer-se a maioria de dois terços dos votos.

117. O Vigário do Superior geral é eleito pelo Capítulo geral dentre os Conselheiros gerais. Ele faz as vezes do Superior geral ausente ou impedido; sucede-lhe no cargo e no título em caso de cessação do ofício ou de morte, até o próximo Capítulo geral ordinário.

Em caso de renúncia ou impedimento do Vigário geral sejam tomadas as medidas previstas nos Estatutos gerais.

II.  Os Conselheiros gerais

118. Os Conselheiros gerais, que devem ser eleitos pelo Capítulo geral, devem ser ao menos seis.

Seu principal encargo é promover o bem da Congregação. Dependem de seu dinamismo e de sua competência a execução das decisões do Capítulo geral, a eficácia do poder conferido ao Superior geral e a colaboração de todas as (Vice) Províncias na promoção da obra missionária da Congregação.

119. O Conselho geral tem a faculdade de temporariamente, isto é, até o próximo Capítulo geral:

1º — Interpretar autenticamente os Estatutos, as prescrições dos Diretórios e todas as decisões do Capítulo;

2º — suspender os decretos do Capítulo geral, informando a Congregação sobre as causas dessa suspensão;

3º — dar novos decretos.

Compete ao Capítulo geral confirmar ou ab-rogar essas determinações. Mas, se nada decidir a respeito, elas automaticamente cessam (cf. Const. 109 b, 2º).

Art. 5º — Os Oficiais da Cúria geral

120. Após oportuna consulta, o Conselho geral escolherá os Oficiais maiores, isto é: o Procurador, o Ecônomo, o Secretário e o Postulador gerais e constituirá os vários órgãos que pareçam necessários ou úteis.

Seção terceira

O REGIME (vice) provincial

Art. 6º — A Província

121. A Província é uma unidade orgânica da Congregação, pessoa jurídica erigida pelo Conselho geral. Consta de várias comunidades sob um mesmo Superior e é dotada dos órgãos necessários a sua vida, a fim de que, por ela se atinja eficazmente a finalidade da Congregação, através da variedade dos ministérios e dos dons, em comunhão com as outras partes da Congregação, sob a autoridade do Governo geral.

I.   O Capítulo provincial

122. a) No governo da província o órgão primário é o Capítulo provincial, que é uma pessoa moral colegial, constituída de representantes de todos os confrades.

b) O Capítulo compõe-se de membros por ofício e membros por eleição, de acordo com os Estatutos gerais.

123. Compete ao Capítulo provincial procurar constantemente uma renovação adequada da vida apostólica e do governo da província.

II.  O Governo provincial

124. O Superior provincial:

a)   Junto com os Conselheiros provinciais, que são co-responsáveis pelo governo da província, forma o Governo provincial, que é o órgão permanente de direção e execução, e que deve prestar contas ao Capítulo provincial da função que lhe é confiada.

b)   Seja designado conforme a norma dos Estatutos gerais. Mas para que alguém possa ser designado para a função de Superior provincial deve ser sacerdote professo de votos perpétuos, ter vivido na Congregação, ao menos, cinco anos depois da profissão perpétua e ter, ao menos, trinta anos de idade.

125. O Superior provincial, como Moderador da província e presidente do Conselho provincial, tem o encargo de dirigir e organizar a província, de acordo com as Constituições e os Estatutos gerais ou particulares.

126. O Superior provincial desempenhe seu encargo como pastor, animador e coordenador de todas as comunidades e dos confrades de sua província; ajude-os com todo o empenho e ao mesmo tempo urja que vivam dignamente a vocação a que foram chamados e que corajosamente assumam e levem adiante os trabalhos apostólicos.

127. Seja eleito, ordinariamente dentre os Conselheiros provinciais, o Vigário do Superior provincial, que lhe fará as vezes em caso de ausência ou de impedimento; em caso, porém, de cessação do cargo ou de morte, suceder-lhe-á no ofício, salvo determinação contrária dos Estatutos provinciais.

128. O Superior provincial, seu Vigário e os Conselheiros provinciais sejam designados pelo tempo determinado nos Estatutos gerais.

III.  Os Oficiais e as Instituições da Província

129. O Capítulo ou o Conselho, de acordo com as normas dos Estatutos provinciais, providencie que sejam designados os oficiais da província; além disso, cuide que o Governo da província seja dotado das convenientes instituições, tais como secretariados e outros semelhantes.

Art. 7º — A Vice-Província

130. A Vice-Província, que é erigida como pessoa jurídica pelo Conselho geral, é a união de várias comunidades que, em geral, tem origem numa província, da qual depende, segundo as normas que seguem (131-134).

131. A Vice-Província manifesta a vitalidade apostólica de toda a Congregação, em especial da província pela qual foi fundada. É instituída e erigida para servir à Igreja, principalmente onde esta se encontra em estado de missão, depois de feita uma ampla consulta entre os confrades que pertencem à província e depois de acordo com o Governo geral.

132. Na medida em que a Vice-Província originada de uma Província, ainda não é plenamente auto-suficiente, tem ela o direito de requerer o auxílio da Província, no que se refere a pessoal e bens temporais.

133. A Vice-Província tem a mesma estrutura, as mesmas instituições e a mesma competência que a Província para determinar a maneira de conferir cargos.

Tudo, portanto, que se diz da Província vale também para a Vice-Província, a não ser que pelo direito se estabeleça ou pela natureza mesma das coisas seja evidente o contrário.

134. Para exercer com eficácia seu apostolado, a Vice-Província goza da conveniente liberdade e de poder para adaptar seu modo de viver conforme as exigências das particulares necessidades missionárias.

Art. 8º — O governo das comunidades na (Vice) Província

135. A (Vice) Província, conforme as necessidades do apostolado, para o bem da Igreja local, procura constituir comunidades, casas ou residências, através das quais ela vive e trabalha.

Compete ao Governo geral erigir e suprimir canonicamente as casas, observadas as normas da Sé Apostólica sobre a matéria.

136. Os confrades sejam reunidos pelo Superior da comunidade, em tempos determinados, para que dêem sua colaboração no aumento do vigor espiritual da comunidade, na promoção das iniciativas apostólicas e nas decisões a respeito.

137. a) Os Estatutos (vice) provinciais dêem normas pelas quais se possa estabelecer e organizar o governo da comunidade de acordo com a diversidade das situações.

b) As decisões que, pelos Estatutos (vice) provinciais ou conforme os Decretos do Capítulo (vice) provincial, são deixadas à determinação das comunidades, necessitam da aprovação do Conselho (vice) provincial.

138. a) O Superior da comunidade deve ser sacerdote professo de votos perpétuos e é designado segundo a norma dos Estatutos gerais.

b) Os Superiores das comunidades sejam designados pelo tempo determinado nos Estatutos gerais.

139. O Superior da comunidade comporte-se primeiramente como pastor espiritual e depois como dirigente e administrador. Compete-lhe, antes de mais nada, servir à comunidade, para que ela se forme e cresça em Cristo e para que todos se dediquem, unindo as forças, à obra da evangelização.

Em razão de seu ofício, sinta-se também co-responsável pelo bem de toda a Província.

140. O Vigário do Superior da comunidade seja designado de acordo com os Estatutos gerais. Ele faz as vezes do Superior ausente ou impedido e lhe sucede, de acordo com as normas dos Estatutos gerais.

Art. 9º — A cooperação entre as (Vice) Províncias

141. Embora cada (Vice) Província realize seu trabalho missionário de acordo com as necessidades das pessoas e dos lugares, contudo, devem fazê-lo com a colaboração contínua de toda a Congregação, de modo que as mais fortes dêem ajuda às mais fracas.

142. Quando diversas (Vice) Províncias encontram quase os mesmos problemas, principalmente em se tratando de trabalhos apostólicos ou da formação dos confrades, é muito conveniente que os problemas comuns sejam estudados e amigavelmente discutidos, com caridade e mútua união de espíritos, a fim de procurar uma solução comum que contribua da melhor forma para o bem da Igreja.

143. Para promover a colaboração, o Governo geral, a quem cabe animar e coordenar o apostolado missionário de toda a Congregação, incentive reuniões inter-provinciais.

Seção quarta

OS BENS TEMPORAIS DA CONGREGAÇÃO

Art. 10º — A destinação dos bens temporais

144. a) Os confrades devem usar os bens temporais para as finalidades a que é lícito destiná-los, isto é, para seu honesto sustento e para realizar obras de apostolado ou de caridade, sobretudo em favor dos necessitados, como também para organizar o culto divino.

b) Adquiram o que for necessário para sua manutenção e suas obras, deixando de lado qualquer preocupação excessiva e entregando-se à providência do Pai celestial.

c) O direito de dispor dos bens temporais pertence aos Superiores, aos Conselhos, aos Capítulos, segundo a norma das Constituições e dos Estatutos, observando-se o direito universal.

Seção quinta

A SAÍDA DA CONGREGAÇÃO

145. Somente o Sumo Pontífice ou o Superior geral podem dispensar dos votos emitidos na Congregação, sejam eles temporários ou perpétuos. Entende-se que são sempre emitidos sob essa condição.

146. Os confrades podem ser demitidos, segundo a norma do direito universal. No caso de demissão, os votos são dispensados após confirmação pela Santa Sé do decreto de demissão. No caso de demissão “ipso iure”, após a declaração do fato.

147. O decreto de demissão, dado segundo a norma do direito, deve ser notificado, quanto antes, ao confrade a quem interessa, concedendo-se a ele a faculdade de recorrer dentro de dez dias à Santa Sé, com efeito suspensivo.

148. Os que, tendo terminado o período de votos temporários ou tendo obtido indulto de secularização ou laicização, saírem da Congregação ou dela forem demitidos, nada podem reclamar por qualquer trabalho prestado à Congregação.

Mas, se o egresso ou demitido não estiver em condição de sustentar-se com seus próprios bens ou com seu trabalho, deve a Congregação, nesse ínterim, dar-lhe um subsídio caritativo, de acordo com as instruções da Santa Sé.

 

DECRETOS SOBRE A POBREZA

1.  Decreto de Pio X de 31 de agosto de 1909
      (“Ut tollatur”)

Para que se elimine no futuro qualquer controvérsia a respeito da natureza do voto de pobreza na Congregação do Santíssimo Redentor, fundada por Santo Afonso Maria de Ligório, Sua Santidade o Papa Pio X, após madura reflexão, na audiência concedida ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito da Sagrada Congregação dos Religiosos, mandou publicar a seguinte declaração, que deve ser perpetuamente observada por todos e cada um dos Superiores e confrades da Congregação do Santíssimo Redentor:

1º) os membros da Congregação do Santíssimo Redentor emitem voto simples de pobreza e de vida perfeitamente comum. Em virtude desse voto:

2º) conservam somente o domínio nu ou radical de seus bens, mas unido ao direito de receber os frutos ou réditos deles provenientes;

3º) exceto por herança ou doação de parentes, não podem adquirir nenhuma nova propriedade, salvo se o título de aquisição tenha certa e formalmente existido já antes da emissão dos votos;

4º) não podem constituir nem aumentar o capital com os frutos ou réditos de seus bens;

5º) não podem dispor, nem por ato entre vivos, nem em caso de morte, dos próprios bens, a não ser em favor de parentes até o oitavo grau de consagüinidade ou afinidade, não, porém, espiritual; ou em favor da Congregação; ou para missas por si ou por parentes; ou ainda, com licença do Superior geral ou provincial, para uma obra pia determinada em favor de terceiros.

6º) devem dispor dos frutos ou réditos dos bens o mais depressa moralmente possível;

7º) não podem dispor dos frutos ou réditos, senão no modo pelo qual podem dispor dos bens;

8º) podem e devem dispor, do mesmo modo, dos réditos de terras, pensões, vitalícios, seguros e semelhantes, se os tiverem;

9º) não podem ter nenhum depósito em nome próprio, sob nenhum pretexto e por nenhuma razão;

10º) não podem reservar-se qualquer administração de seus bens ou de seus réditos.

Esta Declaração tem força não somente de perpétuo Estatuto ou Constituição, mas também de Decreto e Mandato Apostólico, retirando-se aos próprios Capítulos gerais a faculdade de mitigar ou modificar parcial ou totalmente o teor desta Declaração.

Para que todos os confrades da Congregação do Santíssimo Redentor mereçam receber mais abundantes bênçãos do céu e mais plenamente sintam a valiosa proteção de seu Pai Legislador, Santo Afonso Maria de Ligório, e do ínclito propagador da Congregação, São Clemente Maria Hofbauer, Sua Santidade os exortou vivamente a que se conformem fielmente a esta Declaração, não obstante qualquer coisa em contrário mesmo digna de especial menção.

Roma, 31 de agosto de 1909

Fr. Jos. C. Vives, Prefeito
Vinc. La Puma

2.  Decreto de Bento XV de 7 de maio de 1918
         Audiência pontifícia de 7 de maio de 1918

Sua Santidade Bento XV, após ouvir o parecer do abaixo-assinado Cardeal Prefeito da Sagrada Congregação para os assuntos dos Religiosos, com o fim de precaver qualquer dúvida ou controvérsia que possam originar-se na Congregação do Santíssimo Redentor fundada por Santo Afonso Maria de Ligório, por ocasião do Código de Direito Canônico, a respeito da natureza e do alcance do voto de pobreza, à dúvida proposta pelo Reverendíssimo Padre Patrício Murray mandou responder o seguinte:

1) — Os confrades da Congregação do Santíssimo Redentor, mesmo no futuro, estão obrigados em tudo ao Decreto desta Sagrada Congregação datado de 31 de agosto de 1909.

2) — Todavia os que nessa Congregação emitirem a profissão após a entrada em vigor do Código de Direito Canônico, isto é, a partir do dia 19 de maio de 1918:

a)   deverão, segundo a norma do cânon 569 n. 3, fazer testamento, que não poderão modificar, senão de acordo com a disposição do cânon 583 n. 2;

b)   não poderão renunciar por ato entre vivos ao domínio de seus bens a título gracioso, de acordo com as prescrições do cânon 583 n. 1.

Não obstante qualquer coisa em contrário.

Dado em Roma na data acima.

J. Card. Tonti, Prefeito
Adolfo, Bispo de Canope, Secretário